Wilhelm Reich e conceitos relacionados.

[conceitos_reichianos].

 

Wilhelm Reich e sua obra.

Somente para recordar: A obra de Reich de acordo com o desenvolvimento de seus métodos terapêuticos:

Sobre a Couraça.

Sobre a origem e a preservação da couraça.

Foco, processo e procedimento terapêutico centrado nas defesas (análise do caráter).

Análise do carácter.

A descoberta da terapia corporal (Vegetoterapia caráctero analítica).

Sobre a orgonomia e a orgonoterapia.

Sobre o orgone.

Sobre o campo orgone e suas funções (onda e pulso)

Sobre o {Or.} de orgone.

Sobre a Energia Orgone Mortal {D. Or.}. (Deadly orgone).

Sobre o encouraçamento do campo energético.

Sobre a sobreexcitação.

Sobre o Projeto Oranur; a sobreexcitação e o {D. Or.}.

Sobre as direções da energia orgone {Or.}. <=> {D. Or.}.

A doença {D. Or.} e os sintomas da sobreexcitação.

Sobre o termo Funcional (pensamento funcional).

O que mesmo Reich dizia ou não dizia?

 

Por uma questão de necessidade e coerência metodológica colocamos aqui um breve resumo dos principais conceitos da orgonomia que usamos na articulação da Arte Org.

Esclarecendo: todos os conceitos desta sessão foram extraídos do livro “história e desenvolvimento da metodologia da Arte Org” de Jovino Camargo Junior. O que significa que as opiniões aqui propostas se referem à compreensão do Autor sobre Reich e sua obra. Para efeitos legais e éticos; o resultado final tem sua autorização e revisão.

 

Wilhelm Reich e sua obra.

[reich]

Wilhelm Reich (1897-1957) um dos pensadores que, de uma forma ou de outra, mais influenciou nossa cultura. Na atualidade, muitas de suas descobertas, idéias, e hipóteses são abordadas como senso comum.

Iniciou seu trabalho na década de 20, começando pela psicanálise e seguindo em direção a um conhecimento mais amplo dos processos que influenciam o funcionamento do ser humano. Como médico psiquiatra e cientista natural, Reich desenvolveu, por quase quarenta anos, uma ampla pesquisa sobre os processos energéticos vitais.

Durante esse percurso, e com base nele, Reich elaborou três técnicas terapêuticas: a análise do caráter (1923-1934), a vegetoterapia caráctero analítica (1934-1939) e a orgonoterapia (1939-1957). Com as quais Reich é tido como o pai das terapias corporais do Ocidente.

Seu grande objeto de estudo e de investigação foi o funcionamento emocional humano e a partir deste foi estabelecendo relações com as demais áreas do funcionamento e da ciência do homem.

De sua compreensão do funcionamento emocional humano deduziu, descobriu e comprovou e existência de uma energia biológica específica que denominou de bioenergia.

O encaminhamento lógico e experimental desse trabalho levou Reich a concluir que a mesma força física que atua como bioenergia nos seres vivos, atua também no cosmos.

Neste sentido Reich inverteu os pressupostos mais básicos da ciência vigente. Ele não emprestou as leis da física e da química para investigar o funcionamento emocional humano a partir de hipóteses eletrônicas ou atômicas; mas postulou uma nova força energética que operava como uma identidade funcional com o funcionamento emocional e que se move na velocidade das emoções e não na velocidade do pensamento ou na velocidade da luz. Postulou também que esta mesma energia biológica existe em todo planeta e fora dele como uma energia livre de massa, independente da matéria viva ou da matéria não viva. Essa força foi experimentalmente comprovada por Reich no período 1939-1940 e, então, nomeada como energia orgone cósmica.

Assim nasceu a orgonomia – a ciência que se dedica ao estudo das manifestações da energia orgone no micro e no macro cosmos, no vivo e no inanimado. O termo orgonomia, além de indicar e nomear esta nova ciência (vasta e promissora) desenvolvida por Reich, também evidencia o conjunto da produção científica reichiana. Mais que isso, a Orgonomia expressa em si uma nova relação entre o Homem e o universo, possibilitando uma nova compreensão do funcionamento do ser humano. Nesse sentido, a ciência instituída (incluindo o que o próprio Reich tinha desenvolvido) já não preenchia os requisitos para a continuação de sua pesquisa. Foi necessário, mais uma vez, reavaliar todos os conceitos pré-estabelecidos.

Assim, Reich re-elabora seu próprio método de pensamento, o materialismo dialético para surgir com um novo método de pensamento o funcionalismo orgonômico, e junto com ele desenvolve as mais diversas áreas dentro da Orgonomia: Orgonoterapia, Biofísica Orgone, Física orgone, Astrofísica, Pedagogia Orgonômica, Orgonometria, etc.

Apesar da orgonomia enquanto ciência continuar sendo à parte da obra Reichiana menos compreendida e divulgada, uma eterna desconhecida, Reich, quando colocou, no centro da mesa de discussão, o tema da energia da vida como uma unidade que abarcava o funcionamento do homem, da natureza e do cosmo, abriu as portas da ciência do homem para o próprio homem. A questão da energia que se manifesta no vivo é, sem dúvidas, a maior contribuição já feita à ciência do homem.

Podemos afirmar que a grande carência da cultura ocidental é justamente a falta de um pensamento energético presente no senso comum das pessoas. Os orientais, por exemplo, com sua medicina cotidiana tradicional, também tem uma forma de pensamento energético para compreenderem a si-mesmos e os processos externos, e podem aplicar este mesmo pensamento para orientar inclusive seus negócios (o que nos deixa muitas vezes surpreendidos e invejosos).

Neste mesmo ocidente (berço de tantas ciências) já temos atualmente um novo reconhecimento que amplia e modifica a forma ocidental tradicional de pensar o funcionamento energético da vida, porém tudo isto ainda é muito novo e ainda não tem o reconhecimento da comunidade científica como tem a forma mecanicista de pensar. Resta saber o quanto falta para termos no ocidente os processos energéticos vivos como parte do senso comum das pessoas.

Somente para recordar: A obra de Reich de acordo com o desenvolvimento de seus métodos terapêuticos:

[obra_de_reich]

1º O método Psicanalítico Reichiano, a análise sistemática das resistências, que surgiu da primeira tópica da psicanálise Freudiana.

 (Os demais métodos já foram criados por ele - Reich).

2º O método caracteroanalítico: análise do Carácter.

3º O método vegetoterapêutico: sub­dividido em dois procedimentos: a Vegeto­terapia caracteroanalítica e a vegetoterapia (propriamente dita).

4º O método orgonoterapêutico: subdividido em dois períodos e 4 procedi­mentos terapêuticos.

Primeiro período orgonômico - descoberta da Energia orgone.

a) Orgonoterapia ou, como a chamo, Vegetoterapia Orgonômica.

b) Orgonoterapia (propriamente dita).

c) Orgonoterapia Física, Medicina Orgonômica.

Segundo período orgonômico - descoberta da Energia Orgone Mortal {D. Or.}.

d) A Orgonoterapia das funções orgonóticas. {Or. ó D. Or.}.

Além disso, escreveu sobre duas metodologias de investigação e pensamento.

1º O Materialismo Dialético.

2º O Funcionalismo Orgonômico (-- este criado por ele--).

Além disso, os mais diversos temas (investigações e inter-relações entre sexologia, sociologia, política, antropologia e “que hacer humano”) numa variedade de livros e artigos.

Seus primeiros livros voltados a investigações clínicas e terapêuticas foram: “Carácter Impulsivo” e “Psicopatologia e Sociologia da Vida Sexual”, “Função do orgasmo I” que tratam de seu período psicanalítico.

Depois, o livro “Análise do Carácter”, que trata do encouraçamento do carácter, foi posteriormente acrescido com textos de outros períodos, e, agora, abrange a análise sistemática das resistências, a análise do carácter e a orgonoterapia propriamente dita, saltando a vegetoterapia.

Posteriormente, o livro “Função do Orgasmo (II)”, que completa a análise do carácter, introduz a vegetoterapia e trata do encouraçamento da musculatura.

Até este período temos os livros “Irrupção da Moral Sexual”, “Materialismo Dialético”, “Revolução sexual”, “Experimentos Bioelétricos”, “Os Bions” e “Psicologia de Massa do Fascismo”, que completam a análise do carácter e a vegetoterapia.

O restante do material da vegetoterapia se encontra em artigos e revistas editados pelo próprio Reich.

Além disso, “Gente em Sofri­mento”, que traz novas investigações sociológicas e modificações em seu posicionamento político (Aqui Reich muda seu posicionamento marxista para a democracia do trabalho).

Seu próximo livro sobre terapêutica foi “Biopatia do Câncer”, que trata da descoberta do orgone, da vegetoterapia orgonômica, da orgonoterapia médica e das bases da orgonoterapia, mas é anterior à parte da orgonoterapia que foi incluída no livro Análise do Carácter.

