Do Funcionamento virtual:

[do_funcionamento_virtual]

Sobre a ausência.

Sobre a ausência virtual

Ausência no (do) aqui.

Sobre o termo virtual.

Sobre o homem virtual...

Sobre o funcionamento virtual e as estruturas virtuais.

Sobre o funcionamento virtual.

Sobre as estruturas virtuais.

Sobre o território intermediário virtual fronteiriço.

Sobre a barreira de si-mesmo.

As expressões emocionais do ponto de vista do funcionamento virtual.

Sobre a ressaca e os ressacados.

Sobre a sobreexcitação virtual

Sobre os estados de espírito, a ressaca e a sobreexcitação.

Sobre a divisão, a cisão, a mescolância e desdobramento.

Sobre a loucura virtual, a depressão virtual, o masoquismo virtual, e os ataques destrutivos contra si-mesmo.

Sobre o encouraçamento do campo e a sobreexcitação nos virtuais.

Sobre o eu dividido e as divisões do eu.

Sobre a Identidade:

Sobre o eu.

Sobre a individualidade:

Sobre o eu-dividido dos virtuais e a subjetividade.

Sobre a função eu e a função identidade.

Sobre o Self.

Sobre o Eu; o eu-difuso; o eu-descorporificado; o eu-observador; o eu-organizador; o Mim e o Eu-coligado.

Identidade descorporificada.

Identidades dos virtuais relacionadas ao desenvolvimento do processo terapêutico da Arte Org.

Sobre o super-homem e o micro-homem

Sobre a pressão do - aqui.

Algumas características do funcionamento virtual.

 

Nesta sessão do glossário da Arte Org, nós colocamos os conceitos mais comuns relacionados com o funcionamento virtual começando pela ausência e seguindo com alguns elementos envolvidos com o voltar para si-mesmo do mundo ausente que se manifestam de forma mais ou menos característica.

Esclarecendo: todos os conceitos desta sessão foram extraídos do livro “história e desenvolvimento da metodologia da Arte Org” de Jovino Camargo Junior. Para efeitos legais e éticos; o resultado final tem sua autorização e revisão.
 

 

Sobre a ausência.

[ausência] [ausencia]

Na Arte Org, a escolha do termo ausência como o conceito representativo do funcionamento virtual como um todo, passou por um longo caminho. Começando por ser desconexão, depois ido, logo distante, para chegar finalmente a simplesmente ausente. Também teve os seus conflitos principalmente por que o termo é usado pela psiquiatria para se referir ao autismo e a esquizofrenia; e usar um termo carregado psiquicamente ou psiquiatricamente acaba na maior parte das vezes mais confundindo do que esclarecendo. Porém quando mudamos o termo funcionamento limítrofe ou fronteiriço para funcionamento virtual; também mudamos o termo ido-distante-desconectado para simplesmente ausente. Foi somente depois disto que à situação foi confirmada e esclarecida com o mais obvio, isto é, recorrendo ao dicionário.

De acordo com o Aurélio Eletrônico:
A ausência: Estado ou condição de ausente. Afastamento, apartamento. Falta de comparecimento; falta. Carência, inexistência.  Jurídico: desaparecimento da pessoa do seu domicílio, sem deixar ou dar notícia do seu paradeiro e sem deixar representante para zelar pelos seus interesses. Psiquiatria: lapso de memória. Falha do raciocínio.
O ausentar-se: Deixar um lugar qualquer; ir-se; retirar-se. Afastar-se, apartar-se. Desaparecer; acabar-se. Tornar-se ausente; ser afastado.
O ausente: Não presente. Afastado, distante. Brasileiro de Minas Gerais: Separado do cônjuge. Distraído, desatento; alheio. Psiquiatria: Diz-se da pessoa que sofre de lapso de memória, que se encontra incapaz de raciocinar; esquecido, distraído. Pessoa que deixou o seu domicílio e que se encontra em outro lugar. Jurídico: Pessoa cuja ausência se declara ou reconhece em juízo. Ausente de: Distante de.

Como ponto de partida nós podemos ficar com o que diz o dicionário, pois exatamente disto se trata, porém conforme vamos lidando com a ausência e compreendendo-a o conceito vai ficando mais abrangente, mais abarcador.

Na Arte Org, nós chamamos de ausência ao processo (ato completo) de distanciar-se de si e do mundo e voltar a conectar-se consigo-mesmo e com o mundo.

De acordo com a Arte Org; a ausência é o principal sistema defensivo da forma de funcionar dos virtuais, o fio vermelho, ou o elemento central sobre o qual estão compostas todas as formas de funcionamento dos virtuais. Desenvolveu-se, se multiplicou e se alastrou no século passado e já modificou todas as bases do funcionamento humano anterior, isto é, modificou a forma de se encouraçar do homem antigo (neurose de caráter), despertando e transformando o encouraçamento energético numa nova forma de encouraçamento: a couraça de campo. E sim, a ausência existia anteriormente ao funcionamento virtual como elemento crônico isolado pertencente a certos quadros como no caso da loucura, do autismo, do misticismo e da genialidade. Suspeitamos também que ela estava presente no animismo primitivo e nas culturas primitivas, pelo menos nestas que apresentam o costume de ficar olhando para o horizonte com o olhar perdido conectados com nada.

A ausência envolve diferentes níveis de distanciamento, mas não envolve necessariamente a desconexão.

O comum é encontrarmos a ausência operando junto com a desconexão ou a desconexão sendo usada para ausentar-se, mas a ausência simples pode ocorrer sem que a pessoa se desconecte dela-mesma. Apesar de que é muito difícil encontrar alguém que se ausente sem se desconectar; a não ser os que foram capacitados por suas terapias para lidar com o seu ausentar-se.

Neste sentido, o ato de ausentar-se é uma função perceptiva pendular que contém em si dois pólos, o pólo ausente e o pólo presente e uma oscilação entre estes dois pólos. Tal qual um pêndulo, a presença de dois pólos cria um terceiro pólo, o pólo do meio, que também chamamos de pólo intermediário.

Em termos dinâmicos o ato de ausentar-se (sair de si-mesmo e voltar para si-mesmo) pode nos deixar em qualquer lugar entre estes três pólos, isto é, pode nos deixar desde mais ausente até mais presente, sendo que o ponto de retorno “transforma-se” num novo ponto de partida. Este “transforma-se” envolve conexão, freqüência e estado anímico e, principalmente, metabolismo corporal. Isto é, entre um ciclo de ausência e outro ciclo de ausência às pessoas passam por um outro processo desta vez coordenado pelo metabolismo corporal, que os deixa num determinado estado que oscila do mais ausente ao mais presente.

Portanto, a cada vez que nos ausentamos terminamos num novo estado com um novo ponto de partida com duas direções, para longe de si-mesmo e de volta para si-mesmo.

 

Sobre a ausência virtual

[ausência_virtual]

Na Arte Org, a ausência virtual diz de um grupo de experiências vividas sem a coordenação do corpo (organização corporal) e sem a coordenação da consciência (organização perceptiva) no momento da experiência, onde a identidade – noção de eu - se desloca da corporalidade (percepção e corpo) para a experiência vivida.

Isto não significa que as pessoas não coordenam a experiência ausente, pois sim, coordenam, mas sim significa que o processo não é coordenado pela consciência objetiva e nem pela atividade motora muscular. Também não podemos dizer que o processo seja autônomo, isto é, coordenado pelo sistema vegetativo ou pela atividade dos músculos finos; mas sim podemos dizer que essa coordenação está justamente no limite entre um universo e outro; isto é, coordenada pela percepção difusa ou pela consciência difusa ou pelo “eu-difuso”. Os ausentes virtuais apresentam em todos os casos alterações do metabolismo energético, corporal e perceptivo.

Na maior parte das vezes nós usamos somente o conceito de ausência; sendo que algumas vezes usamos ausência virtual como sinônimo de ausência. Porém o conceito de ausência virtual é apropriado para a ausência que se sobrepõe ao ausentar-se. Neste caso uma ausência sobreposta. Também usamos o termo ausência clara para a ausência simples; e ausência escura para a ausência sobreposta ou virtual que navega pelos escuros dos campos.

 

Ausência no (do) aqui.

[ausência_do_aqui].

Ausência do "aqui":
Este tipo de
ausência só foi reconhecido depois da segunda reformulação do projeto Arte Org; costuma acontecer fora da superposição virtual, isto é, com a pessoa conectada com a natureza; e, pode manter tanto a noção de distanciamento ausente como a noção do estar aqui ao mesmo tempo ou unificada. Isto é, ela inclui a noção perceptiva de estar em dois lugares ao mesmo tempo, ou de estar num mesmo lugar de forma multidimensional.
 

 

Sobre o termo virtual.

[virtual]

Virtual: De corpo ausente. Aquele que projeta sua existência ou se sente existindo onde seu corpo esteve ou vai estar, ou onde seu corpo nunca poderá chegar, mesmo que estes lugares ocupem exatamente o mesmo espaço físico que ocupa seu corpo. Que existe lá no ali depois.

Veja bem, virtual é uma terminologia do “computês”.

Quando dizemos virtual nos referimos exatamente ao que não existe no concreto, mas que pode ser experimentado quase como se fosse concreto e que provoca conseqüências no concreto. Nada mais exato para definir a experiência que nós vivemos, quando estamos (ausentes) ido-distantes-desconectados.

Neste caso, quando falamos de elementos virtuais estamos nos referindo justamente a este algo inconcreto, que ainda não se corporificou; que tanto pode ser de natureza energética como de natureza sensorial e perceptiva difusa, como um campo desenraizado, como impressões sem casa ou a caminho de uma casa que pode ser inclusive as idéias, o que significa que também podemos ter idéias virtuais, descorporificadas, ou idéias corporificadas. E este algo quando se corporifica ou se enraíza; na maior parte das vezes; se manifesta literalmente como fixação. Sendo que algumas vezes, quando o funcionamento virtual não se fixa; quando o voltar da pessoa é mais harmonioso com a pessoa e com o lugar onde ela se encontra, este algo se manifesta como insights, compreensões, sensações, contacto, sentimentos ou mesmo como criatividade.

Agora, quando falamos do processo virtual; também está incluído o enraizamento ou a corporificação dos elementos virtuais. Em qualquer domínio (seja energético, seja organísmico, seja corporal; seja perceptivo; inclusive nas idéias; seja no mundo, nos lugares, nas coisas e nos outros) a corporificação virtual é sobreposta; é um tipo de colagem de algo sobre outro algo; exatamente como uma fixação. O que significa que se conseguimos soltar esta coisa que foi corporificada para o seu devido campo, se manifesta novamente os elementos nativos que estavam sobreposto pela tal colagem virtual. Nestes termos; corporificação, descorporificação; corporificação coerente; e expressão do funcionamento despressionado da colagem virtual, tomam significados práticos bem diferente um dos outros.
Assim, aparece um outro conceito que é de virtualismo
sobreposto; ou melhor, o virtualismo que já é sobreposto pode se manifestar em qualquer dos domínios de forma mais sobreposta ainda; sendo que está sobreposição pode se especificar e se compactar em blocos, em compartimentos; se corporificando tanto no corpo do indivíduo com em sua relação com o mundo em geral.

Veja também:

Sobre o funcionamento virtual e as estruturas virtuais.

Sobre o funcionamento virtual.

Sobre as estruturas virtuais.

Sobre o homem virtual...

Sobre o território intermediário virtual fronteiriço.

Sobre a barreira de si-mesmo.
 

 

Sobre o funcionamento virtual e as estruturas virtuais.

[os_virtuais]

Sobre o funcionamento virtual.

[funcionamento_virtual]

Funcionamento virtual foi à forma como nomeamos o funcionamento do homem do nosso tempo, engloba a estrutura do homem moderno e do homem pós-moderno.

Ou simplesmente virtual foi à forma como nomeamos os indivíduos que apresentam em seu funcionamento uma “certa” (certeira, efetiva) ausência ou desconexão de si-mesmo.

Veja que usamos o temo funcionamento virtual de uma forma ampla que engloba tanto os virtuais modernos (nos quais; o funcionamento virtual se apresenta de forma coerente, sem os sinais característicos da desorganização ou do colapso do funcionamento virtual; aqueles que ainda conseguem se ausentar sem tantas desconexões; portanto, virtuais normais, virtualmente organizados); como para os virtuais pós-modernos (aqueles que o funcionamento virtual normal já se colapsou; cheio de sintomas por todos os lados; com mesclas de comportamento; fixados num pólo ou outro de suas ressacas; que sua ausência já não é mais efetiva).
Porém de forma mais estrita; o conceito de funcionamento virtual deveria ser para os virtuais normais (os modernos); e estrutura virtual para os virtuais desorganizados (os pós-modernos).

Na Arte Org, a investigação do funcionamento do homem virtual está tão diretamente relacionada com a investigação do funcionamento da ausência de si-mesmo que uma noção não existe sem a outra.

Quando falamos da ausência virtual estamos nos referindo a um funcionamento que, de acordo com nossas investigações, já ultrapassou os limites da couraça caracterológica e da couraça muscular e está pressionando para ultrapassar os limites do funcionamento energético organísmico (unidade entre funções energéticas e massa viva).

Veja também:

Sobre o termo virtual.

Sobre o homem virtual...

Sobre as estruturas virtuais.

Sobre o território intermediário virtual fronteiriço.

Sobre a barreira de si-mesmo.

 

Sobre as estruturas virtuais.

[estruturas_virtuais]

Geralmente usamos o termo estrutura virtual como sinônimo de funcionamento virtual; porém quando podemos ou conseguimos ser um pouco mais específicos; o termo funcionamento virtual deveria ficar para os virtuais que ainda funcionam de forma virtual; isto é, que não estão diante de uma desorganização massiva de seu próprio funcionamento.

E quando falamos de estruturas virtuais de forma mais específica; estamos nos referindo ao ser limítrofe ou personalidade fronteiriça ou todas as demais formas de estruturas que nascem ou são decorrências da desorganização do funcionamento virtual.

Veja que o conceito de estrutura que estamos usando aqui trata justamente da tentativa desesperada de fechar a organização em torno de alguns aspectos, tornando estes aspectos repetitivos; pegados ou fixados (muito parecido com o encouraçar-se; porém que não é efetivo nem organizado como uma couraça corporal ou perceptiva propriamente tal); do ponto de vista do funcionamento virtual, as estruturas virtuais são pseudo-estruturas que não se cristalizam ou não se sedimentalizam como uma estrutura propriamente tal. Mesmo assim, elas se revelam como âncoras ou blocos de funcionamento congelado, o que é completamente contraditório com as características abertas ou incompletas, ou com a flexibilidade nativa do funcionamento virtual. O que implica que a conseqüência da desorganização nativa do funcionamento virtual resulta numa tentativa desesperada de se organizar agarrando-se ou fixando-se em aspectos específicos de um pólo ou outro; relacionados de forma geral com o voltar para si mesmo ou para o mundo; e de forma específica com a ressaca virtual.

Sendo que por trás deste conceito temos uma infinidade de quadros psicopatológicos; aonde o que menos se parece com um nome feio é mutante camaleão como si fosse.

Foi depois da década de quarenta que o conceito começou a aparecer nos psicodiagnósticos clínicos constituindo uma nova estrutura que foi denominada personalidade limítrofe ou fronteiriça. Isto é, que vivem na fronteira entre a loucura e a neurose.
Os primeiros termos utilizados pela psicopatologia dinâmica para nomear essas personalidades foram:
borderline, ‘como si’, fatídicos, esquizóides, psicopatas, (sociopatas e caracteropatas), impulsivos, perversos e depois narcísicos, confusionais, ambíguos, abandonados. Tudo isto aglomerado sob o conceito de ego frágil ou fragmentado.

Agora o que precisa ficar claro é que foi justamente a investigação da ausência o que nos permitiu sair do emaranhado que pode ser a investigação específica de cada um destes casos; para poder postular que eles são efeitos secundários de um funcionamento bem mais amplo e abarcador; que é o ausentar-se de si-mesmo e do mundo; e que giram em torno de um processo também mais amplo do que os quadros específicos; a saber, em termos amplos o voltar para si mesmo e para o mundo; e, em termos específicos a ressaca virtual com sua correspondente sobreexcitação de campo.

