Autoria, origem e desenvolvimento da Arte Org terapia.

Objetivos da Arte Org.

A ausência como um paradigma.

O funcionamento polar e cíclico como uma característica virtual.

A tendência moderna e pós-moderna do funcionamento virtual.

Fixações e pressões no aqui.

O funcionamento para além de si mesmo na ausência e nas pressões do aqui.

Reformulações na Arte Org da ausência para lidar com as pressões cotidianas.

O projeto reciclagem da Arte Org

Sobre o paradigma paralelo dos terapeutas org.

A metodologia paralela da ausência e o caminho paralelo do aqui.

Os elementos usados na Arte Org como procedimentos terapêuticos.

A estratificação da ausência e a estratificação do processo terapêutico.

O processo terapêutico é centrado na relação consigo-mesmo e na autonomia do indivíduo.

A reorganização da corporalidade e da percepção e a arte de se acompanhar.

A abordagem da Arte Org relativa à reorganização dos atores coadjuvantes (sintomas).

A abordagem da Arte Org relativa à reorganização da identidade virtual.

A função pendular do processo ausente e a função polar do viver cotidiano.

Algumas diferenças da Arte Org com a orgonoterapia.

Nossa proposta aqui foi compilar (para não usar este nome feio que é resumo) num (pequeno) texto algumas informações básicas sobre a Arte Org e sua metodologia. Para que não ficasse muito chata a leitura do texto; alguém por aí (que não tem a menor noção do “trabalho” que isto significa) teve a brilhante idéia de compor também um glossário que fosse sendo vinculado (links) ao texto principal, mas que estivesse separado do texto em si; assim cada qual pode ler o texto da forma que achar melhor; é acessar as definições de conteúdo ou de contexto conforme ache conveniente.
Assim; montamos o texto “aproximações ao método terapêutico da Arte Org”, acompanhado do glossário org.
Portanto, o que precisa ser esclarecido é que todos os conceitos que fomos colocando aqui estão contextualizados no livro eletrônico “história e desenvolvimento da metodologia da Arte Org” de Jovino Camargo Junior. Para efeitos legais e éticos; o resultado final tem sua autorização e revisão.

O texto inicialmente foi composto para ser disponibilizado como um texto web; mas gostamos do resultado; logo decidimos disponibiliza-lo também como um livro; ou melhor; como um livreto eletrônico; com o mesmo nome e acompanhado do seu glossário evidentemente.
 

 

Autoria, origem e desenvolvimento da Arte Org terapia.

[arte_org]

Arte org, uma terapia “em” movimento “em” busca da corporalidade perdida.

A “Arte Org” (nomeada inicialmente como Orgonoterapia funcional intermediária) é uma metodologia de investigação e atuação terapêutica autônoma; qualificada como uma terapia corporal especializada na ausência (ato manifesto ou subliminar que envolve desde o mais simples distanciar-se de si-mesmo até as mais complexas desconexões das pessoas delas-mesmas e do mundo ao seu redor) e seus atores coadjuvantes (como é o caso dos conflitos intrapessoais – consigo-mesmo; das crises de identidade; das crescentes pressões que as pessoas exercem sobre si-mesmas e sobre seu “que hacer” ou sua vida cotidiana; da ressaca virtual e da sobreexcitação de campo; e dos demais sintomas relacionados ao vazio; ao cansaço; ao esgotamento; a secura; e ao estresse).

A Arte Org nasceu; da orgonomia (ciência desenvolvida por Wilhelm Reich que têm como propósito a investigação das manifestações da energia orgone na natureza); particularmente da tentativa de aplicar a metodologia terapêutica Reichiana em pacientes que usavam à ausência desconectada como principal mecanismo de defesa (hoje chamados de virtuais).

Do ponto de vista conceitual; a Arte Org é o resultado da aplicação teórica e prática dos métodos terapêuticos desenvolvidos por Wilhelm Reich (análise do carácter; vegetoterapia caráctero analítica; e orgonoterapia) embasados e combinados (como modelo fenomenológico e epistemológico) com o pensamento funcional ou funcionalismo orgonômico (também desenvolvido por Wilhelm Reich) na investigação e no trabalho terapêutico com os processos e procedimentos envolvidos com a “ausência” (de si-mesmo) ou “desconexão” (de si mesmo e do mundo) e com sua contraparte a ressaca (sobreexcitação).

Seus primeiros passos foram dados como uma terapia corporal Reichiana; mas, o adentrar-se no funcionamento da ausência foi revelando e se revelando como uma radical modificação dos paradigmas envolvidos com o funcionamento do homem (estrutura de carácter) e, conseqüentemente, com modificações nos modelos terapêuticos criados para lidar com o homem contemporâneo (virtual). A conseqüência disto foi à criação e o desenvolvimento da Arte Org; com uma metodologia paralela e autônoma; com seu próprio modelo de investigação; com seu corpo de procedimentos práticos e de conhecimentos teóricos, constituindo-se numa nova abordagem terapeuta.