Completando o primeiro período da orgonomia, temos os livros: “Éter, Deus e o Diabo” (que corresponde ao pensamento filosófico de Reich e embasa a metodologia funcional ou pensamento funcional - funcionalismo orgonômico – que também foi ampliado com uma série de artigos); Superposição Cósmica” (sobre a cosmovisão Reichiana); “Escuta Zé ninguém” e “Assassinato de Cristo”, (sobre a peste emocional da humanidade); “Crianças do futuro” (sobre uma possível prevenção do desenvolvimento das neuroses das crianças).

Além disso, temos a física orgone e a biofísica orgone esparramadas entre livros e artigos de revista editados pelo próprio Reich que completam a primeira fase da orgonomia.

A segunda fase da orgonomia diferencia as funções da energia orgone em funções {Or.}. (direção vida, movi­mento, metabolismo) e funções {D. Or.} (direção morte, estagnação, transmutação).

Nesta segunda fase, temos o texto “Projeto Oranur”, o livro “Contacto com o Cosmo” (que trata de encouraçamento energético e introduz várias reformulações terapêuticas na orgonoterapia e orgonoterapia física, especialmente sobre o metabolismo energético no funcionamento da couraça, sobre a formação dos desertos e sobre o deserto emocional humano).

Desta fase da orgonomia, também existe uma quantidade de artigos sobre meteorologia orgonômica e funções pré-físicas e pré-químicas da natureza, que completam esse incompleto e incompreensível panorama.

Desta ultimas fase do trabalho de Reich se sabe muito pouco ou quase nada.
 

 

Sobre a Couraça.

[couraça]

Cabe aqui esclarecer o primeiro conceito básico da terapia Reichiana; sobre o qual, todo o resto está relacionado ou a ele se refere: a saber, a couraça (ou encouraçamento).

Todo organismo vivo responde a ações e agressões do mundo exterior fabricando um envoltório protetor, casca, membrana, pele, pêlos, couraça: processo vital e universal de adaptação biológica. Esse processo de defesa apresenta dois aspectos, formação de uma envoltura protetora e enquistamento ou endurecimento seguido de encerro que diminui a mobilidade e a vitalidade preservando as funções vitais.

De acordo com o que compreendemos de Reich, nos seres humanos, este processo de se defender formando uma couraça toma outra direção; abarca não só o funcionamento biológico específico; mas também toda a unidade corporal (incluindo o sistema nervoso autônomo; a tonicidade muscular; as posturas corporais; o funcionamento emocional corporal; e muitas vezes os órgãos internos); e a unidade perceptiva (psíquica, comportamentos, atitudes, pensamentos, sensações, sentimentos e a personalidade em geral); montando assim uma unidade que Reich denominou de couraça do caráter; que significa um conjunto de fenômenos atuando de forma automática, padronizada ou rígida que não toma em consideração as diferenças do meio; isto é, que já não se regula ou se gradua de acordo com o meio, mas sim que funciona do mesmo jeito em todos os casos.  A novidade aqui é que os mecanismos de defesas, além de se tornarem historicamente determinados, atuam para dentro e para fora; isto é, o homem não usa sua couraça somente para se defender das agressões do mundo, mas de todo e qualquer tipo de ação ou afeto, tanto do mundo exterior como do mundo interior, isto é, o homem defendendo-se de si-mesmo. Sendo que a situação central sobre a qual todas estas defesas são construídas, e, ao mesmo tempo, que se transforma no alvo das defesas, isto é, aquilo que as defesas estão protegendo e defendendo; é o funcionamento espontâneo e biológico da entrega, ao prazer, e de suas manifestações mais primitivas como a convulsão orgástica, que deveria acompanhar o orgasmo. Esta couraça ou este encouraçamento, de acordo com o desenvolvimento do homem, vai se diferenciando por tipos, ou por esteriotipos; que se encerram em um tipo de organização que marca os limites do funcionamento da pessoa; isto é, que vão criando e compondo situação, sensações, sentimentos, emoções e pensamentos e aglomerando num bloco de funcionamento que apaga ou desaparece com aquilo que está proibido para este tipo e estimula e incentiva aquilo que está permitido para este tipo. O primeiro resultado do encouraçamento é bloquear o livre funcionamento da vida, o que resulta num acúmulo de energia interna, que é experienciada com angústia e a primeira função da couraça é consumir está angústia.

Veja que o conceito vai passando por modificações qualitativas dependendo do domínio onde atua; como por exemplo, couraça caracterológica para o encouraçamento do carácter e para a couraça psíquica (que envolve os traços de carácter); couraça muscular para o domínio corporal e da musculatura; couraça central, couraça de órgão, couraça do biossistema, para a atuação da couraça nas profundidades do organismo; e couraça energética para o encouraçamento do campo atmosférica e para o encouraçamento energético na base do biossistema. Além disto, a Arte Org coloca mais um tipo de encouraçamento; a couraça de campo para se referir ao encouraçamento presente no funcionamento virtual (que combina a couraça do campo real; com o encouraçamento perceptivo interagindo com as percepções de campo, incluindo o campo sobreposto ou campo virtual).

Veja também:

Foco, processo e procedimento terapêutico centrado nas defesas (análise do caráter).

O que mesmo Reich dizia ou não dizia?

Sobre o encouraçamento do campo energético.

Sobre o encouraçamento do campo e a sobreexcitação nos virtuais.

Sobre a origem e a preservação da couraça.

[couraça_origem]

Como isto nós chegamos a um ponto crucial, quem foi o infeliz que teve a brilhante idéia de começar esta epidemia de encouraçados?

Na superfície do funcionamento do carácter, é muito claro que o responsável pelo encouraçamento do homem é a sociedade com sua cultura rígida (crônica, neurótica e pestilenta) a responsável pelo encouraçamento dos homens individuais, que vão se traumatizando conforme vão estabelecendo relação com esta infernal cultura. Mas, quanto mais vamos se distanciando da superfície do funcionamento do carácter e vamos aprofundando a compreensão do funcionamento do encouraçamento muscular, mais ficamos com a impressão que temos um duende solto no corpo coordenando e construindo as bases do encouraçamento.

Porém; Reich não gostava muito desta história de duendes; para ele era o próprio encouraçamento quem mantinhas as rédeas da organização neurótica do funcionamento humano. Outra coisa bem diferente são as dificuldades que vamos encontrando para compreender como isto opera principalmente quando as funções envolvidas são somente modificações da própria organização natural do funcionamento humano; isto é; o fenômeno do encouraçamento estava dentro do âmbito natural do funcionamento humano.

Inicialmente Reich acreditava que os impulsos perversos destruidores da vida incluindo o ódio, a peste e o instinto de morte, eram impulsos secundários criados pelo encouraçamento e não eram inerentes ao ser humano e que o encouraçamento crônico tinha se originado na espécie humana junto com as tribos patriarcais. Em seu livro irrupção da moral sexual no período da análise do carácter ele segue os passos de Bronislaw Malinowski em sua investigação das sociedades matriarcais das ilhas de Trobiand aonde simplesmente a sintomatologia neurótica tinha ficado nas ilhas vizinhas, e de acordo com ele, isto era conseqüência de uma sociedade auto regulada e sexualmente permissiva.

No primeiro período da orgonomia Reich propõe que o encouraçamento crônico (eu acho que decorrente de suas investigações da relação entre autopercepção e consciência) tinha surgido junto com a consciência do homem de si-mesmo. O que significa que em algum momento do homo sapiens ou entre o homo erectus e o homo sapiens; o desenvolvimento da espécie humana recebeu um incremento de energia ampliando a consciência primitiva que tinha de si mesmo e do mundo; sendo que o homem voltou-se para si-mesmo e o que ele percebeu o assustou tanto que o seu próprio fluir sensorial e energético ficou perigoso, sendo assim que o homem se viu obrigado a usar seu sistema de defesa contra suas próprias percepções e sensações.

Já no segundo período da orgonomia, com a descoberta de inter-relação entre a energia orgone {Or.} e a energia orgone mortal {D. Or.} e com a descoberta do encouraçamento energético, Reich descobriu e postulou que a energia {D. Or.} também estava envolvida com a origem encouraçamento humano, seja precipitando o encouraçamento ou sendo o produto da energia estagnada pelo encouraçamento.

Se o homo sapiens teve a sorte de andar passeado pelo planeta justamente por uma destas regiões que se transformou de selva a deserto (ou de selva a gelo) é bem provável que ele tenha saído de lá depois de alguns séculos encouraçado, fazendo parte de uma sociedade patriarcal e com pavor de si-mesmo.

Com as descobertas mais atuais a respeitos dos macacos bonobos e sua estrutura social mais matriarcal inclusive com uma forma de relação sexual amistosa e livre, (com relações sexuais freqüentes embora as fêmeas só procriem de seis em seis anos); e, os chipanzés com uma estrutura social mais patriarcal, com indivíduos mais violentos e hierárquicos inclusive sexualmente; o panorama antropológico do início e desenvolvimento da couraça crônica volta a se complicar ou se ampliar, pois coloca a questão anterior ao marco do homo sapiens.