Deste ponto de vista; o nome estrutura virtual veio não somente para substituir todo este emaranhado de nomes que aparecem para nomear formas de funcionar mais confusas ainda; mas veio como um nome novo - atual; para uma “dificuldade” nova – atual que se relaciona que a forma de funcionar e de viver do homem contemporâneo. Somente que quando esta forma de funcionar (que já fronteiriça e intermediária; descorporificada e difusa) se desorganiza, começam a pipocar mesclas de funcionamentos de todos os tipos.

Como o desenvolvimento do trabalho, conforme vamos conseguindo compreender mais das funções envolvidas no funcionamento virtual como um todo, podemos também ir deixando os conceitos psicológicos de lado, para usar conceitos mais efetivos e coerentes com o funcionamento virtual como é o caso da sobreposição perceptiva ou virtualismo sobreposto que agrega funcionalidade ao conceito de estruturas virtuais. O que significa que na base da desorganização do funcionamento virtual, ou na base da pseudo estruração do funcionamento virtual temos uma sobreposição do campo perceptivo e da sobreexcitação de campo que se compactam e mudam de lugar em direção ao próprio corpo ou ao campo do lugar de tal forma a derrubar o próprio encouraçamento de campo, que leva consigo o próprio campo energético do indivíduo. O que também significa que este mesmo funcinamento dinâmico está também na base da formação das fixações (inclusive as de comportamento) e das pressões.

Veja também:

Sobre o termo virtual.

Sobre o funcionamento virtual e as estruturas virtuais.

Sobre o funcionamento virtual.

Sobre o homem virtual...

Sobre o território intermediário virtual fronteiriço.

Sobre a barreira de si-mesmo.

Sobre a ressaca e os ressacados.

Sobre a sobreexcitação virtual

Sobre a loucura virtual, a depressão virtual, o masoquismo virtual, e os ataques destrutivos contra si-mesmo.

 

 

Sobre o homem virtual...

[homem_virtual]

... O futuro já é aqui e agora...

... O homem contemporâneo já mudou...

... Seu funcionamento se modificou...

... Seus traços, sintomas e doenças se transformaram...

... Seu corpo e suas percepções também se alteraram...

... Seus anseios, suas emoções e sensações se modificaram...

Portanto, seu caráter, a sua couraça, se fez mutante.

A repressão social, a exigência familiar e os tabus sexuais, já são elementos de um passado distante.

Já não somos habitantes do mato e nem do campo, nem dos vilarejos e nem da cidade grande, nem sequer temos fronteiras.

Por mais que nossas idéias e pensamentos teimem em manter nossos dicionários e tratados inalterados...

Por mais que continuemos buscando os motivos de nossas mazelas nos mais remotos reservatórios genéticos...

... Nosso esforço para fugir e escapar de nós mesmos...

... Nosso desespero por acabar com nossos próprios limites...

... Nosso anseio de colocar ou projetar nossa existência ou consciência; muito além do nosso próprio corpo e de nossas possibilidades... ...Já atingiram sua meta.

Nosso homem já rompeu consigo mesmo, com o mundo a qual pertence, com sua cultura, com sua história e com sua natureza.

Já se transformou num eremita no meio de multidões, num mutante perdido nas selvas de seus sentidos, repleta de vazios e desertos carentes de significados.

Seu destino e sua identidade se fundiram em sua própria meta transformando-se numa imagem virtual de si mesmo, que ele venera mais do que a si mesmo.

O homem de nosso tempo perdeu seu norte e, com ele, a possibilidade de alcançar sua própria intimidade, se transformando num caçador de si-mesmo.

Resta saber, quanta humanidade ainda pode ser resgatada neste homem virtual.

Homem virtual. Escrito por Jovino Camargo Junior para o boletim de promoção da Arte Org no Brasil.

Veja também:

Sobre o termo virtual.

Sobre o funcionamento virtual e as estruturas virtuais.

Sobre o funcionamento virtual.

Sobre as estruturas virtuais.

Sobre o território intermediário virtual fronteiriço.

Sobre a barreira de si-mesmo.

 

 

Sobre o território intermediário virtual fronteiriço.

[território_virtual]

O território intermediário virtual fronteiriço foi em primeiro lugar um conceito que nasceu com a tentativa de preencher um vazio de conhecimentos relacionado inicialmente com a ausência e posteriormente com todo o funcionamento virtual.

Com o tempo ele (o território) foi tomando corpo, isto é foi deixando de ser um conceito usado para organizar o desenvolvimento teórico da Arte Org para se transformar no nome de uma região funcional que existia de fato.

É parecido com quando falamos de um território perceptivo ou território corporal, neste caso, uma zona intermediária entre o território perceptivo e o território corporal.

Inicialmente este conceito territorial referia-se somente a um tipo diferenciado de funcionamento perceptivo (principalmente da percepção difusa); porém, logo depois descobrimos que nele também estavam presentes elementos diferenciados da corporalidade (tanto da percepção objetiva como do corpo); para logo depois descobrir que também estavam envolvidos elementos diferenciados do funcionamento energético (tanto das funções do campo orgone, como da sobreexcitação, e como da direção {D. Or.}). Isto fortaleceu mais ainda o conceito de território como uma região que por si só podem imprimir uma forma de funcionar; que de acordo com suas características, esta forma de funcionar obedece a leis não lineares e se encontra fora da forma de estruturar presente nas organizações lineares como é o caso da linguagem, do pensamento organizado ou da organização objetiva da percepção.

Veja também:

Sobre o termo virtual.

Sobre o homem virtual...

Sobre o funcionamento virtual e as estruturas virtuais.

Sobre o funcionamento virtual.

Sobre as estruturas virtuais.

Sobre a barreira de si-mesmo.

 

 

Sobre a barreira de si-mesmo.

[barreira_de].

O termo vem sendo usado para definir os limites impostos por um tipo de organização estrutural. Como exemplo nós temos a barreira de si-mesmo que se manifesta na estrutura de carácter que delimita uma faixa de experiências, de ações, de comportamento, de emoções, de pensamentos, onde dentro desta faixa a pessoa continua estruturada como um carácter.

Vale esclarecer aqui que: do ponto de vista estrutural; qualquer estrutura, que seja neurótica, psicótica ou biopática; incluindo as depressivas e neuróticas sintomáticas que se caracterizam como desorganizações estruturais; ou as biopáticas desdobradas como a esquizofrenia ou as biopáticas resignadas como o câncer que se organizem como uma estrutura de funcionamento; apresentam uma barreira de si-mesmo relacionada ao seu próprio funcionamento.

Desde as postulações de Reich sobre o funcionamento da couraça muscular, nós sabemos que as estruturas da personalidade não são somente organizações psíquicas, uma vez que a organização psíquica tem uma base uma correspondência na organização corporal. Para Reich o termo caráter carregava consigo dois aspectos, uma organização perceptiva específica e uma organização corporal específica. E esta unidade como uma organização impunha um limite para as ocorrências, vivências ou experiências que podiam ocorrer dentro do marco permitido pela estrutura. 

Em termos simples, passar pela barreira de si-mesmo significa que a estrutura vigente se colapsou ou vai se colapsar. Significa também que: se a estrutura for rígida (neurótica; psicótica ou biopática); antes existia uma estrutura anterior mais flexível; e, que depois da ruptura, se a pessoa continuar viva, ela vais se reorganizar novamente de uma forma ou outra.

Neste sentido, o funcionamento ausente virtual rompeu a barreira de si-mesmo existente no funcionamento caracterológico impondo a aparecimento de um novo tipo de organização, a estrutura virtual.

Porém, o funcionamento virtual tem como característica sair de um tipo de organização e ir para uma desorganização e desta para uma nova organização e assim por diante, chegando a ponto de serem definidos como sendo uma organização desorganizada. O que significa dizer que eles passam ou podem passar a barreira de si-mesmos muitas vezes.

No caso dos virtuais, passar por sobre si-mesmo e romper a barreira de si-mesmo viram sinônimos; porém sabemos que tanto o passar por sobre si-mesmo como o romper a barreira de si-mesmo cabem no funcionamento virtual; o que nos diz que a pessoa pode passar por sobre ela-mesma muitas vezes sem romper a barreira de si-mesma; o que nos diz que romper a barreira de si-mesmo envolve uma crise maior, uma desorganização maior do que a já presente no funcionamento; envolve um tempo de colapso, envolve uma inversão na direção do funcionamento, e uma nova reorganização.

Na prática terapêutica da ausência nós fomos descobrindo a cada dia muitas formas que os virtuais usam para passarem por sobre si-mesmos; e, continuamos descobrindo de tempo em tempo, uma nova forma usada por este ou por aquele virtual para romper a barreira de si-mesmo; sendo que, basicamente, podemos diferenciar três caminhos que as pessoas costumam seguir para romper a barreira delas-mesmas; o caminho da ausência, o caminho do desgaste cotidiano; e, o caminho das experiências piques, seja por drogas, ou por procedimentos experiências ditas terapêuticas.

Mesmo assim, apesar de termos conhecimento de muitas formas de romper a barreira de si-mesmo, ainda não conseguimos definir com claridade em que consiste a barreira de si-mesmos dos virtuais. Aqui temos somente suposições de como isto acontece; mas não do que ou em que consiste.

Veja também:

Sobre o termo virtual.

Sobre o homem virtual...

Sobre o funcionamento virtual e as estruturas virtuais.

Sobre o funcionamento virtual.

Sobre as estruturas virtuais.

Sobre o território intermediário virtual fronteiriço.
 

 

As expressões emocionais do ponto de vista do funcionamento virtual.

[emoções_virtuais]

O conhecimento do funcionamento emocional, com suas correspondentes posturas e atitudes e com suas correspondentes alterações vegetativas acabou sendo um dos principais “nortes” no desenvolvimento de nosso trabalho com os virtuais.

Em primeiro lugar está à camada de sobreexcitação que modifica tudo. Quando a sobreexcitação está no campo temos uma expansão e uma vitalidade aparente mantida pela expansão da sobreexcitação que não tem respaldo da corporalidade (O mesmo que dizer que a expansão não vem de dentro, que enquanto o campo se amplifica o corpo se contrai). Quando está no corpo temos uma indução na corporalidade de sensações de cansaço e letargia a caminho das dores musculares e ósseas que se sobrepõe a motilidade corporal.

Quando a pessoa consegue diminuir seu índice de sobreexcitação de campo é que podemos encontrar as manifestações do que seria o funcionamento emocional dos virtuais. Na maioria das expressões emocionais, o corpo se manifesta antagonicamente à emoção correspondente. (Que é o mesmo que dizer que enquanto a percepção emocional se move numa direção, a motilidade corporal se move em outra) Este antagonismo se manifesta tanto na musculatura profunda como na periferia (pele e músculos superficiais, musculatura fina). O mais louco disto e diferente do carácter neurótico é que o sentimento emocional existe de fato. Quando uma pessoa diz que esta com pânico, ela esta percebendo e sentindo pânico. A única contradição é que sua periferia corporal não participa disto e está exatamente em seu oposto, na expansão. Se fôssemos pelo corpo à pessoa estaria sentindo prazer ou raiva. O mesmo é verdade para as situações integradoras e prazerosas. Quando a pessoa diz que esta bem, feliz, integrada e que a situação que esta vivendo é prazerosa; se fôssemos pelo o que nos esta comunicando sua periferia periférica (pele, corpo), ela deveria estar angustiada ou com medo.

Em todo caso, isto não é assim em todos os casos, e nem mesmo em todas as situações vividas pela mesma pessoa, pois se fosse, nós teríamos uma situação emocional fixa, portanto uma couraça estruturada por trás. Mas sim podemos supor que é uma tendência que nos permite dizer que no funcionamento virtual; (a maioria) os sentimentos emocionais, juntamente com uma grande parte das sensações corporais são, de acordo conosco, inundações; que são percebidas de forma emocional e não corresponde ao metabolismo corporal tensão => carga => descarga => relaxamento. É como se tivéssemos uma descarga e por trás não tivéssemos uma carga e pela frente não tivéssemos relaxamento.

Esta incoerência funcional se modifica quando as pessoas conseguem retomar a sua organização virtual saindo da pressão emocional em direção aos sentimentos; como por exemplo, o anseio triste e outros sentimentos mais globais que são mais coerentes com a ausência. Neste caso tanto o metabolismo pode se completar como aparece uma maior coerência entre o corpo e percepção. O que significa dizer que o funcionamento emocional dos virtuais está mais próximo dos sentimentos afetivos do que das emoções propriamente ditas. Em termos de estratificação do funcionamento virtual; significa que em primeiro lugar devemos encontrar os correspondentes sentimentos das emoções como é o caso da tristeza para a pena emocional; do susto ou apreensão para o medo; da indignação ou enfurecimento para a raiva; da aflição para a angústia e todo o resto que se combine com as impressões sensórias e que estejam mais próximos dos anseios; antes de entrar no funcionamento emocional propriamente dito. Sendo que neste caso; a prioridade está na capacidade de contenção no sentido de respaldar, de manter a conexão com o sentimento e de continuar em movimento junto como o sentimento e apesar dele que são funções da motricidade fina (antiimpulsividade); isto é, a capacidade de graduar e de lidar com o sentir e com os sentimentos é prioritária ao entregar-se e prioritária ao funcionamento e a expressão emocional. Inclusive a espontaneidade e o entregar-se passam por uma etapa prévia que tem o sentido de aceitar-se e de ceder para si-mesmo.
É evidente que tudo isto se encontra no exato oposto da direção da
pressão virtual que é se lançar na experiência e explodir ou implodir com ela. O que significa que no caso das estruturas virtuais, a emoções aparecem como uma sobreposição fixada que se manifesta como impulsividade, ou mesmo ataques de ira ou estado de pânicos de todos os tipos, ou ainda uma total ausência afetiva. Resulta que nenhum destes casos resiste ao menor confronto com o funcionamento emocional corporal real, são sobreposições emocionais representadas como emoções; incoerentes e contraditórias com a própria funcionalidade corporal; que só podemos nomear como emoções se nos esquecemos completamente ou negligenciamos as funções mais básicas de como as emoções se manifestam no corpo.

O antagonismo entre os sentimentos emocionais e a corporalidade foi um dos principais motivos que nos levou a deslocar-nos do território emocional para trabalhar com o território difuso, pois neste os sentimentos e a corporalidade pode operar de forma mais integrada.

Veja também:

Sobre as emoções.

Sobre a ressaca e os ressacados.

Sobre a sobreexcitação virtual

Sobre os estados de espírito, a ressaca e a sobreexcitação.

 

Sobre a ressaca e os ressacados.

[ressaca]

De acordo com nosso Aurélio eletrônico:
Refluxo de uma vaga, depois de se espraiar ou de encontrar obstáculo que a impede de avançar livremente.
A vaga que se forma nesse movimento de recuo. 
O encontro dessa vaga com outra (a saca), que avança para a praia ou para o obstáculo.

Brasileiro.  Investida fragorosa, contra o litoral, das vagas do mar muito agitado.
Fluxo e refluxo; inconstância, versatilidade, volubilidade.
Brasileiro.  Figurado.  Indisposição de quem bebeu, depois de passar a bebedeira.
Brasileiro.  Figurado.  Enfado, cansaço provocado por noite passada em claro. 

De acordo como nosso Houaiss eletrônico:

Forte movimento das ondas sobre si mesmas, resultante de mar muito agitado, quando se chocam contra obstáculos no litoral. A vaga que se forma nesse movimento.
Regionalismo: Brasil. Uso: informal: Mal-estar causado pela ingestão de bebidas alcoólicas.
Regionalismo: Brasil. Uso: informal: Mal-estar produzido por uma noite passada em claro.
Derivação: sentido figurado. Inconstância, volubilidade.

Etimologia: do espanhol, saca e ressaca 'retrocesso das ondas', que se aplicavam ao fluxo e refluxo do mar, quando este lança e torna a sugar os objetos que estão junto à orla.

Veja que vaga, além de significar “andar vagando por aí”; “lugar vazio; vago; lugar disponível”; significa também “ondas ou cada uma das compridas elevações da superfície de oceano ou mar, que se propagam em sucessão umas às outras”. E, além disto, como sentido figurado: “multidão que se espalha ou invade em desordem”, ou “ataque como turba lançada contra forças inimigas”. E, que saca além de ser o “ato ou efeito de sacar” significa também a “onda que avança para a praia” e o “ato de transportar gêneros ou mercadorias de um lugar para outro”.

Veja também que ressacado além de significar que foi sacado novamente; significa também: “tonto, doído, nauseado, por causa de uma bebedeira”; ou, “fatigado por uma noite passada em claro”.

Eita Lele. É assim que a linguagem vai voltando a fazer algum sentido. Aqui temos dois sinônimos para onda. Quer dizer então que em primeiro lugar temos uma onda chamada de vaga do tipo saca que ataca e investe em direção a praia; que é obstruída de seguir adiante e retorna como uma onda do tipo ressaca e nisto, se encontra com outra onda do tipo saca formando uma ressaca do tipo revoltura. Sendo que é característica ou costume de cada uma destas ondas a ação de levar consigo-mesma uma infinidade de elementos de todos os tipos.

Se eu não soubesse que estas definições datam do século XIV eu diria que foram os virtuais que andaram definindo isto.

Fazem parte da ressaca, além das características sensações de desorganização biofísica parecida com a febre, que costumam acompanhar as bebedeiras e as noites sem dormir, temos ainda, todas essas sensações velhas e conhecidas de peso, de cansaço etéreo, de insatisfação; de inundação de sensações de órgão, de sobreexcitação de campo. Todo esse mal estar em que ao vermos uma pessoa, dizemos: “Acabou de passar por uma guerra de campo”.

São próprios da ressaca, os castigos a si-mesmo. Esses procedimentos meio destrutivos, que ninguém sabe de onde vieram e que acontecem por ter-se quebrado algum pacto muito importante consigo-mesmo. E o castigo: alguns dias, semanas, meses ou anos sem o sentimento de Eu; ou dias e dias opacos e sem brilho, com gosto de solidão. Faz parte deste quadro o isolamento, fechamento ou ensimesmamento ou qualquer uma destas situações com as quais a pessoa se obriga a ficar enclausurada.

Agora, como era de se esperar, pelo que já dissemos, na ressaca, no bode, temos também a projeção para o futuro. Essa capacidade de transladar-se para o amanhã, e declarar-se incapaz e não merecedor de viver melhor no amanhã, e paralisar o presente por isso. Nesse caso, a ressaca está no agora e seus motivos estão no futuro.

A sensação biofísica básica para a ressaca é a dessincronia entre o corpo e o campo sobreexcitado. Manter a periferia aquecida (sobreexcitação) quando o que necessitamos é um esfriamento, ou resfriamento, periférico.

Veja também:

Sobre a sobreexcitação.

As expressões emocionais do ponto de vista do funcionamento virtual.

Sobre a sobreexcitação virtual

Sobre os estados de espírito, a ressaca e a sobreexcitação.

Sobre a loucura virtual, a depressão virtual, o masoquismo virtual, e os ataques destrutivos contra si-mesmo.

 

 

Sobre a sobreexcitação virtual

[sobreexcitação_de_campo].

O conceito de sobreexcitação é o mesmo tanto para o período orgonômico de Reich como para o funcionamento virtual proposto pela Arte Org. Mesmo assim, como no funcionamento virtual a sobreexcitação está intimamente relacionada com a ressaca virtual, na Arte Org, quando se faz necessário estabelecer diferenciações, o termo usado para a sobreexcitação dos virtuais é sobreexcitação de campo.

O fenômeno da sobreexcitação foi descoberto por Reich, junto com as investigações do projeto oranur e com a descoberta da doença {D. Or.}.

Costumamos compreender a sobreexcitação como sendo um aumento da carga ou excitação do campo energético, porém isto não é bem assim, pois a sobreexcitação de campo se manifesta como sendo um aumento na velocidade do movimento da energia interna a um sistema, é uma questão qualitativa e geralmente é acompanhada de diminuição da carga.

A sobreexcitação de campo é um dos primeiros sinais do encouraçamento do campo. Apesar de que alguns níveis de sobreexcitação promovem uma parada, uma estagnação do campo como um “todo”; na sobreexcitação, enquanto o campo está parado num determinado lugar, internamente ele esta sobre movendo-se.
Como exemplo: temos a
sobreexcitação de campo, com sua correspondente paralisia da descarga do campo e da pele.

Costumamos compreender a sobreexcitação como sendo um aumento da carga ou excitação do campo, porém isto não é bem assim, pois a sobreexcitação de campo se manifesta como sendo um aumento na velocidade do movimento da energia interna a um sistema, é uma questão qualitativa e geralmente é acompanhada de diminuição da carga.

A sobreexcitação de campo é um dos primeiros sinais do encouraçamento do campo. Apesar de que alguns níveis de sobreexcitação promovem uma parada, uma estagnação do campo como um “todo”; na sobreexcitação, enquanto o campo está parado num determinado lugar, internamente ele esta sobre movendo-se.
Como exemplo: temos a
sobreexcitação de campo, com sua correspondente paralisia da descarga do campo e da pele.

O termo sobreexcitação se refere a um aumento da velocidade de movimento do campo energético que ultrapassa a capacidade de descargas de energia coligada a matéria (Ex: O chorar e o suor não descarregam mais).
Esta perda da capacidade de descarga funciona por camadas e em primeiro lugar alcança as funções energéticas e emocionais. Apesar de a pessoa continuar chorando com lágrimas e suando com gotas, ela não sente mais a
sensação de descarga. Depois o processo alcança o próprio chorar e suar em si mesmo, acabando com as lágrimas e com o suor concreto.
A sobreexcitação não se refere à ansiedade ou a hiperatividade corporal ou perceptiva, muito pelo contrário, se parece com densidade, cansaço, irritação, picação, e, a maior parte das vezes, é acompanhada de um estado corporalmente largado. Também não envolve necessariamente um aumento de carga, pelo contrário, a concentração de carga é menor.
Seu
sentimento correspondente, além das freqüentes irritações dores corporais, de veias e de ossos, é de um vazio seco ou desértico, de alma esgotada ou consumida, de alma queimada por dentro, vazia e desértica.
A sobreexcitação se apresenta como um conjunto de alterações do metabolismo energético que se manifestam tanto biofisicamente como no funcionamento corporal e emocional das pessoas, com a angústia quente, e algumas disfunções metabólicas, inicialmente como uma secura quente, como uma sensação de calor seco fora do corpo em conjunto com uma gradativa diminuição da função de suar.
Geralmente toma o caminho para dentro do corpo passando pela pele e pelos músculos em direção aos ossos, ou se dirigindo para o centro do organismo, barriga ou subindo para a cabeça. Em seu caminho promove as mais variadas modificações do metabolismo do organismo chegando a produzir as mais diversas alterações do pH organismo e da temperatura corporal (pés e mãos gelados versus cabeça quente).

Durante todos estes anos, apreendemos na prática, e a duras penas, que, enquanto a sobreexcitação estiver presente entre o corpo e o campo, nenhum trabalho emocional é eficiente e verdadeiro.
Também aprendemos que apesar de ser possível remover grandes quantidades de
sobreexcitação de uma vez, o procedimento é inviável, pois a pessoa, depois que sua sobreexcitação é descarregada, pode fazer qualquer coisa para retomar a sobreexcitação inclusive passar horas diante de um televisor ou computador ou mesmo nos shopping.
Com isto descobrimos que as pessoas quando descarregam sua sobreexcitação, podem ficar realmente sem
defesas de campo e isto promove uma gama de reações, que podem ir do imediato sentimento de ser abandonado até os mais diversos tipos de pânicos.
Em termos práticos, a sobreexcitação não pode seguir onde está, pois impede a continuidade de qualquer processo terapêutico e não pode sair completamente de onde está, pois isto coloca a pessoa completamente exposta e desorganizada. O que nestes termos significa dizer que a sobreexcitação anda de mãos dadas com a
couraça de campo.

Agora o mais importante; na Arte Org se usa o termo sobreexcitação do campo justamente para diferenciar a dinâmica envolvida na sobreexcitação virtual da dinâmica envolvida na sobreexcitação energética. Em termos dinâmicos a sobreexcitação de campo não costuma ficar parada no mesmo lugar. De acordo com a Arte Org ela é precipitada do corpo para o campo e do campo, (apesar de poder ser descarregada para fora); ela costuma voltar e tomar a direção do corpo promovendo esta quantidade de sensações e sintomas densos já referidos; e neste caso o seu nome já começa a se modificar para ser chamado de {D. Or.}. Logo pode ser direcionada para a terra abrindo todo um espaço de conexões densas relacionadas à profundidade.

Porém uma coisa é certa, durante o processo terapêutico precisamos de procedimentos que coloquem a sobreexcitação em movimento, procedimentos que ajudem a reciclar a sobreexcitação.
Isto não significa que estes procedimentos devam ser orientados para lidar com sintomas que aparecem ligados a sobreexcitação. Isto seria se meter no território das doenças funcionais e isto é um atributo dos médicos ocidentais ou orientais, dos terapeutas especializados, dos naturalistas práticos, etc.
Nossa preocupação está direcionada ao funcionamento geral e sistêmico da sobreexcitação e não com sua sintomatologia adjacente. É lógico que colocar em movimento a sobreexcitação alivia a sintomatologia adjacente, mas este não é o nosso objetivo, isto são conseqüências e faz parte de um trabalho de prevenção e não da atuação terapêutica direta.
É evidente que as pessoas buscam ajuda para aliviar seus sintomas como é evidente que qualquer trabalho terapêutico deve levar isto em consideração, mas centrar os procedimentos para colocar em movimento a sobreexcitação em seus sintomas secundários é perder a
sobreexcitação de vista, ou pior, é manter a sobreexcitação fixada nos sintomas. O melhor que os terapeutas orgs podem fazer pela pessoa é lidar com a situação global e os sintomas e particulares devem ser lidados por outros especialistas.

O outro lado desta questão, é que o mesmo processo de sobreexcitação, nos desvia da atenção do “si mesmo”, isto é, da ausência de si mesmo.
De acordo com nossos conhecimentos orgonômicos, a
sobreexcitação energética deveria ser uma reação da energia organísmica contra fortes fontes de irritação do campo energético na atmosfera (radiação nuclear, indução eletrostática, etc.) que interfere no próprio metabolismo energético do organismo. E, isto, aponta diretamente para o meio ambiente.
Naturalmente, quando as pessoas estão sobreexcitadas e descobrem isto, imediatamente começam a buscar as razões de sua sobreexcitação no meio ambiente e nos outros. Neste caso, a carga sobreexcitada vem dos outros e nunca de si-mesmo.
Acontece que quando conseguimos ir seguindo terapeuticamente o caminho da ausência, outra relação foi aparecendo. A sobreexcitação se mostrou como a contra parte da ausência e aparece numa identidade com a direção de voltar para si-mesmo e para o mundo; Isto é, a sobreexcitação se mostrou como sendo a
defesa da ausência.

Nestes termos, por mais que o meio ambiente esteja emanando sobreexcitação, o mecanismo de se sobreexcitar como um procedimento defensivo dos virtuais coloca a sobreexcitação no âmbito da relação da pessoa consigo-mesma.
A grande pergunta aqui é o que está fazendo um sistema defensivo especializado em reações automáticas de natureza energética, por exemplo, como no caso de radiações nucleares, interagindo com funções perceptivas difusas, como é a caso da ausência de si-mesmo?

Em outras palavras, algo estava acontecendo energeticamente com o “meio ambiente” das pessoas, mais especificamente no território mais intimo das pessoas, ou melhor, no organismo das pessoas. E este algo; quer seja provocado pela ausência ou quer esteja aparecendo junto com ela, quer seja uma ação defensiva ou uma reação ressacosa; faz com que as pessoas reajam se sobreexcitando.

Veja também:

Sobre a sobreexcitação.

As expressões emocionais do ponto de vista do funcionamento virtual.

Sobre a ressaca e os ressacados.

Sobre os estados de espírito, a ressaca e a sobreexcitação.

Sobre a loucura virtual, a depressão virtual, o masoquismo virtual, e os ataques destrutivos contra si-mesmo.
 

 

Sobre os estados de espírito, a ressaca e a sobreexcitação.

[estados_de_densidade]; [estado]; [estado_denso]; [estado_sobreexcitado].

Muitas vezes o conceito de sobreexcitação de campo é usado como sendo um dos elementos da ressaca virtual, outras vezes eles são usados como sinônimos. Porém nem a sobreexcitação está restrita a ressaca virtual e nem a ressaca é idêntica a sobreexcitação de campo. O que significa que o conceito de ressaca e de sobreexcitação se referem a fenômenos diferentes, de domínios diferentes; porém em algumas características são idênticos.

O conceito de ressaca nomeia e qualifica um estado, sendo que este estado, muitas vezes, se funde com sintomas e formas de comportamento como é o caso da loucura virtual, da depressão virtual, do masoquismo virtual e da destrutividade contra si-mesmo.

Já a sobreexcitação é um conceito relacionado à excitação do campo energético que se refere à qualidade da excitação da energia orgone e também pode se apresentar como um estado como é o caso da densidade e da letargia ou mesmo da irritação.

Quanto a temo estado, apesar de sua amplitude de significados, o próprio contexto dos temas que estamos tratando restringe o conceito em torno dos modos de ser ou estar; e, estão relacionados com uma freqüência, com uma sensorialidade e com uma emocionalidade.

Sendo que neste caso (funcionamento virtual) deveria ser mais modo de estar do que modo de ser.

De acordo com a Arte Org esta diferenciação não abarca somente a linguagem; os virtuais são propensos a confundir e mesclar seu estar com o seu ser; e, costumam pressionar o seu estar justamente tentando modificar o seu ser. Em alguns casos, como por exemplos nos estados ressacosos, para que a pessoa possa reconhecer sua ressaca como um estado, como um estar passageiro, ela já precisa estar saindo de sua ressaca virtual.

Deste ponto de vista o conceito de estado se refere a uma situação ou disposição em que se acham as pessoas ou as coisas em um momento dado: estado de saúde; estado de espírito; estado de abandono; (o conjunto) as qualidades ou características com que as coisas se apresentam; (o conjunto) as condições em que a pessoa se encontra em determinado momento (estado de deterioração); condição física de uma pessoa ou animal, ou de alguma parte de seu corpo (estado de coma); condição emocional, psicológica ou moral de um indivíduo em dado momento, que influencia seu modo de encarar as situações, os acontecimentos etc. (estado de espírito; estado de choque).

O que nos coloca numa situação bastante interessante ou inédita; no funcionamento virtual: os estados (seja ele o um estado de espírito; um estado sensorial ou estado afetivo; um estado emocional; um estado perceptivo; um estado alterado de consciência; um estado ausente; um estado confuso ou difuso; um estado de ressaca, um estado de sobreexcitação; um estado denso; um estado pressionado no “aqui”, fixado; um estado fechado, profundo ou afundado) são na verdade os verdadeiros qualificadores do funcionamento virtual. O que significa dizer que o funcionamento virtual é coordenado pelos estados que se encontra o indivíduo (para o funcionamento virtual: equivalentes, portanto, ao carácter ou a maneira de ser e de estar de um indivíduo; os verdadeiros qualificadores da identidade); sendo que estes estados dependem exclusivamente de onde o indivíduo se encontra em sua polaridade ausente (ou em direção ao distanciamento de si-mesmo e do mundo ou em direção ao voltar para si-mesmo e para o mundo) e do nível de organização corporal e perceptiva do indivíduo num determinado momento. Sendo que os demais motivos e motivações externas se constituem em relações que o indivíduo faz com seus próprios estados.

Agora, tanto a sobreexcitação de campo presentes nos virtuais como o encouraçamento de campo dos virtuais, fogem a regra que é operar de acordo com princípios energéticos, ou funcionam de acordo com outras regras que combinam princípios energéticos com funcionamento perceptivo e corporal.