Porém, uma coisa nestas alturas dos acontecimentos está clara, a vida neste nosso planeta podia e pode ser diferente e o encouraçamento crônico com seus anjos e demônios não é uma condição “sine qua non” do desenvolvimento humano.

Outra coisa bem diferente é como os diferentes tipos de encouraçamento vêm sendo perpetuados e reproduzidos. É difícil imaginar um bebê no útero materno ou recém nascido com pavor da consciência de si mesmo, mas posso imaginar um bebê não suporte a excitação movendo-se no seu corpo simplesmente porque ele não tem respaldo do contacto do meio para isto; como posso imaginar que exista uma diferença entre perceber a excitação movendo-se no corpo desde a autopercepção (recém nascido), e logo depois com o desenvolvimento da consciência (primeiros meses de vida); como posso imaginar que tanto o excesso de carga como uma falta de carga ou mesmo uma carga sobreexcitada podem precipitar um mesmo bloqueio.

Eu aqui escrevendo, pensando e me perguntando como o homem pode se assustar tanto com a consciência de si-mesmo é uma coisa; agora, solta a carga e o contacto dentro de mim fluindo com a força que corresponde que eu vou reagir com pavor de mim mesmo no exato instante; e, não tem quem me convença a não usar todas as possibilidades que eu tenho para parar este troço.

O que significa dizer que: a forma com que o encouraçamento crônico começou; a forma com que ele foi se alastrando e se desenvolvendo; e as formas usadas para perpetuar os diferentes encouraçamentos são três questões diferentes; sendo que para mim, a primeira e a segunda delas é como a história do desaparecimento dos dinossauros no planeta terra, ocorreu e ainda ninguém sabe muito bem como. Quanto às formas de se perpetuar o encouraçamento só não sabemos ainda da forma genética, pois das outras já da para escrever bem mais de um livro.

Mesmo que estas três questões estivessem claras, ainda resta uma quarta, e esta sim é mais complexa do que as três questões anteriores, e que trata justamente do como desencouraçar um indivíduo hoje; definitivamente são outros quinhentos.

De tudo isto, uma coisa me ficou clara, temos vários níveis de consciência de si mesmo, quase tantas que eu me arriscaria a dizer que cada tipo de encouraçamento coloca um tope, um limite para a consciência que o encouraçado tem dele mesmo. E saltar de um nível de consciência de si para outro, sem ser acompanhado do correspondente desencouraçamento não é bom negócio.

Dizia Reich que o homem não estava doente porque perdeu sua capacidade biofísica de dizer SIM; más sim porque tem um NÃO instalado por dentro, um NÃO BIOFÍSICO, que acompanha seu encouraçamento do início ao fim. Porque está biofisicamente incapacitado por sua couraça para entregar-se. E para chegar à entrega biofísica era necessário um árduo, perigoso e sistemático trabalho flexibilizando o encouraçamento e passando por todas as tempestades emocionais havidas e por haver; e, que mesmo assim, no final, o que estava em jogo era a capacidade biofísica de cada indivíduo e isto estava fora das possibilidades reais da terapia e do processo terapêutico, pois dependia do indivíduo e de sua capacidade organísmica. Isto é; no final era a capacidade do indivíduo lidar com sua própria carga e com sua vitalidade que determinava a questão se ele podia viver a vida com um encouraçamento flexível ou não.

Deste ponto de vista uma coisa era ir descobrindo e fazendo postulações sobre a origem do encouraçamento humano; outra bem diferente era lidar com o desencouraçamento do homem. O que significa dizer que nas profundidades do desencouraçamento da couraça humana não importava de quem era a culpa; mas sim a forma como cada um se mostra capaz ou não para suportar seu próprio sim ou sua própria entrega com suas correspondentes manifestações. E isto evidentemente não era uma questão decidida pela consciência; pois aqui o encouraçamento já tinha mudado de domínio para o universo do corpo muito além da linguagem. Aqui novamente a mesma questão; quando entramos no universo da entrega a consciência somente pode ceder ou não para as demais ocorrências biofísicas; sendo que estas demais ocorrências já fazem parte das expressões mais profundas, e estão relacionadas e amarradas na própria organização do biossistema. O que também significa dizer que se o encouraçamento era precipitado pela consciência ele alcança e se escondia em níveis mais profundos do funcionamento humano; fora do alcance da própria consciência.

Também não encontramos nenhuma frase do Reich receitando relações sexuais como “metas” ou remédio para sair da posição neurótica, ou como receita para chegar a alcançar o “status” de organismo sadio. Pelo contrário, ele estava cansado de saber que era uma questão de entrega biofísica e não de metas ou propósitos.

As terapias desenvolvidas por Reich (análise das resistências, análise do caráter, vegetoterapia caráctero analítica, orgonoterapia) são diferentes métodos para flexibilizar a couraça.

 

Foco, processo e procedimento terapêutico centrado nas defesas (análise do caráter).

[defesa]

O Elemento central que caracteriza a orgonoterapia de Reich é manter o foco do processo terapêutico nos procedimentos defensivos.

Para Reich, o caminho de investigação do funcionamento humano e dos procedimentos terapêuticos propostos para lidar com este funcionamento deveria nascer da observação e do trabalho com as defesas do ser humano em questão. Sendo o próprio funcionamento defensivo quem deveria estratificar e graduar o processo terapêutico e este deveria acompanhar a estratificação deste funcionamento defensivo.

Dito de outra maneira, de acordo com Reich; toda patologia emocional humana era a expressão de um conjunto de funcionamentos defensivos que se transformavam em crônicos, rígidos e repetitivos; que se manifestavam tanto como uma estrutura de funcionamento global, expressão de uma couraça generalizada; como se manifestam em conjuntos de funções específicas, em diferentes tipos de comportamentos individualizados; expressões de couraças específicas.

Como exemplos de um trabalho centrado nas defesas nós temos a antiga análise do caráter desenvolvida por Reich.

Agora; o conceito de defesa combinado com o conceito de couraça não é nem fixo e nem rígido; e não se refere aos elementos em si mesmos; uma vez que aquilo que é defesa em determinada circunstância é contacto em outra. É exatamente isto o que se propõe a estratificação das defesas da couraça; ou seja, encontrar a força de contacto substituto dos procedimentos defensivos e logo encontrar a força do contacto natural por baixo do contacto substituto.
 

 

Análise do carácter.

[caráctero_análise]

A análise do caráter é um modelo terapêutico do universo da linguagem, do domínio psíquico, que nasceu diretamente da psicanálise, com ferramentas psicanalíticas, onde o paciente falava e o terapeuta interpretava.

Em termos bem simples, o modelo psicanalítico “propunha” que o paciente devia se entregar a seu mundo psíquico inconsciente através de associações livres, as quais ele devia não controlar com seus pensamentos.

As defesas, neste caso, eram chamadas de resistências que o paciente erguia contra este livre fluir das associações. O terapeuta lidava com esta situação com dois tipos de interpretações; as de conteúdo, que eram direcionadas aos elementos que estavam sendo contidos pelas resistências, os quais o terapeuta devia adivinhar de alguma maneira, e dar um sentido para eles; e as interpretações de resistências que eram direcionadas a colocar em pauta a resistência em questão, direcionadas para trazer a luz da consciência a própria resistência, que também eram chamadas de interpretações de forma.

Reich começou seu caminho terapêutico pela análise sistemática das resistências, se dedicando às interpretações de forma, descrevia sistematicamente a forma que a pessoa estava usando como resistência. Este procedimento trousse à tona os traços de caráter, isto é, as resistências mudaram de simples barreiras contra o associar livremente para se constituir em maneiras de comportamento, maneiras de estar, o como, o jeitão de cada um.

O método foi chamado de análise do caráter; com ele Reich deixou de usar as associações livres para conversar diretamente com a pessoa; retirou o divã da sala de atendimento, ou melhor, do método terapêutico, para permitir ou “pedir” para que a pessoa ficasse como ela quisesse, seja sentada, em pé, andando de um lado para o outro, seja agachada ou deitada; e, ele também retirou do seu modelo de trabalho as interpretações de conteúdos.

A forma de abordar estas defesas ou traços de comportamento era pelo seu aspecto formal, isto é pelo seu como, seu “modus operandi” e não pelos seus conteúdos.

Se as defesas fossem gradativamente e sistematicamente flexibilizadas (e veja bem, dizemos flexibilizar e não derrubar ou eliminar), elas iam revelando naturalmente os correspondentes conteúdos (sejam emoções, sentimentos, impulsos ou pensamentos) contidos ou bloqueados pelo comportamento.