Esta relação entre os estados emocionais, os estados de sobreexcitação e os estados de ressaca nos permite formular uma pergunta histórica relativa ao próprio desenvolvimento da Arte Org: Porque os terapeutas emocionais tinham que andar preocupado com a sobreexcitação do planeta e das pessoas?

E a resposta era simplesmente porque a sobreexcitação alterava o metabolismo da descarga dos indivíduos.
Em outras palavras não existe terapia emocional que resulte numa pessoa sobreexcitada, pois a estratificação das
emoções simplesmente necessita do fator de descarga. Era justamente a descarga de uma emoção como defesa quem permitia uma próxima volta no metabolismo emocional com mais carga disponível que permitia revelar o contacto oculto (função de contacto modificado pelo contacto substituto ou forma de contacto como defesa) que por sua vez, conforme recebia mais carga se transforma na próxima defesa.

O relevante aqui é que já naquela época (primórdios da Arte Org) a maioria das pessoas que buscavam terapia apresentava uma oscilação entre sobreexcitação e ausência; apresentando de forma mais ou menos clara o que podia ser classificado como sintomas da doença {D. Or.}. O que significava que este quadro {D. Or.} proposto por Reich (na década de cinqüenta) estavam presentes nos quadros atuais dos virtuais sobreexcitados (década de 90); sendo que a sobreexcitação era um tipo de reação da excitação bem anterior à reação {D. Or.} e a presença da sobreexcitação de forma generalizada indicavam que a sobreexcitação tinha crescido enormemente, tinha se tornado mais ampla, mais severa e mais próxima da reação {D. Or.} (nos últimos quarenta anos).

Courtney Backer (jornal de orgonomia) tinha chegado à mesma conclusão comparando os testes de sangue feitos por Reich e por ele mesmo numa investigação das biopatias flogísticas (inflamatórias).
Courtney encontrou que o campo energético das células sanguíneas dessas pessoas com biopatias inflamatórias era maior do que o campo das células sanguíneas das pessoas normais; porém, contraditoriamente e apesar disto o tempo de deterioração destas células em formações de bions era equivalente das pessoas com biopatia carcinomatosa.
A conclusão de Courtney foi que a excitação do planeta tinha se modificado, simplesmente atmosfera do planeta já apresentava mais {D. Or.} que na época do Reich e que isto estava mutando o funcionamento celular das pessoas. 

A nossa conclusão (com a descoberta da sobreexcitação de campo) foi que a estrutura de funcionamento das pessoas em geral tinha se modificado. Além disto, a sobreexcitação e o {D. Or.} tinham a capacidade de anular qualquer possibilidade de seguir as reações emocionais de forma estratificada. Tanto a ausência como a sobreexcitação anulavam a efetividade das terapias em geral para lidarem com o funcionamento virtual.

É evidente que neste tempo, nos primórdios da Arte Org, ninguém tinha a menor idéia que logo, logo os executivos e depois os fixados no trabalho iriam arrumar uma alternativa para a doença {D. Or.}, o queimar-se por dentro, ou o secar-se.

Veja também:

Sobre a sobreexcitação.

As expressões emocionais do ponto de vista do funcionamento virtual.

Sobre a ressaca e os ressacados.

Sobre a sobreexcitação virtual

Sobre a loucura virtual, a depressão virtual, o masoquismo virtual, e os ataques destrutivos contra si-mesmo.

 

Sobre a loucura virtual, a depressão virtual, o masoquismo virtual, e os ataques destrutivos contra si-mesmo.

[ressaca_sobreposta]

O próprio funcionamento da ressaca virtual se manifesta como uma defesa do “pôr-se ido” distante. Sendo que, de acordo com a Arte Org, a ressaca de campo ou virtual engloba a sobreposição de ressacas que inclui a loucura virtual, a depressão virtual, o masoquismo virtual, e os ataques destrutivos contra si-mesmo; e muitas outras fixações mais.

Do ponto de vista terapêutico, o caminho proposto pela Arte Org não é adentrar-se em nenhum destes funcionamentos especificamente; pelo contrário, é sair deles reorganizando a percepção e a corporalidade e retomando o funcionamento normal da ausência simples. Porém, para que isto seja possível, o elemento comum entre eles é a ressaca corporal e perceptiva, energética (quando a sobreexcitação de campo já se moveu do campo para o corpo); o que significa dizer que neste caso precisamos de procedimentos especializados para mover a sobreexcitação de volta do corpo para o campo; como os exercícios procedimentos que se encontram localizados na fase (ou ciclo) da ressaca. Que são efetivos para quando o funcionamento do indivíduo não seja tão grave. Com todos os cuidados necessários evidentemente, pois se adentrar no funcionamento da ressaca já é especificar muito.

Agora, para a compreensão dos processos e procedimentos envolvidos na ressaca virtual sim precisamos saber diferenciar e reconhecer as funções depressivas, a loucura, e o masoquismo. Apesar da depressão propriamente dita, do desdobramento esquizofrênico e do carácter masoquista propriamente dito, serem estruturas de funcionamento em extinção, ainda precisamos saber como diferenciar estas antigas estruturas de seus correspondentes funcionamentos virtuais.

Um virtual masoquista funciona tal qual um carácter masoquista em sua plenitude. Com a diferença de que o carácter masoquista tem seus traços integrados com a sua forma de relacionar-se com o mundo, e serve como defesa dos perigos do funcionamento do mundo e dos perigos da angústia interna, e, além disso, como a “maneira” de estabelecer contacto com o mundo. Os traços masoquistas têm a função específica de consumir a angústia ou energia estásica.

Agora, o virtual, quando masoquista, vai continuar se defendendo do mundo da maneira virtual e a se defender do “nenhum-lugar”, em geral, e da “ausência”, em especial, da maneira masoquista. Vai continuar se relacionando com o mundo da maneira virtual, porém revestido da queixa masoquista; porém, sua angústia estásica é consumida pela ausência desconectada.

O mesmo é válido tanto para as estruturas depressivas e para o desdobramento esquizofrênico.

Veja também:

Sobre a sobreexcitação.

As expressões emocionais do ponto de vista do funcionamento virtual.

Sobre a ressaca e os ressacados.

Sobre a sobreexcitação virtual

Sobre os estados de espírito, a ressaca e a sobreexcitação.

 

Sobre a divisão, a cisão, a mescolância e o desdobramento.

[função_de_dividir][divisão]; [separação]; [sobre_posição] [cisão]; [desdobramento]; [mescolância]; [fusão].

Aqui cabe esclarecer que o mais comum é encontrar estes termos como sinônimos. Sendo que algumas traduções de Reich usam o termo cisão enquanto outras traduções usam o termo desdobramento.

Para a Arte Org, não importa qual termo o conceito vai ser usado, mas sim importa a diferença funcional entre uma situação e outras, e neste caso se trata de quatro processos funcionalmente diferentes.

Em primeiro lugar, divisão ou separação (separação de um processo unitário em duas ou mais tendências autônomas, antagônicas, porém inter-relacionadas).

Em segundo lugar, sobreposição, divisão, ou cisão (separação com ruptura de um processo unitário em duas ou mais tendências autônomas, antagônicas, alternadas ou sobrepostas. Duas ou mais funções sobrepostas de forma separada ou mesclada).

Em terceiro lugar, sobreposição ou mescolância (fusão parcial de tendências divididas ou cindidas, tendo como base a inundação de territórios funcionais).

Em quaro lugar, cisão e desdobramento (alternância territorial da cisão e fusão numa única experiência).

Por isto podemos falar que a pessoa se dividiu; cindiu-se ou se desdobrou para dizer que a pessoa se percebeu em algum lugar onde o corpo não estava ou quando percebeu a si-mesma ou seu próprio corpo estando fora do seu corpo real; ou se dividiu ou cindiu quando apresenta diferentes personagens ou personalidades; ou mesmo que está cindida e desdobrada para quando está em surto; ou de cisão ou desdobramento para o processo esquizofrênico e seus delírios.

Em termo simples, os virtuais inclusive os (virtuais) desorganizados; costumam dividir, separar, sobrepor e logo mesclar; porém não alcançam o status de cindidos ou desdobrados quando este conceito significa fundir-se numa mesma experiência apesar de estarem intencionalmente apontando para esta direção; e quando isto ocorre entram no domínio da loucura. E isto não costuma ocorrer justamente porque a ausência separa a experiência perceptiva da corporalidade e o restante do processo; mesmo a fusão fica restrita ao domínio difuso. O propõe que o perigo se encontra no voltar para si mesmo quando a percepção volta a se aproximar da corporalidade; ou então quando o próprio campo energético (sobreexcitação) entra na fusão.

Além disto, estamos diante de uma situação que os conceitos são parecidos e indefinidos, portanto, o melhor aqui é qualificar e contextualizar a própria frase; usando, por exemplo, divisão perceptiva para as situações duplas e sobrepostas ou desdobramento esquizofrênico qualificando o processo, que deixou de ser simplesmente desdobrado para ser delirante.
 

 

Sobre o encouraçamento do campo e a sobreexcitação nos virtuais.

[couraça_de_campo]

Seu nome mais apropriado seria couraça do campo virtual; mas isto confunde, pois pensaríamos que estamos lidando com um tipo de couraça de campo como se fosse uma representação do encouraçamento do campo real; e não é assim, não é somente a percepção de campo real e a percepção de campo sobreposta que se encouraça, mas o campo real também. Neste caso vamos usar o nome longo encouraçamento de campo dos virtuais para evitar confusões.

Que no caso do funcionamento virtual significa que ele não só derrubou o encouraçamento normal presente no carácter incluindo o encouraçamento muscular como criou uma nova versão do encouraçamento; um encouraçamento de campo a partir da sobreexcitação, porém também temos outros elementos além da sobreexcitação operando na composição da couraça de campo.

Nossa hipótese para o encouraçamento de campo dos virtuais é que essa couraça de campo virtual unifica cinco processos diferentes. O próprio campo pessoal (campo de energia real), o funcionamento desvairado da percepção difusa, o campo perceptivo, o campo perceptivo virtual (sobreposto) e a sobreexcitação propriamente dita. Diante de todas as traquimanhas que já conhecemos da couraça de campo e das que não conhecemos ainda; a sobreexcitação é o mais fácil de ser abordado (porém sabemos que a sobreexcitação não á abarca nem uma parte do que está em jogo) o restante ainda está em compasso de espera para ser mais bem compreendido.

Sendo que, de acordo conosco, a sobreexcitação é coordenada desde a, ou através da corporalidade; por sua vez, a couraça de campo dos virtuais é mantida constantemente pela ação da percepção difusa em movimento e pela sobreexcitação de campo emanada do próprio corpo para o campo.

Até onde sabemos a diferença entre o encouraçamento energético (do campo do planeta; do campo da atmosfera; ou do campo dos seres vivos em geral) do encouraçamento de campo dos virtuais é que nestes, não é necessária uma fonte de irritação energética externa; isto é, pode ser assim, mas não necessariamente.

Nossa primeira explicação para o funcionamento virtual, é que nesse caso temos o campo pessoal contraposto à paralisia periférica (pele) (certo tipo de anestesia criada pelo próprio ausentar-se e ampliada pelas desconexões; inclui a torpeza ou descoordenação da periferia comum a todos os virtuais; tem a função de possibilitar o ausentar-se); contraposta também contra as energias livres de massa que inventam de entrar em movimento não sincrônico pelo campo pessoal. Porém, o antagonismo mais importante se dá entre a função ausente (ido-distante) e a sobreexcitação.

O que significa dizer que ou é a própria ausência; ou um determinado nível de ausência quem acaba de alguma forma estimulando ou provocando a sobreexcitação (de campo); isto é provocando a liberação da sobreexcitação do corpo para o campo; ou é o próprio movimento da percepção difusa ou um tipo de movimento específico desta percepção (energias livres de massa) envolvida na ausência quem sobreexcita o campo pessoal; de forma direta no campo pessoal ou no campo do lugar, ou indiretamente através das emanações de sobreexcitação desde o corpo para o campo. Postulamos que a corporalidade (Mim) cumpre um papel ativo neste processo; que ele de um momento para o outro assume a posição de defesa e libera a sobreexcitação para o campo; mas isto só aparece enquanto quando a dinâmica das defesas pode aparecer na superfície; pois até este momento o processo parece ser aleatório e automático; mais parecido com a ressaca; bebeu além da conta; tome ressaca.

E, até onde podemos acompanhar estes processos praticamente, podemos afirmar que a sobreexcitação de campo não ocorre em todos os casos concomitante com a ausência ida, mas um pouco depois, a não ser que a pessoa tente se ausentar quando já está sobreexcitada. É como se a pessoa começasse a emanar sobreexcitação do corpo para o campo logo depois da ausência. Portanto, a sobreexcitação se encontra mais próxima do voltar para si-mesmo do que do ausentar-se de si mesmo. Parecido com um polvo que laça na água sua tinta para distrair os seus inimigos.

Deste ponto de vista a sobreexcitação encontra-se no princípio de toda e qualquer ressaca virtual e se manifesta como sendo a principal defesa contra a própria ausência (ido-distante-desconectado). Também se encontra presente como um dos principais fatores do encouraçamento de campo; e, foi o processo mais investigado. Isto não significa dizer que o processo já está satisfatoriamente compreendido; pois ainda faltam muito para compreender do funcionamento da sobreexcitação em si e da couraça de campo em particular.

É importante esclarecer aqui que estamos falando de um processo com muitas e muitas camadas sobrepostas e fundidas e que aqui estamos colocando somente um esboço das forças e contra forças nele envolvido. Para começar, é muito difícil investigar o desenvolvimento tanto da sobreexcitação de campo como da ausência, quando as pessoas já se encontram desorganizadas (além da desorganização normal presente em todo e qualquer funcionamento virtual) ou mesmo ressacosas, estressadas e com desconexões por todos os lados. Para esta investigação, o nosso ponto de partida deveria ser quando as pessoas ainda conseguem se colocarem simplesmente ausentes; e, isto está cada vez mais difícil. Em segundo lugar a pessoa deve estar capacitada a acompanhar perceptivamente e sensorialmente tanto sua ausência como sua sobreexcitação; e isto requer de um largo caminho terapêutico já recorrido.

De acordo com nossa experiência terapêutica, o processo da sobreexcitação de campo pode ser divido em três partes e não necessariamente seqüenciadas ou separadas. A primeira quando se precipita a sobreexcitação no campo pessoal, fora do corpo, ou do corpo para o campo. A segunda, quando o corpo começa a reabsorver a sobreexcitação (do campo para o corpo, seja sugada a partir do corpo ou empurrada a partir do campo). A terceira, o redirecionamento perceptivo da sobreexcitação para o campo do lugar ou para a terra (profundidades).

O que sim temos claro é que conforme a pessoa começa a acompanhar a sua ausência para “nenhum-lugar”; o processo de sobreexcitação fica mais claro e mais ativo, principalmente durante o voltar para si-mesmo e para o aqui do lugar; isto é, sai de sua posição de conseqüência (ressaca) e aparece mais como defesa; ou melhor, como função antagônica da ausência; que poderia ser chamado de presença energética forçada, ou animistamente falando, a forma que a energia (ou a pessoa; ou parte dela) arrumou para forçar a pessoa a voltar para seu próprio corpo.

Também é bom considerar que a nossa política não é atacar a sobreexcitação diretamente, pois ela atua diretamente na formação da couraça de campo, e derrubar a couraça de campo, nem pensar, pois isto costuma ampliar as dificuldades em todos os sentidos e provocar justamente a desorganização do funcionamento virtual. O que significa que a desorganização do funcionamento virtual vai junto com a desorganização da couraça de campo e a pressão do “aqui” também.

Na Arte Org, a flexibilização da couraça de campo deve ser o mais gradativa possível e vai junto com o desenvolvimento do volume corporal e perceptivo que são condições funcionais e energéticas que podem substituir o encouraçamento de campo.

Até onde sabemos; a couraça de campo é extremamente dinâmica e sensível; não é como o encouraçamento do carácter e nem como a couraça muscular que podia ser flexibilizada; aqui a questão da flexibilização é substituída pelas pautas da relação consigo-mesmo e entre elas está o aprendizado de se relacionar com a própria couraça de campo Portanto, a nossa política é ir reciclando a sobreexcitação enquanto conseguimos aprender a lidar com nossas próprias defesas.