Os pacientes deviam chegar aos diferentes conteúdos guardados por flexibilizar seu comportamento e por si mesmos, e, para isto, eles deviam se tornar conscientes de seu comportamento, entrando em contacto com sua forma de se comportar, isto é, o comportamento também podia estar ou acontecer de forma automática e inconsciente.

Reich nunca disse que os tais conteúdos não eram importantes, mas sim que a forma de chegar até eles de forma estratificada aprofundando o processo terapêutico em direção ao mundo emocional era através das defesas de forma.

O próximo passo dado por Reich foi separar os sintomas dos traços.

Os sintomas eram elementos isolados, que escapavam da estrutura do comportamento, que apareciam como entes indesejados, incômodos (ego distônicos), e os traços de comportamento era a expressão da própria forma de ser da pessoa, a qual ela admirava ou que por isto era admirada (egossintônicos). A presença dos sintomas indicava que o bloco da estrutura de comportamento estava se desorganizando, ou que não tinha se formado completamente.
 

 

A descoberta da terapia corporal (Vegetoterapia caráctero analítica).

[vegetoterapia]

Outro elemento central da metodologia Reichiana, pelo qual Reich foi denominado como sendo o pai das terapias corporais no ocidente, foi sua descoberta da couraça corporal. O encouraçamento não correspondia somente ao funcionamento psíquico, mas era também corporal.

O fato de precisar estar observando todo o tempo à forma de comportar-se das pessoas na análise do caráter, em conjunto com o desenvolvimento do processo terapêutico, foi colocando o “corpo” das pessoas cada vez mais presente na terapia. Isto é, as reações emocionais que iam aparecendo no decorrer da análise do caráter foram fazendo com que o corpo participasse cada dia mais do processo terapêutico. As diferentes tonicidades da musculatura envolvidas nas contenções emocionais mais profundas, as reações vegetativas presentes nas reações emocionais, e as defesas mais profundas do caráter, levaram Reich a colocar a atenção mais detalhadamente nas formas de defesas que apareciam no corpo.

E outra vez, das reações vegetativas globais aos músculos ou grupos de músculos em especial, e destes até as posturas corporais e estava descoberta do encouraçamento muscular. Isto é, a couraça caracterológica apresentava um par correspondente, uma identidade no corpo, que Reich chamou de couraça muscular.

O melhor exemplo de um trabalho centrado nas defesas musculares é a Vegetoterapia caráctero analítica desenvolvida pelo próprio Reich.

Para lidar com este encouraçamento muscular, Reich desenvolveu um outro método de trabalho que denominou vegetoterapia caráctero analítica.

E por favor, está tal vegetoterapia não tinha exercícios padronizados, e nem massagens deste tipo ou daquele tipo. Também estava centrada nas defesas, na forma de se defender, portanto tinha posturas corporais que iam aparecendo e sendo interpretadas.

Reich, para trabalhar com estas defesas, pedia que as pessoas repetissem ou imitassem estas posturas com mais força. Isto é, Reich não pedia que a pessoa chorasse, mas sim que contivesse o choro com mais força. É assim que ia aparecendo à forma que a pessoa estava contendo o chorar mesclada com seu choro.

Reich não pedia que a pessoa golpeasse para expressar sua raiva, mas sim que aumentasse a força e o gesto que estava fazendo, que por sinal era a contenção da raiva e a raiva ia aumentando e a necessidade de fazer alguma coisa com ela também, e isto podia ser inclusive dar golpes. E quando Reich pedia para que a pessoa golpeasse era porque ela estava contendo um medo e um choro muito mais profundo com seus golpes.
 

 

Sobre a orgonomia e a orgonoterapia.

[orgonomia_orgonoterapia]; [orgonomia], [orgonoterapia].

A orgonomia é ciência que se dedica a investigar as funções e manifestações, na natureza em geral, da energia orgone cósmica. Ela foi criada e desenvolvida por Wilhelm Reich como um ramo da assim chamada ciência natural.

Um orgonomista, então, seria um investigador do funcionamento da energia cósmica, o orgone, também descoberto por Wilhelm Reich.

O termo orgonoterapia foi inventado por Wilhelm Reich para designar um método de investigação e um procedimento terapêutico que está enraizado na orgonomia. Ele utiliza como método os recursos do funcionalismo orgonômico (pensamento funcional) e como procedimento os recursos desenvolvidos a partir do funcionamento orgonótico da energia orgone na natureza e nos processos vivos, e, engloba elementos da análise do carácter e da vegetoterapia.

A orgonoterapia como escola tem áreas especializadas como a orgonoterapia vegetoterapêutica tal qual aplicada por Reich no primeiro período da orgonomia; como a orgonoterapia funcional tal qual enunciada por Reich no segundo período da orgonomia; como a orgonoterapia médica quando lidando diretamente com doenças de comprometimento orgânico como a biopatia do câncer; como a orgonoterapia psiquiátrica quando lidando com doenças de comprometimento organísmico como a biopatia esquizofrênica; como orgonoterapia física quando utiliza recursos da física e da biofísica orgone como procedimento terapêutico; como a orgonoterapia infantil quando lidando com a prevenção e a profilaxia das neuroses e das biopatias em crianças e adolescentes ou quando atuando como procedimento terapêutico em distúrbios orgonóticos em crianças e adolescentes.
 

 

Sobre o orgone.

[orgone]

O orgone cósmico se manifesta no vivo como energia livre de massa, como energia vital (energia ligada ao plasma) e como bioenergia (energia criada pelas células do organismo).

Conceitualmente, o orgone se aproxima do Éter (dos vitalistas), porém, diferente deste em sua praticidade, e conceitualmente diferente da energia atômica ou elétrica, porém semelhante a esta em sua praticidade.

O princípio da existência uma força etérea na natureza é um conceito muito antigo que aparece desde os gregos como sendo a alma; depois como sendo o éter (dos vitalistas), um meio elástico etéreo e hipotético no qual se propagariam os outros tipos de energias (eletromagnéticas) e mesmo o ar; e, logo como elã vital, força vital, impulso vital de natureza imaterial, diferente das forças físicas ou interações fisioquímicas conhecidas; contraposto e negado pelo mecanicismo que nunca encontrou provas de sua existência. O conceito reapareceu na atualidade como sendo a quinta força e logo como sendo as propriedades da imensidão escura do cosmos ou o escuro cósmico.

Tal qual o conceito de alma (anima, ou spiritu), com tempo foi deixando de significar o sopro, a inspiração e a expiração, o sentimento, o entusiasmo, arrebatamento, a fonte da vida, da vitalidade, da ação; ou mesmo a parte incorpórea, inteligente, o pensamento, a mente, a personalidade, a psique; ou filosoficamente falando, o conjunto formado por todas as atividades características da vida (pensamento, afetividade, sensibilidade etc.) compreendidas como manifestações de uma substância autônoma ou parcialmente autônoma em relação à materialidade do corpo. Para ir se transformando; pelo lado materialista e mecanicista, numa suposta consciência pensante em sua dimensão psicológica, orgânica ou neuronial, destituída desta tal substância autônoma imaterial; e, pelo lado místico, numa suposta entidade superior que transcende a matéria ou numa suposta entidade imaterial que pertence a uma ordem sobrenatural ou num suposto princípio espiritual do homem concebido como separável do corpo e imortal. O conceito de éter também foi se desgastando e se dessecando pelo tempo, pela rigidez da estrutura do pensamento e da linguagem humana e pelo materialismo mecanicista sendo hoje, para nós, etéreo e impalpável.

A energia elétrica (atômica ou corrente eletrônica) é cientificamente e praticamente palpável, aparece como um subproduto energético dividido em polaridades, enraizada numa hipótese invisível (teoria atômica) onde conhecemos o elétron por hipótese, e que faz funcionar um mundo de aparelhos eletros domésticos e guerras atômicas.

Na verdade aqui temos um pasticho e um pastifício, uma mescolância que fundiu todos os diferentes conceitos e formas de energia elétrica: Começando com mesclar a energia eletrostática da atmosfera com a energia dos seres vivos; logo com a energia das pilhas e baterias, do eletromagnetismo com as criadas pelo homem como as geradas em bobinas, em usinas, em reatores nucleares; sendo que agora temos uma só coisa que é chamada de energia elétrica.

A energia orgone entra na categoria das energias que pode ser cientificamente investigada e, portanto cientificamente palpável.

O orgone é uma energia unitária; que se manifesta em vários domínios, no cosmos, na matéria inerte e na vida; move-se por si mesmo e se modifica quantitativamente e qualitativamente; é reconhecido sensorialmente, se encontra enraizada na hipótese do funcionamento emocional, onde o conhecemos por sensações; pode ser encontrado no cosmos, na atmosfera de nosso planeta, na vida aonde faz funcionar este mundo quase infinito de células vivas. Também pode ser encontrado na matéria inerte. Do ponto de vista funcional, o orgone apresenta propriedades quantitativas e qualitativas, se diferencia e se especifica e toma diferentes direções; sendo que em algumas condições se apresenta como única e unitária; em outras condições com propriedades divergentes e antagônicas; em outras com propriedades paralelas; e, em outras com propriedades antitéticas como é o caso da expansão e da contração, do pulso e da onda, das funções {Or.} e {D. Or.}; e, mesmo assim, continua sendo um eterno desconhecido.