E para terminar este assunto, a compreensão mais simples que temos da couraça de campo é que o sistema de contenção, de defesa e de contacto (couraça) se desloca da pessoa para o seu campo pessoal; e deste se coliga ao campo do lugar; sendo que no campo do lugar podemos encontram as nossas coisas; as demais coisas; e, os “outros”.
Dito de uma forma mais direta, no
funcionamento ausente virtual as defesas do “um” se encontram nas “coisas” e nos “outros”.

Uma brincadeira que não é nada interessante certo?

Pois é, que as relações trafeguem pelo mundo das simbioses, dependências e manipulações já é jogo duro; agora, que a couraça defensiva também esteja se deslocando do “um” para o “outro” e vice-versa; eis aqui um assunto que pode colocar eriçado todos os pelos de qualquer Reichiano.

Se o fenômeno que deve ser lidado é com o deslocamento da couraça de campo para fora do campo pessoal ou para dentro do próprio corpo; é melhor começarmos a tomar providências desde o início.

A primeira delas: - por mais justificado e enraizado que estejam os conflitos atuais de um virtual no mundo externo; o assunto “deve” ser resolvido no âmbito da relação da pessoa com ela-mesma e esse é o primeiro procedimento para conseguirmos deslocar o encouraçamento da pessoa de volta para a pessoa.

Em segundo lugar a ética que “devemos” utilizar para conseguir lidar com a situação geral do funcionamento ausente virtual; tanto consigo-mesmo como com os “outros” (sendo o “outro” o “um”; e o “um” o “outro”); é a ética das relações de campo no campo do lugar. Que em nossos termos significa: entrou no campo da pessoa é de responsabilidade da própria pessoa. E a primeira coisa que a pessoa faz para se livrar desta ética (mesmo não a conhecendo) e estabelecer relações históricas com seu próprio passado de tal forma que possa diluir ou transferir esta responsabilidade. Isto sem falar na mania de exposição de muitos virtuais que acham que o passado é como uma vitrine de exposição; ou ainda das intenções secretas ou manifestas de alterar o passado para modificar o presente.

O que significa dizer que para manter a couraça de campo funcionando de certa forma flexível a pessoa precisa aprender a ir se responsabilizando por seu próprio campo e por seus estados. E que a forma mais fácil de falar disto envolve duas questões; o sentido de proteção e a sensação de exposição. Perder a couraça de campo envolve justamente perder o sentido de proteção e o se expor.

Veja também:

Sobre a sobreexcitação.
Sobre o encouraçamento do campo energético.

As expressões emocionais do ponto de vista do funcionamento virtual.

Sobre a ressaca e os ressacados.

Sobre a sobreexcitação virtual

Sobre os estados de espírito, a ressaca e a sobreexcitação.

Sobre a loucura virtual, a depressão virtual, o masoquismo virtual, e os ataques destrutivos contra si-mesmo.

Sobre o eu dividido e as divisões do eu.
 

 

Sobre o eu dividido e as divisões do eu.

[eu_dividido]

Sobre a Identidade:

[identidade]

Identidade:
Estado do que não muda, do que fica sempre igual. Conjunto de características e circunstâncias que distinguem uma pessoa ou uma coisa e graças às quais é possível individualizá-la. Conjunto de caracteres próprios e exclusivos de uma pessoa: nome, idade, estado, profissão, sexo, defeitos físicos, impressões digitais, etc. Cédula de identidade. Ex: a identidade das impressões digitais revelou o assassino
O aspecto coletivo de um conjunto de características pelas quais algo é definitivamente reconhecível, ou conhecido: estabelecer a identidade de peças tombadas. 
Consciência da persistência da própria personalidade. Ex: Crise de identidade. Perda de identidade.
O que faz que uma coisa seja a mesma (ou da mesma natureza) que outra. Qualidade de idêntico: Há entre as concepções dos dois, perfeita identidade.  Ex: eles têm identidade de pensamento.
Identidade visual. 
Personalidade visual da empresa, resultante do efeito iterativo das características comuns de suas imagens visuais. Conjunto de elementos gráfico-visuais padronizados (logotipo, uniformes, embalagens, papéis de correspondência, etc.) que estabelece essa personalidade.

Sobre o eu.

[eu]

Eu:
Pronome
pessoal.
Palavra usada por aquele que fala ou escreve para se referir a si mesmo, quando gramaticalmente é o sujeito da oração. Ex: <eu vou sair> <eu sou professor>.
Substantivo masculino.
A individualidade da pessoa humana. A personalidade de quem fala.
Derivação: por extensão de sentido.
Forma assumida por uma personalidade num momento dado. Ex: Meu eu de outrora não mais existe.
A individualidade metafísica da pessoa: Ex: “No momento em que ela [a inspiração do poeta romântico] se lhe revela..., inspiração e expressão vão de par, indivíduo e universo consubstanciam-se,
o eu e o não-eu integram-se” (João Gaspar Simões, Liberdade do Espírito, p. 34). 

Individualidade.

[individualidade]

Individualidade:
A individualidade da pessoa humana. A personalidade de quem fala. A forma assumida por uma personalidade num momento dado. Ex: meu eu de outrora não mais existe.

O certo seria usar o termo Eu para se referir ao ser na primeira pessoa e usar identidade para se referir ao conjunto de qualidades específicas e especiais do ser. Porém, muitas vezes eu uso o termo identidade como sinônimo de Eu simplesmente porque não estou acostumado a usar o termo individualidade.

Muito provavelmente as bases funcionais do Eu e da identidade sejam as mesmas, isto é, uma mesma função; ou aspectos diferentes de uma mesma função; porém, acompanhando o processo do desenvolvimento, no humano pode ser também que elas sejam realmente separadas; agora, no funcionamento virtual elas sim se separam; sendo que às vezes temos a impressão que o Eu permanece no mesmo lugar com um ser unitário e único; enquanto a identidade sai se dividindo e estabelecendo as mais diversas conexões e identificações; e outras vezes, temos a impressão que a identidade é quem fica parada e fixada num mesmo estado enquanto o Eu sai aprontando das suas. Na maioria das vezes podemos dizer que o Eu é quem se diluí para conseguir fluir e tocar outros horizontes (nesta e em outras dimensões) enquanto a identidade se agarra, se aferra e se ancora nos locais mais insólitos do planeta em busca de seus pertences ou de suas raízes.

Sobre o eu-dividido dos virtuais e a subjetividade.

[eu_dividido]; [subjetividade].

Os virtuais não permanecem numa só posição do Eu; isto é, eles não apresentam um Eu constante; muito pelo contrário, o que eles apresentam é uma alternância na vivência do Eu. Tanto é assim que o costume é caracterizar os virtuais como personalidades divididas ou múltiplas; ou multifacéticas; por definição incoerente e contraditória ou em constante conflito.

Os virtuais a cada dia suportam menos viver de acordo com uma identidade seja ela qual for; ao mesmo tempo em que eles não suportam viverem desenraizados de suas próprias identidades. Por um lado estão sistematicamente e constantemente bombardeando sua própria identidade de todas as formas e o esforço para modelar sua identidade a partir do dever ser é somente mais uma da muitas maneiras de não deixar a identidade tranqüila; sendo que o dever ser muda suas diretrizes a cada momento; e por outro lado se agarram em qualquer ponto externo ou interno, no campo, no corpo ou fora dele, principalmente nos aspectos escuros (profundo, cavernoso) de seu próprio funcionamento como eixo de sua noção de identidade. O que significa dizer que o indivíduo em questão vai colocar seus vários eus com suas diversas identidades no centro dos acontecimentos; e de forma sobreposta, pressionada e fixada.

Ocorre que o funcionamento virtual (paradigma) modificou a dinâmica dos conflitos; o que na dinâmica do carácter recaia sobre a pauta da relação eu-outro sociedade; na dinâmica virtual passou para a relação consigo-mesmo (mantendo - em muitos casos - o discurso da relação eu outro como fachada, como escudo); com isto, o que era identificar e reconhecer os outros passou a ser identificar e reconhecer a si-mesmo.

Ocorre que a maioria destas características físicas especiais usadas para identificar as pessoas como seres únicos, não costumam servir para o reconhecimento da identidade da própria pessoa, com ela mesma.
Ocorre também que quando se muda do domínio das coisas físicas para o domínio da mente ou da
consciência; ou simplesmente para o domínio subjetivo; a questão da identidade se transforma em algo bem mais complexa e intruncada do que simplesmente reconhecer ou diferenciar as pessoas como seres únicos e unitários. Entrando outros fatores em jogo como as características da personalidade de cada um que no funcionamento estruturado era moldado pela própria couraça; e no funcionamento virtual virou um salve-se quem puder.
Como exemplo, sito aqui a identificação (funcionalmente ou fisicamente parecido, da mesma natureza ou categoria) com a figura paterna e materna que pode ser encontrada como tendência no funcionamento das pessoas, nos estudos de como se dá o desenvolvimento infantil, na estruturação terapêutica das mais variadas correntes, principalmente na psicologia dinâmica.

Porque mesmo nas postulações psicológicas o processo de se identificar (copiar, encontrar semelhanças) com os outros aparece como um dos principais elementos na composição da identidade?

Bem pode ser que inicialmente o processo de identificação com os outros não esteja a serviço de modelar a identidade, mas sim a serviço de se relacionar com o mundo e de apreender dele. A questão seria então porque que ele deixe de operar como uma forma de relacionar-se com o mundo e de aprender do mundo para invadir o domínio da identidade dos indivíduos de tal forma que muitos pensam que sem a identificação com a figura paterna e materna, ou com qualquer outra figura, não existe identidade ou personalidade.

Reich postulava que as crianças auto-reguladas (saudáveis) não desenvolviam esta busca “neurótica” de identificação fixada nas figuras dos pais, que o processo de identificação se dava com as crianças de sua mesma idade. Ele pensava que a fixação paterna já era uma conseqüência da neurose.

A obrigatoriedade da identificação com as figuras paternas apresenta uma norma que foi aceita como natural durante muito tempo que simplesmente se constitui num contra-senso; pois a identificação com qualquer outro que molde ou modele a identidade vai justamente se contrapor com o elemento mais importante da identidade que é nascer crescer e se desenvolver como um ser único e individual inserido numa família, numa cultura, e principalmente num meio ambiente.

Nestes termos o sentido psíquico ou mental de pertencer também é um perigo para a identidade individual e vice-versa; pois diz que para pertencer a uma nação, a uma cultura ou a uma família não se pode ter uma identidade própria, sendo que na prática se sabe que isto não é assim, e não é assim nas coisas mais cotidianas e importantes como na criatividade. Se a criatividade pode combinar tanto os elementos culturais como as tendências individuais, porque a identidade não pode?

Na época da estrutura do carácter não podia e o culpado disto era a relação funcional entre a estrutura de carácter e a moral social. Mesmo assim o indivíduo se rebelava, se revoltava, virava rebelde, principalmente na adolescência quando tinha força vital para tentar ser do seu próprio jeito, e acabava mantendo em sua identidade a identidade do outro por contraposição. Parece uma maldição; primeiro a pessoa como criança se identifica, depois se rebela, e logo compacta tudo isto num funcionamento estruturado e logo o individuo está pronto para viver em sociedade.

Porém estas são questões que surgem quando se olha para o funcionamento do antigo império do carácter; agora, depois da revolução virtual, do advento do funcionamento virtual, que muitos identificam entre o período da modernidade e o da pós-modernidade; cabe se perguntar por que mesmo que as pessoas fazem tanto esforço para serem cópias uma das outras?

Não que o fenômeno de identificação inicial seguido da rebeldia desapareceu; mas eles não cumprem a mesma função na economia perceptiva (psíquica) e também não se estruturam num funcionamento.  O problema deixou de ser identificação e desidentificação com os pais para ser identificação massiva e generalizada e vale para tudo regendo inclusive a economia de mercado.

Mesmo a capacidade para ter experiências subjetivas pode ser compreendida como algo ontologicamente a priori de toda experiência, algo evolutivamente adquirido e geneticamente herdado que pouco deve a cultura particular de cada um; sendo o que fica para cada um é justamente a experiência adquirida com as experiências vividas; e isto acaba resultando que cada um vai compor uma consciência de si e do mundo única e individual; supostamente, mesmo que duas pessoas tenham as mesmas experiências de vida, estas duas pessoas vão acabar sendo diferentes uma da outra; o que deveria deixar o esforço de ser igual a este ou aquele fora do contexto da realidade.

Muito coerente; porém se sabe que isto deveria ser assim, ou que no fundo é assim; mas não reflete a intencionalidade do funcionamento das pessoas.

Inclusive nos textos, nas investigações científicas ou no meio acadêmico, o conceito de individualidade só aparece como um postulado geral onde a identidade, só aparece quando as diferenças se revelam materialmente como no caso da constituição dos seres.

Agora, diante de seres da mesma espécie, constituídos dos mesmos elementos, como no caso extremos dos gêmeos ou dos clones, então as diferenças só podem ser formuladas e compreendidas como um conceito a partir do desenvolvimento das experiências subjetivas de cada um.
O que significa dizer que sem a subjetividade todos seriam exatamente iguais; o que é um tremendo erro do pensamento, inclusive atual. Se tanto a unidade energética, como a unidade material, como suas experiências subjetivas apontam para o desenvolvimento do ser como uma unidade individual inserida num contexto que convive com os outros seres de sua mesma espécie e de outras espécies; significa dizer que a subjetividade é somente mais um domínio onde a unidade do ser se manifesta como uma identidade.

Porém na prática, mesmo no domínio da subjetividade, eu conheço poucas pessoas que apresentam em seu discurso manifestações de sua consciência de si e do mundo como um ser único e individual. O tema mais parece um tabu, intermediado pelo susto da solidão e contraposto pela dimensão lingüística que valoriza e configura o ser humano a partir da convivência grupal. A tal ponto que o conceito de subjetividade que deveria ser relativo à experiência única e individual de cada ser (pois trata do eu penso, eu sinto, eu experimento, relativo à vivência única de cada um) se transforma num elemento que configura e caracteriza os diferentes grupos sociais (repetindo o antigo modelo das castas); a subjetividade das mulheres versus a subjetividade dos homens, a subjetividade das donas de casa versus a subjetividade das empregadas domésticas (a conjugação de verbo nós em torno do pertencer por afinidade ou por obrigação, por profissão ou por nascimento a um determinado grupo); e assim vamos mesclando e desconfigurando todas as coisas.

Na história do desenvolvimento da espécie humana; os esforços individuais, sociais e culturais realizados em torno das diferentes formas de moldar os carácteres dos indivíduos; com estas ou aquelas características, com esta ou aquela identidade, foi muito grande e durante muito tempo para que não seja tomado em consideração. A própria estrutura do encouraçamento do caráter que se repetia automaticamente produzindo grupos de indivíduos funcionando do mesmo jeito é um bom exemplo da modelação da identidade e da personalidade.

Quanto ao homem atual, o relaxamento estrutural produzido pelo funcionamento virtual, que aparentemente deveria permitir e possibilitar que cada um fosse mais cada um na convivência com os outros, revelou que se separar da manada e continuar habitando em seu próprio meio continua não sendo tão simples assim. Muito pelo contrário, pois além dos conflitos em relação à identidade se manifestarem como elementos centrais de desconformidade humana; a própria noção de identidade está sendo bombardeada e desconfigurada por todos os lados.

A única coisa que posso acrescentar aqui para completar este raciocínio; além de minha tradicional postulação de que a questão da identidade de cada um deve ou deveria ser lidada no âmbito da relação de cada um (consigo-mesmo), antes de se tornar uma questão de domínio público; é que diante da confusão que os virtuais estão montando em torno de sua própria identidade, cada vez tenho mais claro que isto é somente a ponta de um iceberg que ainda não revelou claramente a sua natureza e nem a sua dinâmica; simplesmente esta questão e seus atores coadjuvantes se encontram longe de ser compreendida; portanto; é um assunto que no mínimo deve ser tratado com muita cautela e cuidados.

Sobre a função eu e a função identidade.

[eu_identidade].