Em outras palavras, do ponto de vista da orgonomia, algumas funções e percepções da energia orgone foram denominadas por Éter pelos vitalistas; por cargas eletrostáticas pelos atomicistas; por anima, alma, espírito, sopro divino, pelos místicos e religiosos; de força vital pelos filósofos e biólogos alternativos; de força espiritual pelos metafísicos; e, de forças pelos esquizofrênicos.

Por outro lado, a energia orgone se diferencia em outras de suas funções, de todos esses conceitos e percepções, e nem tudo que é descrito por estas diferentes compreensões, cabe nas descrições do funcionamento da energia orgone cósmica.

De acordo com nossos dicionários: Vácuo:
Que não contém nada; oco, despejado, absolutamente vazio. 
Espaço, imaginário ou real, não ocupado por coisa (matéria) alguma; lacuna; vão; vacuidade; vaziez espacial. Espaço ou ambiente o mais esvaziado possível da matéria que continha (p.ex., o ar) através de qualquer meio artificial (p.ex. uma bomba exaustora). Qualquer situação ou estado que lembre um vazio, sentimento de esvaziamento espiritual, mental.
Rubrica filosófica: O espaço vazio que os atomistas gregos acreditavam haver entre os corpos celestes. Vacuísmo. Concepção teórica inerente ao atomismo de Demócrito (460-370 a.C.), contestada por diversos sistemas filosóficos e corroborada finalmente pela ciência moderna, que admite a existência do vácuo, a
ausência absoluta da matéria, na natureza.
Rubrica física: Pressão inferior à pressão atmosférica. Região espacial que não contém matéria [Na prática, é uma região de gás muito rarefeito e de baixíssima pressão.] para a teoria quântica dos campos, o estado de menor energia.

Na física orgone Reich usou uma lâmpada vacor para comprovar a hipótese de que a energia orgone era um contínuo de energia. E mais, transformou está lâmpada num medidor dos diferentes estados de excitação da energia na atmosfera.
 

 

Sobre o campo orgone e suas funções (onda e pulso).

[campo_orgone]

Para Reich, o conceito de campo energético vinha junto com o conceito de energia. E mais, estes dois conceitos, orgone e campo de energia orgone estavam presentes tanto no funcionamento da energia livre de massa, como no funcionamento da energia ligada à matéria, e logicamente na energia ligado à matéria viva, ao plasma.

O princípio é bem simples; uma unidade de energia orgone livre de massa se manifesta como sendo uma vesícula de energia; e esta apresenta como uma unidade duas concentrações energéticas, uma mais compacta e central e outra mais diluída (seu campo pessoal) que permeia tanto o espaço central como passa além dele; ainda que, uma vesícula energética não apresenta nada que possa ser caracterizado como sendo uma membrana; mas apresenta dois limites espaciais; um que separa a parte interna mais concentrada; e outro que separa a parte externa do seu meio. Já nos organismos vivos, como numa célula sanguínea, este campo que passa do limite da membrana aparece de forma mais clara e é azulado.

Quando se pensa em termos de funções, a primeira coisa que nos ocorre é que função se trata das propriedades que são inerentes ao um determinado elemento ou sistema. E aqui temos dois elementos, o campo como uma grande porção de energia orgone e a vesícula como uma pequena porção deste campo. Neste caso devemos encontrar as propriedades que são comuns a estes dois elementos. O segundo coisa importante é poder diferenciar quando uma determinada propriedade está ficando mais abrangente ou mais específica, apesar de que, propriedades funcionais do domínio energético são; por natureza, abrangentes, mesmo assim devemos poder identificar quem é mais abrangente se as funções energéticas do campo ou se a as funções energéticas de uma vesícula de energia.

A mesma vesícula apresenta dois tipos de movimentos autônomos, isto é que nasce de si mesmo ou que não são induzidos externamente. Um que se caracteriza como sendo um pulso, hora se expande e hora se contrai. E outro que se caracteriza como sendo uma onda circular para frente, a vesícula se desloca pelo meio, de um lugar a outro de forma espiralada. Não é que hora a vesícula pulsa e hora a vesícula se move em ondas de forma circular para frente, os dois movimentos ocorrem juntos e de certa forma um é independente do outro. Isto é, uma vesícula de energia se move por si mesma e este movimento se manifesta de duas maneiras, o que significa que eles são decorrências de duas propriedades da própria energia, o de se mover pulsando e o de se mover na forma de ondas.

Agora, uma vesícula não é eterna, pelo contrário, ela tem um ciclo bastante curto onde se mantém como uma unidade, e surge do meio e se dilui no meio. Portanto, a vesícula de energia apresenta uma outra propriedade, a de se manter coesa, como uma unidade, por um determinado tempo.

O que significa que estas propriedades, de forma mais abrangentes, são inerentes também para o campo de energia. Isto é, o campo internamente modifica a concentração (densidade) de suas partes, com um todo ou como partes ou regiões se expande e se contrai; desloca-se pela superfície do planeta tal qual uma nuvem; às vezes se movem de forma literalmente espiralada como nos furacões e apresentam certas características de coesão e dissociação.

Outras propriedades observadas nas vesículas de energia em regiões de mais concentração energéticas como nos acumuladores de orgone e que algumas delas tendem a se sobrepor na forma da superposição, se juntando e se fundindo logo se diluindo novamente no todo. E quando se aproximam mudam o ritmo de suas pulsações isto é se excitam mutuamente o que coloca mais seis funções a de excitação com atração e repulsão e a de sobreposição com fusão e diluição e estas também são observadas no campo.

Esta simples frase que a vesícula de energia surge do meio e volta a se diluir no meio coloca metade dos conceitos correntes da ciência mecânica de ponta cabeça; pelo menos no domínio energético, o “todo” aqui não é um conjunto compacto das partes ou de moléculas atômicas com seus elétrons; mas sim ele se modifica; expande-se e se dilui; contrai-se e se concentra; mantém-se como uma unidade e sai se movendo pelo meio do “todo”. O outro salto aqui permitido pelo pensamento funcional desenvolvido por Reich esta na simples pareação de duas funções com é o caso do pulso com expansão e contração (excitação) e da onda com sobreposição e fusão (movimento) numa unidade funcional.

O que significa que as mesmas propriedades encontradas nas vesículas de energia são válidas para o campo energético; somente que em concentração, composição, densidade, qualidade e momento tempo espacial diferente das vesículas; o que nos diz que a vesícula de energia é um desenvolvimento do campo orgone.

Para Reich, o passo de uma vesícula de energia orgone para um bion, como a menor unidade viva, é somente mais um passo do desenvolvimento onde o meio, agora aquoso permite a formação de uma concentração de plasma e uma membrana com características mais materiais, o que significa que as funções se especificam mais e se dividem ou se diferenciam. Por exemplo, o mesmo movimento energético limitado pela membrana agora se da levando o plasmo consigo o que vai modelando a forma externa do redondo (que expande e se contrai) para a forma do orgonome (feijão) da sobreposição e o movimento no espaço também vai se diversificando seguindo o padrão das ondas e dos pulsos.

E para terminar esta questão das propriedades do campo energético não podemos nos esquecer a capacidade de se encouraçar e desencouraçar dependendo das condições do meio, que vem desde o campo energético para se dividir e se especificar nos organismos vivos.

E assim voltamos às propriedades do campo orgone e neste momento já estamos falando desde pequenos lugares ou unidades específicas, limitadas ou não por uma membrana material que apresentam um campo próprio, passando pelos campos dos lugares que também tem um campo energético, até o entorno energético do planeta terra como um grande campo do lugar. Que como unidade também tem um campo que se limita do espaço exterior. Sendo que o espaço exterior também tem propriedades de campo, o campo cósmico ou campo do infinito.

E onde temos campo orgone temos energia orgone, em diferentes estados e diferentes concentrações. Agora, uma vesícula energética com sua concentração e seu brilho, pulsa e se desloca pelo espaço como uma unidade. Uma vesícula viva, com seu corpo, sua massa (plasma) pulsam e se deslocam pelo espaço juntos, integrados, como uma unidade. Sendo que a matéria inerte, nem se move a partir de si mesma, nem seu campo pulsa de forma integrada com sua matéria, e até onde sabemos, não apresenta esta particularidade chamada percepção.

No caso dos seres vivos, esse campo de energia apesar de ser livre de massa e autônomo, não é, de maneira nenhuma, independente da massa. No núcleo biológico ambos constituem uma unidade que se manifesta como uma identidade. Isto é, se morre a carne acabou-se o campo enquanto tal; e, se o campo se desorganiza a cerne “enlouquece”, se deteriora.

Resumidamente chamamos estas peculiaridades do entorno energético da energia orgone também de funções de campo da energia orgone.