A função “eu” e a função “identidade” são irmãs gêmeas, bisnetas longínquas das funções de energia orgone livre de massa, que apesar de serem um contínuo infinito de energia, levam consigo a mágica da individualidade, do ser único. Cada micro vesícula de energia, ao mesmo tempo em que é idêntica ao mar de orgone, que nasce do mar de orgone e se dissolve neste mesmo mar de orgone; durante sua vida, enquanto estiver contida por uma membrana energética, ela é única. E é única não porque seja constituída de forma diferente das outras vesículas, mas porque seu campo de energia a mantém como uma unidade coesa e porque tem uma freqüência única. Quando percorre seu caminho espiralado (onda), e se expande e se contrair (pulso), monta um percurso de vibrações que lhe é único no tempo e no espaço. Isto é, mesmo que cada vesícula de energia nasça do mesmo campo orgone; que sejam constituídas pelo mesmo orgone; que se mova pelo espaço da mesma forma em ondas espiraladas e tendo a mesma propriedade de expandir e contrair; o percorrido de uma vesícula que a leva a se contrair num lugar do espaço, para continuar seu percorrido e se expandir em outro lugar do espaço; monta uma freqüência de movimento única, diferente de todas as outras vesículas. O que significa dizer que as funções Eu e Identidade são primas irmãs longínquas do tempo e do espaço.

Além disto, a função “eu” e a “função identidade” são netas do sistema bioenergético de defesa. Na vida esta mesma função onda e pulso se cruzam e entrecruzam e se manifestam numa vibração única em cada ser vivo. É a partir desta vibração que o sistema imunológico se desenvolve tornando-se capaz de identificar se uma determinada parte pertence a este organismo específico; agora, se esta outra parte vibra diferente, é uma invasora.

Como não poderia faltar à filiação direta, a função “eu” e a função “identidade” são filhas diretas do ramo perceptivo; este que acompanha, pertence e define os seres vivos da mais simples das amebas até o mais complexo dos humanos. Aqui, no ramo perceptivo; conforma a vida vai se desenvolvendo e ficando complexa; os processos vão se parecem como uma trepadeira segmentar; com uma mistura de vegetal e animal; ao mesmo tempo em que participam de um mesmo ramo, criam raízes em várias partes e nestas partes funcionam de maneira independente. Nível de experiência, forma de defesa, vida vivida, experiência adquirida, e nível de memória se combinam nesta interação e se diferenciam e se defendem entre si nesta complexidade do humano; sendo que junto com tudo isto, também está presente às ramificações daquilo que nos seres humanos chamamos de Eu e de identidade. Enquanto o “eu” se apresenta como uma onda em direção a (movimento no espaço), a identidade se apresenta como um pulso de experiência (movimento no tempo), onde cada nível apresenta uma correspondente memória que também se ramifica. A onda é mais espaço, o pulso é mais tempo. Enquanto a função Eu é uma identidade que se move; a função Identidade é um Eu que permanece.

A identidade como uma função é um processo que identifica um ser-vivo como parte de uma espécie, e como um ser único dentro desta espécie; que se manifesta objetivamente na forma material e na constituição que apresenta este ser; que também se manifesta na subjetividade da experiência vivida por este ser; escapa do domínio da constituição material e do desenvolvimento subjetivo da percepção para se enraizar na capacidade energética deste organismo manter-se coeso e se colocar em movimento. Portanto; é só observar dois seres em movimento (clones) que a diferença entre eles vai se manifestar. O que significa dizer que a capacidade de se perceber como um ser único inserido num determinado contexto passa pela capacidade de se colocar e se perceber em movimento e de parar ou modificar o movimento e sua percepção. Eis aqui as bases com as quais podemos chegar até o Eu, até a identidade e a subjetividade, sem colocar os elementos e os passos anteriores dados pelo desenvolvimento da vida num estado de imobilidade ou inexistência dissecada ou catatônica.

Sobre o Self.

[self]

Self:
Substantivo masculino.
Rubrica: psicanálise.
Sentimento difuso da unidade da personalidade (suas atitudes e predisposições de comportamento).
indivíduo, tal como se revela e se conhece, representado em sua própria consciência.
Etimologia. Do inglês self, tomado substantivamente. 'De ou por si próprio'.

O que nos complica um pouco, pois ou este Self não é o mesmo que Eu-profundo ou Eu-espontâneo, ou esta definição veio depois do advento do funcionamento virtual.

Na Arte Org O “Self” é a maneira como nomeamos o “Eu” profundo ou o “Eu” espontâneo. Em nossa linguagem chamamos o “Eu” que se encarrega de organizar a experiência do amor, da plasticidade, da espontaneidade genuína de “Self”.

O significado que damos para Self pode não ser o mesmo significado que anda circulando por aí. E ai não tem jeito, ou chamamos o que pensamos que é o Self de alma corpórea ou então continuamos chamando de Self e avisamos que neste caso se trata da experiência sutil e profunda, espontânea e na maior parte das vezes criativa; da pessoa que se desloca para a superfície.

Se quisermos ser mais literais, o meu Self significa o que concerne a minha pessoa, e o Self ou experiência sélfica significa a parte bonita do interior de um ser corpóreo. E só lembrar disto que você entende do que estamos falando quando falamos do Self. 

Sobre o Eu; o eu-difuso; o eu-descorporificado; o eu-observador; o eu-organizador; o Mim e o Eu-coligado.

[eu_mim_coligado]

Identidade descorporificada.

[eu_descorporificado]

Na Arte Org, principalmente na fase inicial da terapia, não podemos e não devemos trabalhar diretamente com a identidade do indivíduo; mas sim, esperamos que ela vá se manifestando como decorrência do trabalho de organização da corporalidade. Isto é, para nós, no funcionamento virtual a organização da identidade passa pela organização da corporalidade. A ausência virtual envolve justamente a descorporificação da corporalidade, portanto o que temos inicialmente no funcionamento virtual é uma identidade descorporificada que se encontra sobreposta por um tremendo esforço de compor uma identidade qualquer mudando constantemente de identidade. 

Agora, quando estes indivíduos ditos virtuais ainda conseguem manter sua capacidade de se ausentarem (de si-mesmo e do mundo e de voltar para si-mesmo e para o mundo) relativamente funcionando, o trabalho de reorganização da corporalidade e da percepção cumpre o que promete; porém, quando esta capacidade já entrou em colapso e a pessoa se encontra amarrada em qualquer uma das etapas de seu esgotamento e de sua ressaca; a questão da identidade se manifesta de forma bem mais intruncada e complexa. Neste caso não é somente que os virtuais apresentam uma confusão em torno de suas identidades; não é somente uma questão da divisão da identidade ou de múltiplas personalidades; além disto, temos uma pressão sobreposta por vários lados sobre a identidade seja ela qual for; e não é somente sobre um tipo de identidade ou outro, ou sobre aspectos da identidade; mas sim sobre a própria noção de identidade.

Por um lado sabemos que terapeuticamente só podemos aprofundar o trabalho com a forma de organização da identidade virtual em fazes mais adiantadas do processo terapêutico, quando a pessoa já sabe relativamente lidar com sua própria ausência dela-mesma e com voltar para ela mesma. Por outro lado à pressão sobreposta e fixada precisa ceder inclusive para que o processo de organização da corporalidade e da percepção possa seguir seu curso.

O que também significa dizer que as nomeações a seguir são válidas para o desenvolvimento do processo terapêutico e não diretamente para a pressão exercida (pelo próprio indivíduo) sobre a própria identidade; ou sobre o eu que vive no cotidiano; pois este já tem problemas demais em torno de seus conflitos de identidade para que nos dediquemos aumentar o seu dever ser.

Identidades dos virtuais relacionadas ao desenvolvimento do processo terapêutico da Arte Org.

[identidades_virtuais]

Na Arte Org nós usamos “Eu” ou “eu” para nos referir de forma geral ao eu cotidiano.

Usamos o termo eu-difuso; eu-etéreo ou o não-eu para o eu estruturador da função virtual; este é o eu envolvido com a ausência e com a percepção difusa, se encontra fora da organização da consciência objetiva e da organização linear, portanto fora do universo da linguagem objetiva e seu maior parecido é com o próprio Self.

Usamos o termo eu-descorporificado como a contraparte da identidade do eu-difuso, ou o correspondente terráqueo do eu-etéreo. Ele aparece fora do contexto da ausência ida; está direcionado para o mundo das pessoas e das coisas; carrega consigo as reminiscências da freqüência e da conexão envolvida com o estar difuso e ausente.

Ao que tudo indica, contra todos os costumes e todas as tradições, o eu-descorporificado (também chamado de fabricante de super-homens) perdeu a capacidade de diferenciar a conexão cósmica com a vida comum e corrente no planeta terra, ou então acha que pode reinventar a partir de sua própria visão do mundo, o jardim do Éden na terra.

Usamos o termo eu-observador; também chamado de eu-intermediador ou eu-terapeuta (que também se compõe como uma identidade e se diferencia do eu-difuso porque se aproxima mais da percepção organizada, da consciência e do universo da linguagem) para identificar o eu que interage na relação consigo-mesmo.

Para que a função de observar possa aparecer como identidade ela precisa aprender a sentir ou a pessoa precisa aprender observar sentindo; cabe esclarecer agora que; na verdade, o eu-observador que costuma aparecer no funcionamento virtual já não é mais o famoso observador distanciado dos tempos antigos, que ficava prestando atenção nas coisas sem se comprometer com elas. Conforme os virtuais vão ficando mais ressacosos e fixados, o eu-observador costuma ir se metamorfoseando no infernal grilo falante virtual (com a diferença dos contos de fada que este maneja a culpa do dever ser e a angustia existencial catastrófica). Sendo que a próxima metamorfose ocorre conforme os virtuais vão se enclausurando no mundo das profundidades (com seus poços e cavernas) quando vai aparecendo o gusano pestilento e este maneja as tristezas das catacumbas. Nestes casos, conseguir que o eu-observador silencioso (acompanhado do som do silêncio) volte a aparecer na superfície já corresponde a um bom tanto de caminho andado consigo-mesmo (reorganização, reparação). Daí, recapacitar o eu-observador silencioso a lidar com o “todo” para que ele possa exercer as funções de intermediador de si-mesmo (a serviço de si-mesmo) com propriedade; outro tanto de caminho andado consigo-mesmo (restauração ou amistar-se).

Usamos o termo “Eu-coligado” para identificar o eu que aparece no processo terapêutico por contraposição ao funcionamento ausente e ao funcionamento sobreexcitado.

Tanto a ausência como a sobreexcitação de campo promoveram modificações no funcionamento humano em todos os níveis. Tantos que nem sequer temos uma idéia clara de como dimensionar ou reavaliar as dinâmicas atuais envolvidas nestas modificações.
Sendo que muitas das áreas que conseguimos identificar com área problema, só conseguimos formar uma compreensão parcial do que está acontecendo. Como é o caso da nossa membrana, ou periferia. Sabemos que ela está sendo anestesiada e sobreestimulada tanto pela ausência como pela sobreexcitação. Sabemos que tanto a anestesia como a sobreestimulação interfere na organização da
percepção e da corporalidade; na consciência e na autopercepção do mundo e de si-mesmo. Sabemos que o espaço do meio entre o corpo e a percepção e entre a consciência e a autopercepção se constituiu como um território, como um domínio com funções que nomeamos como sendo a percepção difusa e a consciência difusa; e, com um sentido de identidade como sendo o eu-difuso. Sabemos identificar e falar de algumas funções de cada uma destas entidades; e, já sabemos lidar de uma maneira ou outra com algumas delas; podemos estabelecer algumas relações e algumas suposições, quanto ao resto continuamos no ar, sem procedência funcional e histórica e sem destino; na verdade não sabemos para onde o nosso navio (como seres humanos) está se dirigindo.

Quando conseguimos terapeuticamente manter o caminho da reorganização perceptiva e da corporalidade e lidar de forma coerente com a ausência e com a sobreexcitação; tampouco conseguimos voltar para o território comum e aparentemente conhecido do antigo funcionamento humano, e mais, continuam aparecendo funções e situações desconhecidas; algumas estimuladas, despertadas ou desenvolvidas por contraposição ou oposição; que nem sequer estão presentes no funcionamento da ausência e da sobreexcitação; isto é, que não estão presentes no funcionamento virtual aparente; como é o caso da identidade periférica nomeada como sendo o “Eu-coligado” que vai aparecendo como potencialidade conforme as pessoas vão conseguindo recuperar a sua periferia da anestesia e sobreestimulação da ausência e da sobreexcitação.

Em outras palavras, temos na profundidade do funcionamento virtual; uma identidade que se desenvolve a partir do volume corporal e autoperceptivo; particularmente quando a percepção do volume (volume autoperceptivo com o campo pessoal incluído) volta a se ligar na corporalidade; isto é, que se desenvolve a partir da autopercepção, mas com característica de consciência; que habita a mesma região entre a autopercepção e a consciência; que lida com os mesmos elementos ou freqüências de campo presente na profundidade do funcionamento virtual; mas que não é virtual, pois se desenvolve justamente do restabelecimento do contacto e da conexão com a corporalidade e com o aqui e agora, e do exercício prático e experiencial de restabelecer a relação consigo-mesmo. Isto é, que coordena o contacto consigo-mesmo, portanto, que leva junto consigo tanto a correspondente angustia de contacto com a correspondente ética que nasce do contacto consigo-mesmo. E veja bem, que neste caso, nós estamos falando, em primeiro lugar, da relação entre o campo e a membrana periférica; isto é, de uma noção de eu que se desenvolve na periferia do corpo, percepção que nasce da corporalidade, na pele, e não do eu corporal ou emocional e nem do Self como a experiência profunda de si-mesmo, que deveria permanecer tal qual na profundidade do organismo.

Esta poderia ser a notícia mais importante e esperançosa que tivemos desde o advento do funcionamento virtual, se não fosse um pequeno detalhe; ela nos deixa na mesma situação que o próprio funcionamento virtual; em termos experienciais e vivências, o desenvolvimento de um tipo de funcionamento que aparece ninguém sabe de onde, sem caminho e sem cultura para chegar até ele. O resto são considerações e suposições, não sabemos se o “Eu-coligado” pode aparecer mesmo que parcialmente na vida cotidiana das pessoas e nem se ele já existia em algum esconderijo do desenvolvimento da humanidade. O que sim sabemos que desde seu surgimento no desenvolvimento do processo terapêutico começaram as reformulações do caminho e da estratificação do processo terapêutico, isto é, o caminho que usamos para chegar até a descoberta do “Eu-coligado” não dava respaldo experiencial e vivencial necessário para que a pessoa pudesse se relacionar com esta parte de si-mesma; ou usá-la para se relacionar com as outras partes de si-mesma; e mesmo com ele por perto as pessoas podem romper sua própria ética e, a manipulação virtual de si-mesmo pode derrubar o recém desenvolvido “Eu-coligado”; e, a situação da relação consigo-mesmo pode ficar seriamente destrutiva, pois o “Mim”, nestes casos, costuma reagir e pestilência contra si-mesmo é coisa pouca.

Além disto, temos o eu-animista, que não se compõe claramente como uma identidade como os outros referidos acima; mas sim como um conjunto de ações, posturas e procedimentos e tem propriedades ou parentesco tanto com o eu-observador como com o eu-difuso, como com o “Eu-coligado”.

Ainda no universo perceptivo, mas mais próximo da corporalidade; entre o eu-observador e o eu-difuso, temos uma outra função eu que hora e mais observadora e hora mais difusa; que foi nomeada como eu-organizador ou o eu-observador que observa sentindo; e afastando-se da percepção e indo para a corporalidade temos o “Mim” para o eu corporal e “Self” para o eu profundo.

O eu-observador que observa sentindo e o Mim são os que, inicialmente, apresentam maior presença no desenvolvimento do trabalho, respondem por seus nomes, e apresentam correspondência direta com sensações, sentimentos e movimentos de ondas (eu) e de pulsos (Mim).

Com o “Self” a coisa ainda não é tão clara, parece se referir a um bloco de experiências e vivências sem uma correspondência direta com sensações, sentimentos e movimentos.

Além disto, podemos dizer que a noção de estar presente, que aparece principalmente nos trabalhos bem feitos com a corporalidade; também se configura como uma identidade apesar de que nunca nos referimos a ela como uma identidade; mas sim como o sentimento de presença

Sobre o super-homem e o micro-homem

[super_homem]; [micro_homem].

De acordo com a compreensão vigente na Arte Org sobre o super-homem; ele nasce de uma disposição perceptiva liberada pela função ida difusa (ausência), particularmente da percepção difusa e enquanto está restrito ao território intermediário é coordenado pelo “eu-difuso”.

Porém, somente se manifesta como um super-homem quando esta disposição perceptiva se muda ou é transladada para o mundo cotidiano, geralmente a partir de um chamamento da pessoa direcionado a resolver esta ou aquela situação ou mesmo para compor esta ou aquela realidade virtual. Sendo que neste transladar; muita coisa se mescla; entre elas a sua ética, sua composição e sua coordenação (Quando o super-homem se manifesta na vida; ele é coordenado pelo eu-descorporificado).

Em outras palavras o contacto do virtual com o mundo não têm a ver diretamente com a ausência, mas sua forma mais poderosa de se mover no mundo nasce dela.

O super-homem sim é uma forma de contacto com o mundo; mas a pessoa não se sente ela quando funcionando como um super-homem.

A Arte Org propõe que o micro-homem, além de ser uma forma de estabelecer contacto com o mundo é uma reação “Mim”; e mais, é uma defesa direta contra o ido-distante-desconectado e contra o super-homem.

O que significa dizer que o Micro-homem é exatamente a contra parte do super-homem.

Seu funcionamento nasce da corporalidade. Neste caso todas as bases dos movimentos do micro-homem podem ser encontradas na corporalidade. E são sentidas e reconhecidas, mas como algo que deve ser mudado, ou melhor, extirpado. A defesa micro-homem tampouco é sentida nem como defesa e nem como forma de contacto com o mundo.

Aqui realmente é necessário fazer um acordo com a terminologia usada, pois a confusão pode ser grande. Em primeiro lugar o termo “forças” tal como é usado na Arte Org, vem da esquizofrenia e tem o sentido de algo externo que toma conta da personalidade e que a pessoa não pode reconhecer, nenhum dos elementos presentes, como sendo próprio. Isto é, quando tomada pelas forças, não pode reconhecer a si mesma, nem em suas ações, movimentos, pensamentos e sentimentos. No fundo, nos dois casos se trata de uma possessão; somente que o esquizofrênico percebe sua possessão de forma completamente diferente de um místico; sua consciência não desaparece da experiência e ela sabe que é uma força que está atuando, mas ele não se refere à força como sendo ele; enquanto que no místico, durante o processo sua consciência de si-mesmo desaparece; depois ele diz que era um espírito tomando conta de seu corpo e de sua consciência.

 No caso dos virtuais, o que está em jogo é uma sobre ação descorporificada; isto é, uma ação ou um conjunto de ações que passa da capacidade que o indivíduo tem quando está vestido com as roupas e os hábitos de um cidadão comum; e, descorporificada porque a pessoa não costuma apresentar em seu corpo os gestos, as posturas e os hábitos coerentes com a ação que está sendo realizada; também é descorporificada por que a destreza de movimento presente na sobre ação não tem nenhum treinamento por traz que de respaldo para as ações realizadas; e, também é descorporificada por que faz parte do processo ausente, isto é, para que a sobre ação possa ocorrer de forma natural e automática, a pessoa precisa estar ausente de si-mesma. Exatamente como se o campo perceptivo amplificado amplificasse as possibilidades de movimentos da pessoa sem passar pela corporalidade da pessoa. Portanto temos uma conexão do campo perceptivo que amplifica a capacidade de se mover de tal forma que a pessoa não pode reconhecer a si-mesma na ação realizada, isto é, uma forma de possessão que ocorre dentro do âmbito do campo perceptivo da própria pessoa que não é nem mística e nem esquizofrênica.

Agora, quando isto ocorre no contexto cotidiano, é chamado de super-homem e quando ocorre no contexto da ausência é chamado de forças dos campos (sobreposto) de cima ou de baixo. Os virtuais também não reconhecem a si-mesmos quando estão atuando como possuídos pelas forças, mas também não perdem a consciência no processo; a não ser quando as sobre ações se fundem com as diferentes identidades ou quando apresentam duplas personalidades cindidas, quando uma não sabe da existência da outra.

É muito difícil modificar (lingüisticamente ou corporalmente) as sobre ações descorporificadas, quando estas se manifestam na vida cotidiana da pessoa.

De acordo com a Arte Org, as questões das sobre ações descorporificadas devem ser lidadas em território difuso, coligadas a ausência, que é onde elas surgem. É exatamente isto que foi dito: a disponibilidade perceptiva (sobreposta) de campo (que permitem as sobre ações descorporificadas) surge da ausência no território difuso (território intermediário virtual fronteiriço); do território difuso essas impressões são deslocadas e transladadas de forma compactada para a vida cotidiana; onde se constituem em sobre ações ou fixações. Isto não significa que a forma como se manifestam as sobre ações surjam no domínio da ausência; mas a capacidade para atuar, a disponibilidade ou a forma de funcionar que permite que uma ação se manifeste como uma sobre ação sim.

 O desenho da metodologia da Arte Org que permite lidar com as forças (sobrepostas) de campo; entra em vigência numa fase bem adiantada do processo terapêutico; chamada de acompanhando a ausência e sua viajem para “nenhum lugar”. Este trabalho é específico da Arte Org e toma em consideração uma grande quantidade de elementos; porém todos estes elementos passam por uma questão que é básica; justamente o que não queremos é que as forças se manifestem como elementos da identidade do individuo; muito pelo contrário; a metodologia usada pelo Arte Org para esta etapa do trabalho está configurada justamente para que as forças (sobrepostas) dos campos se manifestem como personagens dos campos e que estes atuem e se manifestem de forma separada da individualidade da pessoa e que principalmente não se fundam nem com o Eu perceptivo ativo e nem com o Mim corporal. Tampouco pretendemos que a forma de agir dos personagens dos campos ou das forças (sobrepostas) dos campos seja identificada diretamente com os personagens que habitam a vida cotidiana dos virtuais; muito pelo contrário e usamos todos os recursos disponíveis para que isto não ocorra dessa forma. O que significa dizer que a metodologia da Arte Org não toma em consideração; não estimula e nem desenvolve os processos psíquicos considerados como identificação histórica; mas sim está interessada no funcionamento da percepção e da corporalidade que permite que a experiência se manifeste como tal.
 

 

Sobre a pressão do - aqui.

[pressão_do_aqui] [pressões]; [fixações].

Fixação de acordo com o Aurélio eletrônico.
Ato ou efeito de fixar(-se).
Operação química com que se torna fixo um corpo volátil.
Fotografia. Processo químico a que se submete uma emulsão fotográfica, depois de revelada, para remover o halogeneto de prata não sensibilizado.
Psicanálise. Apego exagerado, doentio, a uma pessoa, ou a uma coisa: O rapaz tem fixação materna.
A pessoa ou coisa que é objeto desse apego: A namorada é a grande fixação do meu amigo.

Pressão de acordo com o Aurélio eletrônico.
Ato ou efeito de comprimir ou apertar: A pressão dos dedos sobre as teclas do piano leva a grandes diferenças de sonoridade.
Figurativo. Influência constrangedora e coercitiva; coação.
Fisiologia. Medicina. Pressão arterial. Aquela que o sangue exerce sobre as paredes arteriais, na dependência de fatores diversos, como, por exemplo, elasticidade das paredes arteriais e resistência de capilares; pressão sanguínea.

O conceito de fixação está claro (aqui somente necessitamos ir qualificando o conceito de fixação com termos como campo, perceptivo ou corporal para que ele possa ser comprendido mais como uma função e menos como um atributo psicológico); mas o de pressão precisa de remendo.
No caso do funcionamento virtual e da relação consigo-mesmo; a pressão é exercida em primeiro lugar sobre si-mesmo; e em segundo lugar sobre os outros. Portanto seria o ato ou efeito de empurrar-se (de dentro para fora).

Agora; a fixação e a pressão costumam ser também projetadas (deslocada ou transladada). Isto significa que a pessoa se fixa em algo interno ou externo; significa que a pessoa se pressiona a ir além de si-mesma seja do jeito que for; e projeta (desloca ou translada) “isso” para as coisas ou para os “outros”.
Tanto as fixações como as pressões envolvem um grau elevado de desconexão consigo-mesmo que vai aumentando; isto é quanto mais à pessoa se encontra fixada ou pressionada mais desconectada de si-mesma ela está.
Quanto à natureza dinâmica dos dois processos; ao “como” de suas manifestações; a coisa se amplifica muito: Eles podem ocorrer em todos os domínios; podem ser de campo; podem ser sensoriais ou perceptivos (com pensamentos, sensações, sentimentos; emoções, codificadas ou não pela linguagem); também podem ser de campo perceptivo; a partir da própria sobreexcitação; ou literalmente corporal, seja no domínio dos movimentos; seja interna, no domínio dos órgãos; e mais, costumam ir passando de um domínio para o outro.
E, estão, de forma global, relacionadas com a ausência; particularmente com o voltar para si-mesmo; isto é, as pressões e as fixações (e as
desconexões) vão aumentando conforme a pessoa vai complicando sua capacidade de voltar para si-mesma; da mesma maneira que vão diminuindo conforme a pessoa retoma sua capacidade de se distanciar; conforme restabelece a sua relação consigo-mesma; e, conforme a pessoa vai reorganizando o seu corpo e sua percepção; e isto independente dos conteúdos envolvidos tanto nas pressões como nas fixações.

Na Arte Org; o termo pressão do “aqui” é usado para denominar um estado do funcionamento virtual quando este anda fixado e um de seus pólos (configuração polar) relacionado com o andar presente, no aqui, pela superfície do planeta terra, vivendo a vida cotidiana (contraposto à ausência).
Se caracteriza por colocar as pessoas funcionando pressionadas em seu cotidiano. Situação vivenciada como um estar ou um estado pressionado (pressionando o agora cotidiano); muitas vezes com sintomas psicossomáticos com pressão no peito, falta de ar, ansiedade, dores nos músculos pertos dos ossos, nos nervos, nas veias e nas juntas; como um animal enjaulado querendo escapar a qualquer custo; ansiando, nostálgico e com saudades de si-mesmo e de um lugar tranqüilo e inalcançável para si-mesmo, em busca de estímulos externos que o salve destas
sensações (que possibilite sua volta à conexão ausente) onde a pessoa está disposta a modificar a qualquer custo seu ser e sua existência para conseguir estar com os outros. Isto quando a pessoa não está cansada e esgotada; desgastada e estressada; o que pode desaparecer com todos os outros elementos.

Isto é, quando vemos uma pessoa que num estado emanando uma impressão de pressão; e que corporifica ou que apresenta aspectos corporais desta pressão como, por exemplo, a impressão de que a pessoa está enjaulada: sem conseguir ficar mais no lugar onde se encontra ou com uma necessidade de sair escapando em qualquer direção, junto com a decisão de não sair do lugar, ele pode estar neste estado que chamamos pressão do “aqui”.
Onde, nos momentos mais críticos a sua respiração se mostra suspensa no momento inspiratório e ao mesmo tempo empurrando o ar para fora com os demais órgãos, como se estivesse bufando, afogada, como se o ar do meio ambiente tivesse ficado rarefeito e muitas vezes manifesta esta pressão literalmente como dores no peito como se fosse ter um ataque cardíaco.

Uma pessoa pressionada no “aqui” geralmente está perdendo os limites naturais e separadores de sua vida cotidiana. Isto é, estão desaparecendo as diferenciações mais básicas como noite e dia, momento de trabalhar e restante da vida cotidiana.
As atividades costumam se transformar num contínuo onde geralmente o pólo central é o trabalho; ou uma situação de relação ou diretamente relacionada com o lugar; como a casa.

Não é que os virtuais em outros pólos de seu funcionamento tenham sua vida cotidiana separada e relativamente organizada, pois a situação virtual como um todo costuma ser invasora e consumidora da vida cotidiana. Porém, na pressão do “aqui” a tendência é compactar mais, diminuindo a diversidade, transformando um dos elementos da vida cotidiana no elemento central, que vai ocupando o espaço restante e sugando o tempo e a disponibilidade de todas as demais atividades.

Geralmente a pessoa está diante de uma crise de identidade pessoal ou profissional, com sua realização pessoal projetada para a situação que ocupa o pólo central (local de trabalho; chefes; ou mesmo de profissão desempregado); como se em todo lugar que ela se encontra, estivesse olhando para esta situação; e isto aumenta a necessidade da pessoa promover modificações em si-mesma.

Tanto a situação interna como as situações externas tomam um cunho competitivo e reaparecem na superfície antigas emoções como o ciúme e a inveja, a pessoa fica mais propensa a ficar pegada emocionalmente.  Na pressão do “aqui” as antigas pautas de ir para fora e ir para dentro reaparecem incluindo coisas tão antigas como a emoção angústia e as dificuldades relacionadas à expansão e descarga periférica, e isto se traduz diretamente em dificuldades no funcionamento sexual. O que significa que na pressão do “aqui”; tanto a pessoa pode aparecer fixada emocionalmente como as emoções podem desaparecer de vez; podem se secar como qualquer outra aspecto da vitalidade da pessoa.

O que sim está claro é que a pessoa está o tempo todo a um passo de perder seu próprio campo perceptivo e com ele seu campo energético; se é que já não perdeu. E, além disto, toda a percepção ligada ao contexto; ao lugar; principalmente a percepção relacionada com o campo intermediário; com o entorno; também estão as beiras do desaparecimento; junto com a vida relacionada com as salas; com os livings; com tudo aquilo envolvida com o campo do meio.
Geralmente podemos somar a este funcionamento crises financeiras de larga duração. Sendo que a percepção da pessoa só pode cuidar de uma coisa por vez; geralmente relacionado com os afazeres cotidianos. Isto é; desaparece a esperança; os projetos e os
anseios ligados ao horizonte e para além dele.

Em termos gerais podemos dizer que, na pressão do “aqui”, a pessoa costuma reduzir seu universo, perder o horizonte, sua vida vai ficando plana e achatada; muitas vezes quando combina com alguma crise, como a de separação, a pessoa só consegue lidar com as preocupações mais comuns, como por exemplo, as tarefas do aqui, com metas curtas e reduzidas, e não consegue lidar com temas que acha transcendente.

Toda sua flexibilidade virtual também se reduz.
Cresce em igual proporção à pressão da autonomia e a pressão de si-mesmo e a pressão de se expor e a exigência. Aumentam as dificuldades para estar consigo e para realizar projetos onde a pessoa dependa de si-mesma e as dificuldades para tomar decisões, isto é, aumenta a dependência seja de pessoas, de drogas ou de lugares.

A pessoa quando consegue sair do tema onde se encontra fixada, ou seja, quando consegue se afastar do centro de sua preocupação; gasta uma grande parte de sua energia ruminando sua forma de ser, e remoendo sua própria história. Aumenta sua demanda para que as pessoas falem sobre seu comportamento e digam o que deve ser feito e quando falam de si, costumam ser extremadamente duras com elas-mesmas, chegando a serem maldosas com elas-mesmas. Tanto a auto-imagem como a auto-estima alcança pontos críticos.

Em termos de fixação, apesar de aparecer sempre uma situação ou outra onde a fixação projetiva está mais localizada, é como se a pessoa tivesse fixado sua existência inteira e, junto com ela, seu cotidiano, e seu corpo.

É por isto que falamos que uma pessoa fixada na pressão do “aqui” perdeu seu funcionamento paralelo (imprimido pelo ausentar-se de si-mesmo), perdeu ou compactou seus espaços intermediários; seja o espaço intermediário geral entre o funcionamento virtual ausente e a vida cotidiana; sejam os intervalos intermediários em sua própria vida cotidiana. Neste momento a pessoa costuma parar de fazer seus hobbys; seus exercícios; sejam estes de qualquer tipo e junto com eles também desaparecem suas atividades intermediadoras e animistas.