Do ponto de vista energético; seja para a menor das vesículas ou a mais básica das unidades energéticas; seja para um bion como a menor das unidades vivas; seja para um organismo unicelular, para um elefante ou para uma baleia; para um homem ou para todo o planeta; a forma de composição dos campos continua igual; isto é, temos um sistema permeado por um campo de energia, o campo próprio; um lugar por onde se move este sistema também permeado por seu campo de energia, o campo do lugar ou o campo de muitos lugares; e um campo mais amplo também permeado por seu próprio campo de energia que passa dos limites do campo ou dos campos dos lugares; para se constituir no campo do infinito ou o campo cósmico.

Para os interessados vejam os livros Biopatia do Câncer, Éter, Deus e o diabo e Superposição cósmica, todos de Wilhelm Reich.

O funcionamento virtual (com sua entrada nas funções difusas através da ausência e seu retorno para si-mesmo através da sobreexcitação de campo) ampliou e amplificou as funções que se relacionam ao campo; ou que são nomeadas como funções de campo para todos os lados, inclusive os campos sobrepostos; e acabamos ficando com muitos tipos de campos diferentes para um mesmo conceito; com isto, achamos melhor tratar o conceito de campo como um tema à parte.
 

 

Sobre o {Or.} de orgone.

[energia_or]

{Or.}. É a sigla do orgone e orgone é a energia orgone primordial de características cósmicas, presente no cosmos, no planeta e na vida, e que simplesmente es­tava por trás de todo funciona­mento vivo, portanto ai estava à energia que movia a vida e se movia no vivo, portanto que se movia também nas emoções. Porém, em termos de desenvolvimento histórico se deu de forma invertida; foi à pergunta qual a energia que se movia nas emoções humanas que levou Reich ao território biológico e desta a descoberta do orgone e deste a descoberta de que o orgone era uma energia livre de massa presente em todos os lugares inclusive no cosmos.
 

 

Sobre a Energia Orgone Mortal {D. Or.}. (Deadly orgone).

[energia_dor].

{D. Or.} É a sigla de “Deadly Orgone” ou Orgone Mortal; e foi como Reich denominou o estado da energia orgone; ou uma modificação na qualidade da energia orgone; quando esta tem seu metabolismo alterado – com concentração, encapsulamento, paralisia da energia ou de um sistema energético; ou quando o metabolismo energético está direcionado para a formação da matéria, ou da deterioração ou desgaste dos processos vitais.

Em primeiro lugar se refere ao movimento da energia sobreexcitada em direção a matéria. Neste caso em direção ao corpo ou a terra. E segundo lugar ao enclausuramento material desta energia, e ai sim estamos falando de estagnação ou putrefação.
 

 

Sobre o encouraçamento do campo energético.

[encouraçamento_energético]

Sabemos como orgonomistas, que também o campo orgone tem seu ponto crítico. Ele também pode manter um estado por si-mesmo. O nome disso é encouraçamento energético (também descoberto por Reich) e tem a ver com as funções {Or.} ó {D. Or.}. O que significa que o campo energético ou campo orgone também tem a propriedade de encouraçar-se.

O campo orgone é extremamente dinâmico e se encontra em constante movimento. Compreendemos sua paralisia ou seu encouraçamento mais no sentido de manter uma direção de movimento do que de estar parado propriamente dito.

Para mantermos o campo orgone como couraça ele deveria estar, todo o tempo, encouraçando algo. Em termos orgonômicos este algo deveria ser uma fonte de irritação {D. Or.} ou o mesmo campo orgone irritado por esta fonte (sobreexcitação).

Isto implicaria numa fonte de irritação energética dentro ou fora do sistema que promove certa irritação no campo energético; e esta (o campo irritado, sobreexcitado) se amplia pelo campo (pessoal ou do lugar); sendo que o restante do campo orgone se vê obrigado a enclausurar o campo irritado, a contê-lo ou a direcioná-lo de alguma forma. Portanto, o que temos aqui, em primeiro lugar é um campo encouraçando outro campo. Sendo os dois campos da mesma natureza (orgone) a diferença entre eles é quantitativa e qualitativa; o que envolve quantidade de energia; direção de movimento; velocidade de movimento e vibração e freqüência.

Ocorre que mesmo o campo sobreexcitado ou irritado, inflamado, também atinge seu ponto crítico e neste caso a energia toma direção à matéria. E ao que parece o restante do campo não fica tranqüilo com isto não, ele segue atrás do campo alterado e continuo enclausurando-o; até que a energia alterada complete o seu metabolismo de alguma maneira.

Como exemplo do encouraçamento de campo orgone, nós temos o aquecimento global, os buracos na camada de ozônio, os estados alterados na meteorologia do planeta, a sobreexcitação.

O conceito foi usado na Arte Org para nomear o tipo de couraça usada no funcionamento virtual; por isto usaremos encouraçamento energético para nomear o encouraçamento proposto por Reich para os eventos atmosféricos (e para o encouraçamento na base do biossistema) e usaremos couraça de campo para os eventos virtuais (pois este envolve o campo de energia real; o campo perceptivo; as percepções de campo e as percepções de campos sobrepostas).

Veja também:

Sobre a sobreexcitação.
Sobre o Projeto Oranur; a sobreexcitação e o {D. Or.}.
Sobre as direções da energia orgone {Or.}. <=> {D. Or.}.
A doença {D. Or.} e os sintomas da sobreexcitação.
 

 

Sobre a sobreexcitação.

[sobreexcitação]

O fenômeno foi descoberto por Reich, junto com as investigações do projeto oranur e com a descoberta da doença {D. Or.}.

De acordo com nossos conhecimentos orgonômicos, a sobreexcitação era uma reação da energia organísmica a fortes fontes de irritação energéticas (radiação, indução eletrostática, etc.), e que interferia no próprio metabolismo energético do organismo.

O primeiro elemento, que a sobreexcitação altera é metabolismo bioenergético corporal (Tensão - Carga - Descarga - Relaxamento), principalmente na função descarga biofísica. Diante da sobreexcitação, as emoções não funcionam mais como descarga.

O segundo, a sobreexcitação altera as bases do funcionamento emocional. Aparece aqui a angústia quente. Isto é, enquanto as pessoas descrevem um estado de angústia, e, reagem de acordo com isto; seus campos energéticos funcionam construindo ou manifestando uma camada energética quente, na periferia corporal e para fora dela, o que modifica completamente o funcionamento da angústia corporal (para dentro, periferia fria).

O terceiro elemento é o metabolismo energético periférico (pele). Uma estranha secura vai tomando conta, passo a passo, da periferia como um todo, chegando a parar a capacidade de suar, e, quando não a para, o suor não funciona mais como descarga.

O quarto elemento é o próprio metabolismo energético, e se dá na própria direção sobreexcitação => {D. Or.} Em termos do biossistema reflete em alterações ácido-básicas. O organismo como um todo se afasta de sua posição pH neutro para grandes saltos em direção ao funcionamento básico e acido. 

Alem disso, e muito importante, a sobreexcitação não se refere à ansiedade ou a hiperatividade corporal ou perceptiva, muito pelo contrário, se parece com densidade, cansaço, irritação, picação, e, na maioria das vezes é acompanhada de um estado corporalmente largado. Também não envolve necessariamente um aumento de carga, pelo contrário, a concentração de carga é menor. O termo sobreexcitação se refere a um aumento da velocidade de movimento do campo energético que ultrapassa a capacidade de descargas de energia coligada a matéria (Ex: O chorar e o suor não descarregam mais).

O conceito de sobreexcitação é o mesmo tanto para o período orgonômico de Reich como para o funcionamento virtual proposto pela Arte Org. Mesmo assim, como a sobreexcitação está intimamente relacionada com a ressaca virtual, na Arte Org, quando se faz necessário estabelecer diferenciações, o termo usado para a sobreexcitação dos virtuais é sobreexcitação de campo.

Veja também:

Sobre o encouraçamento do campo energético.
Sobre o Projeto Oranur; a sobreexcitação e o {D. Or.}.
Sobre as direções da energia orgone {Or.}. <=> {D. Or.}.
A doença {D. Or.} e os sintomas da sobreexcitação.
 

 

Sobre o Projeto Oranur; a sobreexcitação e o {D. Or.}.

[sobreexcitação_dor]; [projeto_oranur].

Um dia o senhor Reich decidiu colocar o orgone brigando contra a energia radioativa (Projeto Oranur). E a coisa se complicou. Além de adoecer toda sua equipe ele descobriu a energia {D. Or.} Em minha língua orgone mortal.

A mesma energia orgone quando irritada, se punha furiosa, paralisava a atmosfera local, secava o ar, desaparecia com a umidade da atmosfera, transformava o metabolismo local, a chuva não descarregava mais, ficava esta bruma esbranquiçada e mesmo que chovesse, do alívio atmosférico, necas de pitibiriba. Simplesmente a chuva não cumpria mais sua função de descarga.

Gente. É quando chove e depois os passarinhos não cantam de felicidade. Mesmo chovendo a tensão continua; o barômetro não abaixa. Ou então como orgasmo sem descarga.

Quando se olha para o céu e este tem aquela densidade cinza, pesada, pegajosa, como se no céu tivesse um vermelho irritante que faz lacrimejar os olhos como se estes estivessem com areia. Como nesses dias, onde a poluição já passou do nível permitido e anda todo mundo irritado.

Ou então, como nestes dias que estamos tranqüilos trabalhando; e de repente entra um cliente com ataque de ressaca virtual; e a atmosfera da sala pesa e se põe densa, o ar fica rarefeito; e conforme a terapia vai andando a gente vai secando e a secura chegando começa a dar um sufoco; como se todo o nosso úmido afeto fosse se secando; e a gente não tivesse mais nada para dar; e quando termina o trabalho o único que queremos é uma sauna, ou então colocar o peito na terra úmida até este desespero passar.

As investigações de Reich feitas nas nuvens indicavam um movimento de energia sobre aquecida que era mais rápido do que a possibilidade de coligar a energia a matéria (água). A energia ficava dando volta sobre si mesma mais rápida do que a possibilidade de encontrar a saída, permanecendo enclausurada dentro da nuvem.

Além disto, a energia orgone periférica que agora era o próprio campo orgone em volta da nuvem formava uma parede energética (encouraçamento energético) mantendo a energia orgone irritada dentro da nuvem.

Suas principais conclusões dizem que não era somente a radiação que andava por ai. Era o próprio orgone quando em contacto com uma fonte radioativa se punha sobreexcitado e irritado. Além disto, o restante do campo orgone que não estava irritado montava um invólucro em volta da sobreexcitação enclausurando o orgone sobreexcitado.

Vejam o exemplo do chorar virtual, e chora e chora e nada de alívio.

Não sei por que eu tenho uma leve impressão de que estas nuvens do seu Reich eram muito parecidas com o funcionamento virtual.

Como era de se esperar (depois de várias décadas desencouraçando neuróticos) Reich acabou descobrindo uma maneira jeito de descarregar a atmosfera (de fazer terapia na atmosfera?) e; foi daí que surgiram os {D. Or.} Buster (Sugadores de {D. Or.}); e com isto mais uma fase na historio e no desenvolvimento da orgonomia.

Veja também:

Sobre o encouraçamento do campo energético.
Sobre a sobreexcitação.
Sobre as direções da energia orgone {Or.}. <=> {D. Or.}.
A doença {D. Or.} e os sintomas da sobreexcitação.
 

 

Sobre as direções da energia orgone {Or.}. <=> {D. Or.}.

[energia_or_dor]

 

Sem o movimento da energia orgone dentro da vida imprime um impulso de vida, portanto o {D. Or.} (como direção de movimento) dentro da vida deve ser o responsável pelo instinto de morte?

Todos nós sabemos que Reich passou a vida brigando contra este tal instinto de morte, e agora ele mesmo tinha descoberto sua natureza energética?

Momento, momento...

Uma coisa é que exista uma direção no vivo (ciclo da vida) que se dá em nascer, crescer e se desenvolver, decrescer, envelhecer e morrer, válida tanto para uma vesícula de energia orgone que surge do meio e volta a se diluir no meio, como para qualquer ser vivo; e, outra coisa muito diferente é que exista na vida ainda viva um desejo de morrer. De fato o organismo vivo convulsiona pela vida até seu último segundo de vida. De acordo com Reich o desejo de morrer não era um instinto primário, mas sim um impulso secundário nascido da couraça.

E, se o {D. Or.} não provocava por si mesmo o desejo de morrer, o que ele promovia quando estava metido dentro do organismo?

Em primeiro lugar ele podia promover a morte do organismo sim, afinal era chamado de {D. Or.} mortal. Em segundo lugar, se estava presente na formação da couraça, ele, de alguma forma, também participava da formação de todo e qualquer impulso secundário, das sensações e sentimentos (ou ausência de sentimentos) relacionados com a densidade, com a secura e com o deserto emocional, portanto participava do metabolismo emocional, das simples irritações até o sentimento de secura.

O que nos permite concluir que tanto o {Or.} como o {D. Or.}, participavam da organização do encouraçamento em geral e da organização e estratificação do funcionamento emocional em particular.

Também é importante esclarecer que neste caso; estamos falando do encouraçamento energético; sobre este temos o encouraçamento biofísico (encouraçamento central, de órgãos); e sobre este temos o encouraçamento muscular e o encouraçamento caracterológico, portanto, os processos {Or.} <=> {D. Or.} são processos subjacentes, que atuam na profundidade organísmica e que o desencouraçamento também coloca estes processos em movimentos.

As investigações de Reich da energia {D. Or.}, em física orgone, biofísica orgone e química orgone o levaram a concluir que a direção {D. Or.} sempre es­teve presente nos processos vitais. Além do mais, as direções ácidas básicas remontam ao metabolismo {D. Or.} E a direção neutra (pH neutro) ao metabolismo {Or.}. O {D. Or.} dentro do organismo se manifesta nas reações básicas e ácidas. Basta se lembrar da saúde do xixi ácido.

Em termos energéticos a couraça nada mais é do que enclausuramento de energia, isto é energia {Or.} enclausurada = energia estagnada, isto é {D. Or.}.

Já colocamos anteriormente que o princípio da vida está na identidade entre a energia livre de massa {Or.} e a energia coligada a matéria (plasma) limitada (contida) por uma membrana.

Agora propomos que o {D. Or.} é energia orgone enclausurada. O que nos deixa num pequeno limite para poder diferenciar um processo do outro. E mais, o processo {D. Or.} se dá justamente quando a energia livre massa se direciona para a matéria; sendo que tanto para formar matéria; como para ligar a energia livre de massa à matéria para formar vida; à direção é energia livre de massa para a matéria.

O que significa dizer que ou o {D. Or.} está envolvido com a formação da matéria e da vida ou temos a direção da energia livre de massa para a matéria sem que seja {D. Or.}.

Reich postulava que sim o {D. Or.} estava envolvido com a formação da vida e com a formação da matéria, mas também propôs na biofísica orgone a direção energética da energia livre de massa para a matéria sem que fosse {D. Or.}.

De acordo com Reich, nasce da mesma couraça a necessidade de andar guardando {D. Or.} dentro do organismo, acompanhado do sentimento de pudor, ou de não querer mostrar a sujeira e não do próprio {D. Or.}.

Quando a própria energia atmosférica se dirige para a direção {D. Or.} e ultrapassa certos limites, a direção à vida recua. Era uma questão de sobreexcitação do meio promovida por fontes irritantes que podem promover um meio agressivo a vida. Mesmo neste caso o recuo da vida está dirigido para se manter vivo, isto é, para preservação da vida e não no desejo de morrer.

De acordo com Reich, mesmo com o {D. Or.} não existia isto de um desejo inato de destruir-se. O movimento de destruir a si-mesmo continuava nascendo do encouraçamento.

Em outras palavras e graças aos céus continuava não existindo este tal impulso de morte na natureza. Outra coisa era que as pessoas andavam se matando uma as outras e a si-mesmas. Enquanto a destruição de si-mesmo fizer parte da patologia humana, podemos continuar buscando uma solução.

Quanto à diferença entre energia enclausurada dentro do organismo e energia livre de massa ligada à matéria formando o plasma vivo limitado por uma membrana, os movimentos da energia e do plasma seguem seu curso por dentro da membrana e no caso da enclausuramento energético o movimento interno deixa de fluir.

Veja também:

Sobre o encouraçamento do campo energético.
Sobre a sobreexcitação.
Sobre o Projeto Oranur; a sobreexcitação e o {D. Or.}.
A doença {D. Or.} e os sintomas da sobreexcitação.
 

 

A doença {D. Or.} e os sintomas da sobreexcitação.

[doença_dor]

A chamada doença {D. Or.} que se manifestou na ocasião do projeto Oranur de Reich tinha vários níveis de cronicidade; porém apresentava um quadro comum que se caracterizava por se­cura da pele e secura interna, irritação das mucosas, inflamações, temperatura periférica quente, dores ósseas, principalmente no rosto e na cabeça, dores musculares ardidas e pesadas; e as pessoas desenvolviam resfriados que permaneciam mais tempo do que o normal. Em termos emocionais, o deserto emocional, e algo parecido com a angústia quente.

Além do mais a doença {D. Or.} podia promover um estranho mecanismo de despertar antigas doenças que as pessoas já tinham contraído. Isto é, de acordo com Reich, durante os estados crônicos da doença {D. Or.} as pessoas tendem a manifestar antigas doenças.

Veja também:

Sobre o encouraçamento do campo energético.
Sobre a sobreexcitação.
Sobre o Projeto Oranur; a sobreexcitação e o {D. Or.}.
Sobre as direções da energia orgone {Or.}. <=> {D. Or.}.
 