A seguir colocamos alguns elementos descobertos pela Arte Org relacionados com o funcionamento e com a compreensão das pressões do aqui. Porém e necessário esclarecer que eles não estão a simples vistas; isto é, são subjacentes; pois o que aparece de forma manifesta na pressão do aqui; são os estados e seus sintomas; as sensações e as fixações que apontam tudo para longe da pessoa ou para fora de seu próprio âmbito ou contexto.
As investigações da capacidade de se ausentar nos pressionados no aqui indicam que a pressão do “aqui” se encontra no pólo oposto da
ausência; para ficar ausente, a pessoa necessita mudar de lugar.

Não como no funcionamento virtual normal que apresenta a possibilidade de se mover (mesmo que de forma desconectada) de um pólo para o outro. Onde mudar de lugar passa por mudar de plano ou de vibração, com o corpo no mesmo lugar.

Mas no caso da pressão do aqui, o corpo necessita de sair literalmente da configuração tempo espacial onde se encontra. Quando isto não pode ser feito perceptivamente; a situação como um todo; incluindo as pressões e as fixações, se corporificam; transformando-se em físicas; em concretas.
Isto significa que a pessoa anda concretamente se deslocando de um lugar para o outro sem m
odificar sua noção perceptiva de lugar, permanecendo no mesmo lugar, isto é, sem sair do estado que se encontra.
Significa também que seu campo perceptivo está se sobrepondo ao campo dos lugares, algo assim como um esforço perceptivo de campo para proteger os lugares.
Também significa que a pessoa não está conseguindo soltar su
a noção de lugar para poder ficar ausente e que sua ausência está direcionada para conceber uma noção de lugar, não como no funcionamento virtual normal onde o lugar onde a pessoa se dirige ao ficar ausente é “nenhum lugar”. 
Também significa que seu universo paralelo está com endereço concreto, com latitude e longitude fixadas no planeta. Isto é, a pessoa se perdeu em sua ausência ou sua ausência deixou de produzir a noção de universo paralelo, de estar em dois lugares ao mesmo tempo.

Não é que a pessoa não se ausenta; ela se ausenta sim; de forma desconectada ou indo para baixo; para as profundezas. Na verdade; qualquer descanso; como no caso de uma atividade física; qualquer oportunidade é usada para se ausentar, de preferência se desconectando. Mas sim o contexto que costuma acompanhar a ausência; incluindo suas freqüências desaparecem. Vira uma ausência sem seu sentido difuso; que opera de acordo com os padrões do aqui (ausência do aqui).

Quando conseguimos retirar as fixações da pressão do “aqui”, ela nos revela um conflito desnorteador, estranho, sem sentido e óbvio ao mesmo tempo, como é característico do funcionamento virtual.

Quando as demais fixações cedem; o tema da pressão do “aqui” se transforma na relação que as pessoas estabelecem com os lugares, particularmente com as casas. A pressão é a estar consigo, encontrar-se consigo-mesmo. O conflito se dá entre o poder estar consigo em qualquer lugar ou ter um lugar especial e único para estar consigo-mesmo, onde uma força definitivamente anula a outra e vice-versa.

A estranheza que nos referimos é ao paradoxo proposto por toda a situação, a pessoa está ao mesmo tempo completamente fóbica de si-mesmo e dos lugares, sem possibilidades de estar conectado com ela mesma seja aonde for que estiver; decidida a permanecer no mesmo lugar e direcionada a escapar de qualquer forma de si-mesma e do lugar em questão. Enquanto que por outro lado à pressão sobre si-mesmo é a estar consigo-mesmo; num lugar físico especial; de um jeito especial.

E o mais estranho é que este passo do estar pressionado de forma genérica passa para se estar pressionado de forma específica consigo-mesmo num lugar sem passar pela ausência, mesmo que a pessoa esteja se ausentando.

Neste mesmo pólo da terra, de volta para si-mesmo; oposto a ausência; a pressão do “aqui” convive com outra grande configuração; a saber, a ressaca que tem suas bases na sobreexcitação.

A pressão do aqui, apesar de também ser vista como um retorno para si-mesmo, não se constitui num estado onde temos os níveis mais altos de sobreexcitação e de ressaca, principalmente da sobreexcitação de campo. Muito pelo contrário, a pessoa parece que guardou sua sobreexcitação e sua ressaca em algum lugar; seja este um lugar externo (como o próprio quarto, onde neste caso cresce as dificuldades de manter o quarto ventilado, claro, limpo, e ordenado) ou dentro de si-mesma, no corpo ou pegado ao sistema de ressonância (e neste caso a sobreexcitação aparece como irrupções alternadas tipo hora na cabeça, hora no peito e hora na barriga).

Quanto às funções perceptivas de campo a pessoa está mais próxima de perder as defesas de campo; se já não perdeu; seja por retirada para dentro de si-mesma, seja por desgaste do campo controlando os lugares: seja por ter suas funções de campo fixadas em algum outro pólo. A pessoa se mostra com aspecto de cansada; mais estressada por assim dizer.

A aplicação dos princípios funcionais do funcionamento paralelo e polar nos quadros pressionados no “aqui” nos diz que:

Em primeiro lugar, a pressão do “aqui” tem a direção de voltar para si-mesmo.

Em segundo lugar, devemos esclarecer que nem todas as formas de voltar para si mesmo passam ou ficam fixadas na pressão do “aqui”.

Ainda bem que existem alguns outros caminhos para voltar para o “aqui”; onde a situação é mais paralela e menos pressionante e pressionada se não seria um verdadeiro desastre este tal do “aqui”. O problema e descobrir por onde andam estes tais caminhos; e como segui-los quando já estamos fixados e inundados.

Em terceiro lugar, propomos que a pressão do aqui está polarmente localizado no movimento polar horizontal, isto é, ela tem mais dois pólos no limite de seus domínios que denominamos o pólo fechado (escuro do lugar) e o pólo aberto (lançado na vida).

O que significa dizer que a pressão do “aqui” se manifesta em primeiro lugar no campo do meio; o no pólo intermediário (nestes termos, nas salas e nos livings). Porém, como no funcionamento virtual, na maioria das vezes é gerado de forma sobreposta; propomos que a pressão do aqui é gerada no espelho sobreposto ao campo do lugar (escuro do campo do lugar) e que está direcionada para o campo do lugar; e deste para os lugares físicos; e deste para os “outros”. Sendo que este lugar; na polarização horizontal não é o pólo fechado e nem o pólo aberto; mas sim o próprio pólo intermediário; de onde a pressão vai se alastrando para os outros pólos.

Com isto também propomos que sua polarização vertical está inibida ou obstruída. Isto não significa que as forças que se movem nas polaridades verticais não estejam presentes na pressão do “aqui”, afinal uma pressão é justamente assim, tendência de um lugar empurrando em outro lugar para outro lugar. E, ao que parece, a pressão do “aqui” é justamente isto, uma forma de estar pressionando por todos os lados e pressionando a si-mesmo em direção ao próprio lugar; o que resulta numa contra pressão para os demais pólos.

Uma força agarrada no aqui, dizendo daqui eu não saio: outra força empurrando para um dos pólos da vida (aberto) dizendo e lá que as grandes mudanças devem acontecer; e outra força puxando para o pólo fechado como o último e único reduto de descanso que diz que a pessoa precisa se cuidar, estar consigo, se reparar e transforma o pólo fechado num pequeno escuro do campo do lugar.

Para cima, com o teto fechado; como nestes dias que não podemos levantar vôo; mas também pressionando com anseios dos tempos idos, dos momentos livres vagando sem compromisso e para baixo outra força de atração que nos lembra que a vida está passando e que não estamos realizando nada, que na verdade estamos secos, densos, sem vitalidade, envelhecendo e não vivendo.

Enquanto isto a pessoa anda fixada em algum ponto (na maioria das vezes em seu trabalho, seu chefe, na sua relação; ou na ausência deles) como se esse fosse o centro de sua existência enquanto anda de um lugar para o outro; de um lado para o outro; como um cachorro correndo atrás do rabo sem sair do lugar.

Agora é importante pontuar aqui algumas semelhanças e diferenças. Veja que até o presente momento temos por um lado o funcionamento virtual de alguma forma relacionado com o funcionamento moderno; e por outro lado às organizações ou desorganizações que giram em torno do voltar para si-mesmo da viaje ausente, relacionados com o funcionamento pós-moderno (direcionadas para o funcionamento virtual estruturado); entre elas a sobreexcitação simples, a ressaca virtual simples; as ressacas virtuais sobrepostas (loucura virtual; depressão virtual; masoquismo virtual; e ataques destrutivos contra si-mesmo); as estruturas virtuais desorganizadas (denominadas como personalidades limítrofes ou fronteiriças; comumente nomeadas como: borderline, ‘como si’, fatídicos, esquizóides, psicopatas, (sociopatas e caracteropatas), impulsivos, perversos, narcísicos, confusionais, ambíguos, abandonados); a pressão do “aqui”; a secura vazia de si-mesmo (com a moderna sintomatologia dos esgotados, estressados; desgastados; e os incendiários de si-mesmo – que se queimam por dentro) e as desintegrações virtuais (biopatias inflamatórias flogísticas ou auto-imunes e as biopatias degenerativas); sendo que cada um destes grupos oferecem tanto elementos comuns como diferenças significativas qualitativas e quantitativas entre si.

Sendo que a pauta geral que marca a metodologia da Arte Org é sair ou escapar das especificidades de cada caso individual para conseguir lidar com a ausência e como funcionamento virtual como um todo. Isto não significa dizer que não tomamos em conta em nosso plano geral de trabalho os elementos comuns; como é o caso das dificuldades envolvidas com o voltar para si-mesmo e para o mudo; da sobreexcitação, da ressaca, e do funcionamento das pressões do “aqui”; mas sim que estes elementos são considerados justamente para conseguir sair da polarização reduzida e fixada e voltar; para despressionar; ou retomar a funcionalidade do funcionamento virtual.
 

 

Algumas características do funcionamento virtual.

[características_virtuais]

É bom relembrar que ainda não atribuímos ao funcionamento virtual uma organização estruturada dentro da fenomenologia psicológica.

Sendo que eu penso e acredito que não devemos fazer ou propor estas atribuições psicológicas; muito pelo contrário; penso e acredito que devemos justamente desmontar a que já existe; principalmente quando as atribuições psicológicas estão a serviço de negligenciar o mais importante: o funcionamento virtual em geral e a ausência de si-mesmo em particular.

O que temos até agora são funções fronteiriças organizadas como um bloco, oculto ou manifesto, porém, envolvidas como um todo, presentes de uma forma ou de outra e não como diferentes personalidades com diferentes funcionamentos.

Do ponto de vista da Arte Org; a compreensão do comprometimento total das funções virtuais ainda é mais importante e nos consome mais tempo que suas diferentes manifestações.

Mesmo o funcionamento ressacoso que envolve quatro tendências o masoquismo virtual, a depressão virtual, a loucura virtual, e a pestilência subterrânea contra si mesmo; funcionam como um bloco. Mesmo que uma posição se ressalte mais, as outras três também estão envolvidas.

Portanto, o melhor que nós podemos fazer agora é colocar aqui justamente as funções e processos que encontramos que são comuns para a maioria dos virtuais(que giram em torno da desorganização do funcionamento virtual).

 

Principais mecanismos de defesa e contato:

A - "Pôr-se ido" distante, desconectado.

·         Desconexão simples.

·         Desconexão complexa.

·         Desconexão transversa.

B - A sobreexcitação de campo e a ressaca virtual.

C - O super-homem e o micro-homem.

 

Inter-relação entre a autopercepção e a consciência:

No funcionamento virtual; a consciência se modifica de uma consciência racional, com um pensamento estruturado "à maneira antiga", até uma consciência difusa, repleta de "imagens" de campo, e até uma consciência difusa com estados confusionais e ambígua. Temos também presente, uma completa alternância de estados de consciência.

A autopercepção (no sentido corporal ou a autopercepção que corresponde a corporalidade) também é mutável; com mudança que abrange desde nenhuma autopercepção corporal, passando por uma autoconsciência coordenada pelo pensamento, até uma auto-imagem inundada de sensações de campo e sensações de órgãos.

É comum uma total mudança de prioridades de acordo com o estado e o momento.

Esses estados, e os pensamentos que surgem em cada um deles, se encontram divididos a tal ponto que podemos falar de uma consciência de campo difusa e uma consciência linear "da Terra".

Os conflitos de identidade dos virtuais:

Severas contradições entre as identidades de todos os níveis.

Desde a social; cultural ou do mundo da linguagem; sou aquilo que falam de mim; passando pela identidade corporal e a identidade emocional (sou aquilo que sinto).

Porém, a maior contradição está entre a manifestação na vida do eu-difuso através do eu-descorporificado; o super-homem e o "Mim" (de "comigo") também através de seu representante o micro-homem.

 Além disso, temos ainda a capacidade ou a intenção secreta, ou manifesta, de mudar o próprio "Self"; o que propõe uma identidade em constante crise.

A ambigüidade e a contradição atravessam as estruturas virtuais em todas as direções, e com tanta força que nomeamos a estrutura intermediária fronteiriça virtual de mutante camaleão como si fosse.

A capacidade de estabelecer vínculos e relações:

O virtual é um ser adaptável, portanto altamente capaz de estabelecer relações. Além disso, é um missionário, portanto está sempre realizando algo pelos demais.

Apesar disso, é um ser solitário, de muito poucos amigos.

Pode se tornar desde um comunicador de massas até um ermitão recluso em si mesmo, ou as duas coisas ao mesmo tempo.

De qualquer maneira, apresenta-se com altas doses de dependência em alguns aspectos e com uma independência onipotente em outros.

Estabelece vínculos e relações do mais alto grau de simbiose funcional, passando por pactos consigo-mesmo e com outros, até a mais elevada autonomia espiritual.

Por outro lado, apresenta uma abismante falta de contato consigo-mesmo. Um vazio sem dimensão e um total descuido por si-mesmo e uma incapacidade crônica de realizar em qualquer domínio.

É capaz de estabelecer o mais alto grau de compromisso com algumas idéias e missões e uma total falta de compromisso consigo-mesmo e com as relações mais próximas.

Do corpo, sentimentos e emoções:

- Presença das emoções em seu aspecto de "estados emocionais".

- Vida emocional coordenada pelos anseios.

- Torpeza motora.

- Entorpecimento da musculatura fina periférica.

- Incapacidade corporal de se realizar com aquilo que faz.

- Exigências de "Super-Homem".

- Ataques de severidade ética.

- A outra culpa: "pelo que não fez ou pelo que não foi".

- O futurista "vir a ser".

- Compulsão a expor-se e a mostrar-se.

- Entre a onipotência e a impotência.

- Bloco de inferioridade, vergonha e inveja.

- Sentimentos estéticos.

- inadaptação ao mundo (sentimento de "ET").

- Entre a confiança e a desconfiança (exageradas).

- Possessão de idéias, emoções ou sensações e reações impulsivas ou fóbicas.

- Desgoverno sensorial.

- Desaparecimento do medo humano e desenvolvimento do medo fóbico, ou pânico.

- Incapacidade para lidar com as frustrações.

- estados alternados entre o "brilho apaixonado" e reações depressivas severas.

- Uma estrutura de pensamento que oscila entre o pensamento mecânico, o místico e o animista.

Quando Reich diferenciou a esquizofrenia do caráter estruturado, nos disse que o esquizofrênico vivia com tudo funcionando numa só experiência enquanto que o neurótico tinha suas experiências completamente diferenciadas. Em casa, homem de família; na igreja, um crente em Deus; nos negócios, "amigos à parte" e na zona de prostituição, os impulsos perversos. E o incrível é que essas experiências não se cruzavam e nem se comunicavam entre si, sendo que a estrutura de caráter se mantinha a mesma em todos os lugares.

Nos virtuais, nem as experiências se fundem numa só experiência, nem estão claramente divididas e compartimentalizadas e nem ele é a mesma pessoa em todos os lugares. Mas sim a pessoa junto com suas experiências pode se encontrar fundidos em blocos e fixados para todos os lados. Ou melhor, ele pode ter duas ou três éticas distintas para a mesma área de experiências.

 

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