 

Sobre o termo Funcional (pensamento funcional).

[pensamento_funcional]

O conceito de função não foi inventado por Reich, vem dos antigos e passados de moda, funcionalistas, e estava na origem do materialismo dialético (também fora de moda por conexões marxista).

Formulando em termos simples, Reich, depois do materialismo dialético foi se apropriando de alguns conceitos do antigo funcionalismo, conforme foi orientando suas pesquisas em direção da descoberta do funcionamento da energia orgone na atmosfera e na vida. O resultado disso foi à transformação do antigo funcionalismo no funcionalismo orgonômico.

O antigo elo de conexão entre função e Éter, perdido nos tempos de Paracelso, de Francis Bacon e Erique Bérgson, reaparece em Reich na relação entre função e energia orgone; que se manifesta numa relação trialética de antíteses e sínteses de funções e de níveis de funções.

Para a orgonomia o funcionalismo orgonômico transformou-se numa prioridade, tornou-se o mais importante método de investigação, do funcionamento da energia na natureza em geral e na vida em particular.

E mais especificamente na forma de inter-relacionar estas funções. Sem o funcionalismo orgonômico os descobrimentos de Reich seriam fenômenos estranhos e isolados entre si.

A particularidade do funcionalismo orgonômico se manifesta na maneira de relacionar as funções entre si.

Para cada duas funções antitéticas, num mesmo nível, temos uma terceira função, que é denominada de princípio funcional, que se encontra num nível mais profundo e mais amplo, e que contém os princípios de funcionamento destas duas funções antitéticas.

Num mesmo nível, o par antitético, corpo e psique, num nível mais abrangente e profundo, a unidade, a simultânea identidade entre estas duas funções, o núcleo bioenergético, ou core.

Por isto uma simultânea identidade e antítese entre as funções.

Órgão e função se fundem numa só unidade a tal ponto que sem olhos somos cegos, pelo menos no sentido em que concebemos a visão, ao mesmo tempo algo mais se manifesta nos olhos para serem qualificados de vivos ou apagados, tristes ou alegres, profundos, difusos, idos, interessados ou opacos, conectados ou desconectados.

Funcional de função, neste caso, a frase que melhor diz de funcionalismo é: A função faz o órgão.

Foi da função de circular o sangue pelo organismo que se desenvolveram dois tipos de veias, que também tinham a função de circular o sangue pelo organismo, e estas se fundiram desenvolvendo o órgão do coração.

Antes da existência do olho, a percepção do vivo já saía em direção ao mundo em busca de impressões visuais... A função de ver é anterior ao órgão olho...

Foi da função primitiva de ver que nasceu o primitivo órgão olho, que por sua vez se desenvolveu se tornando à casa da percepção visual; sendo que uma vez em sua casa continuou se especificando, se diferenciando; se desenvolvendo nesta complexidade conhecida como os órgãos do sentido da visão; que lhe permite uma percepção visual altamente específica e complexa.
 

 

O que mesmo Reich dizia ou não dizia?

[desencouraçamento]

Por mais que lemos e relemos a obra do Reich; nunca encontramos a frase que ele supostamente afirma que a emoção do amor e a atitude biofísica de entrega só existiam na função sexual genital em si; mas sim encontramos páginas e páginas explicando que a descarga genital era a função mais capacitada para produzir descarga; e, que a neurose era a expressão de um organismo que tinha perdido a capacidade de descarregar, que tinha mais energia acumulada, estásica como dizia, do que era capaz de descarregar; e, a neurose era a expressão e se alimentava desta energia, isto é, a inibição da sexualidade estava na base de todas as neuroses.

Também não encontramos nenhuma frase do Reich receitando relações sexuais como “metas” ou remédio para sair da posição neurótica, ou como receita para chegar a alcançar o “status” de organismo sadio. Pelo contrário, ele estava cansado de saber que era uma questão de entrega biofísica e não de metas ou propósitos.

Dizia Reich que o homem não estava doente porque perdeu sua capacidade biofísica de dizer SIM; más sim porque tem um NÃO instalado por dentro, um NÃO BIOFÍSICO, que acompanha seu encouraçamento do início ao fim. Porque está biofisicamente incapacitado por sua couraça para entregar-se. E para chegar à entrega biofísica era necessário um árduo, sistemático, e perigoso trabalho flexibilizando o encouraçamento e passando por todas as tempestades emocionais havidas e por haver; e, que mesmo assim, no final, o que estava em jogo era a capacidade biofísica de cada indivíduo e isto estava fora das possibilidades reais da terapia e do processo terapêutico, pois dependia do indivíduo e de sua capacidade organísmica.

Qualquer terapeuta emocional sabe que o funcionamento emocional humano não é flor que se cheire, que tanto contem a chave para a saúde como pode ser uma bomba de tempo. Pelo menos é senso comum hoje que o funcionamento emocional não só está na base da inteligência como é uma inteligência a parte, como também está na base de uma infinidade de doenças conhecidas e por conhecer inclusive do câncer.

A genética ainda não tomou conta de tudo, tem gente que ainda pensa que a raiz das doenças físicas também pode ser de natureza emocional.

Devolver para o homem a capacidade de sentir emocionalmente sem promover um colapso é uma das tarefas mais difíceis para as terapias emocionais.

Veja bem. A emoção angústia e a emoção prazer caminham em direções distintas más uma anda ao lado da outra. A tristeza esta para a felicidade na mesma proporção que o medo está para a raiva.

Podemos propor em termos gerais; que o encouraçamento é uma questão global de se conter, de ir para dentro; portanto uma angustiar-se constantemente; e, se de “emocionar-se” se trata, a questão é apreender a ir para fora, a retomar a capacidade de se expandir; porém não podemos nos esquecer que isto de se expandir constantemente não existe no mundo biológico. Em qualquer pólo que o funcionamento permaneça fixado temos uma patologia crônica e perigosa.

O próprio Reich alertava sobre o perigo envolvido na liberação da couraça e suas emoções. Dizia ele que se a sociedade soltasse sua couraça de uma hora para outra isso seria pior que uma bomba atômica em cada lado do planeta.

Para Reich era biologicamente impossível uma situação totalmente sem defesas, isto seria como desligar o sistema imunológico, a pessoa estaria morta no momento seguinte. Por isto usamos tantas vezes o termo flexibilizar e plasticidade.

Do ponto de vista Reichiano a questão nunca esteve em acabar com as defesas, mas sim está na não cronicidade das defesas, em não se defender automaticamente do mesmo jeito como se estivesse sempre diante do mesmo perigo e de não suportar o sentir. A questão está em retomar a capacidade de se defender em cada situação e de acordo com cada situação.

Do ponto de vista Reichiano é completamente fora de sentido dizer que para soltar a couraça devemos acabar com o jeito de ser das pessoas assim como assim, além do mais, no jeito de ser das pessoas encontramos suas peculiaridades, sua forma, este toque especial que diferencia cada um de cada um, seu encanto como se diz.

No jeito de ser das pessoas está justamente a forma de cada um se expressar como indivíduo, como pessoa, é característica humana funcionar como pessoa, e não como clones que tem na base uma mesma forma. É uma questão de diversidade e não de cópias.

Dizia Reich, “quem sou eu para pedir para andar nu um ser humano que anda vestido a mais de 6.000 anos”.

Como podemos pedir para que alguém diga e expresse exatamente o que esta sentindo e pensando se o homem gastou estes mesmos 6.000 anos aprendendo a desenvolver uma linguagem rebuscada, protegida, representativa, capaz de representar tudo, menos expressar diretamente e verdadeiramente o que este homem está intimamente sentindo?

Mesmo o jeitão de ser neurótico e superficial de cada um não pode ser derrubado assim como assim. Pois ele está a serviço de consumir o dar-se conta, o contactar-se, o sentir e o perceber.

Imaginem a angústia que seria entrar em contacto com toda a contração que nós andamos carregando junto conosco. Seria justamente se encontrar de uma hora para outra e verdadeiramente, de corpo e mente, em uma crônica situação de angústia, e sem ser capacitado passo a passo para suportá-la e nem para lidar com ela.

Para Reich, o homem podia ser completamente irracional e perverso em seu encouraçamento, mas o seu encouraçamento tinha um sentido, uma razão de ser.

Para Reich, simplesmente estava fora de questão um desencouraçar que não leve em consideração o entrar em contacto com, o dar-se conta e a capacidade de lidar, tanto com o ato de desencouraçar-se como com o ato de viver a vida com uma couraça flexível.
 

 

Direitos autorais

Creative Commons License
Glossário da Arte Org terapia. by Jovino Camargo Junior is licensed under a Creative Commons Atribución-No Comercial-Licenciar Igual 2.5 Brasil License.
Based on a work at www.arteorg.com.br.
Permissions beyond the scope of this license may be available at http://www.arteorg.com.br.