A Arte Org terapia não é uma terapia lingüística como não é uma terapia psicológica, nem sequer uma psicoterapia corporal; mas sim é uma metodologia terapêutica ou uma terapia corporal de orientação arteorguiana que abarca tanto a organização da corporalidade como a organização da percepção; incluindo a percepção difusa e a percepção de campo. Seu corpo de procedimentos terapêuticos (em sua grande maioria; ou em 99% dos casos) são chamados de exercícios-procedimentos (cada qual com uma ou mais pautas); portanto, na prática, o que temos como procedimentos terapêuticos são movimentos corporais e perceptivos relacionados com a arte de se mover por si-mesmo. Na Arte Org terapia inclusive a compreensão passa (em parte) pela arte de se mover ou está a ela relacionada.
A Arte Org terapia está centrada na relação da pessoa com ela-mesma o que significa que o importante não é que interpretamos ou o significado que damos para qualquer aspecto da pessoa; nem a interpretação ou significado que a pessoa se dá para si-mesma; mas sim como a pessoa sente e se percebe a si-mesma e ao seu entorno, quando está parada e principalmente quando entra em movimento.
Além disto; grande parte do que está envolvido com a
ausência, com a percepção de campo e com a percepção difusa se encontra no limite da linguagem ou além dele.

Do ponto de vista prático; a Arte Org foi criada, inventada e desenvolvida pelas próprias pessoas que foram passando por seus exercícios-procedimentos (criando, modificando-os ou tendo insights sobre o seu funcionamento); foi elaborada por uma equipe de profissionais ligados a Associação Wilhelm Reich do Brasil e ao Instituto Wilhelm Reich do Chile; e, sua metodologia em sua maior parte, foi organizada por Jovino Camargo Junior.

 

Objetivos da Arte Org.

Em termos gerais, o objetivo da Arte Org é lidar com o funcionamento virtual em geral. Em termos específicos o objetivo da metodologia da Arte Org é acompanhar e trabalhar com o processo ou procedimentos envolvidos com o ausentar-se de si mesmo.

Ou seja, sua proposta central ou seu foco de trabalho é lidar (investigar, acompanhar e trabalhar terapeuticamente) com o processo da ausência sendo que esta trás consigo o ato de ausentar-se (de si-mesmo e do mundo que nos rodeia); o ato de voltar (para si-mesmo e para o mundo que nos rodeia) a estar presente; e, os conflitos e conseqüências destes conflitos (que se manifestam em diversos níveis da relação da pessoa com ela-mesma) gerados pelo processo ausente e internalizados a partir desta ausência e desta presença.

A forma da Arte Org terapia recapacitar o indivíduo a lidar com a sua capacidade de se ausentar de si-mesmo e do mundo e de voltar para si-mesmo e ao mundo é reorganizando a corporalidade e a percepção do indivíduo em questão; recapacitando o indivíduo a se acompanhar, sendo que este proceder e estes procedimentos se encontram centrados na relação da pessoa com ela-mesma; o que significa que a pessoa é seu próprio agente; isto é, é a própria pessoa quem se encarrega ou quem deve se encarregar de se colocar em movimento e se acompanhar.

O mesmo é valido para todas às situações colaterais (estas que são chamadas de atores coadjuvantes) que costumam acompanhar o funcionamento virtual; ou melhor; que costumam começar a aparecer quando o funcionamento virtual começa a se desorganizar. De acordo com a Arte Org; às impressões sensoriais, os mal-estares, os sintomas, as pressões e as fixações, os estados, a ressaca e a desorganização da identidade, que acompanham a desorganização virtual; são engatilhadas por um descompasso, por uma perda da graduação ou por um desarranjo nos processos e procedimentos que a pessoa usa ou usou para ausentar-se ou voltar para si-mesma e faz parte da reorganização da pessoa a despressão de seu funcionamento.
 

 

A ausência como um paradigma.

A Arte Org, como um de seus paradigmas, sustenta que a ausência deixou de ser uma das manifestações entre muitas para se transformar na síndrome da ausência (desconexão de si-mesmo com sua correspondente crise de identidade e a conflitante relação consigo-mesmo); e como tal se transformou no elemento central da estrutura de funcionamento do homem contemporâneo (que denominamos simplesmente como sendo os virtuais).

Para a Arte Org, a ausência, tanto se encontra na base da pressão constante de funcionar além de si-mesmo e das próprias possibilidades, na base do funcionamento caótico, polarizado, futurista e em constantes modificações; como se apresenta enquanto elemento comum entre os males predominantes de nossa época, como o estado confusional, falta de sentido, sensações de vazio, secura, desconformidade consigo-mesmo, culpa catastrófica, perda de concentração, fixações, insônias, sufoco, depressões, estresses, fobias, pânicos e etc.

De acordo com a Arte Org; é a própria desorganização do processo de ausentar-se e de voltar para si-mesmo quem vai se amarrando com diferentes formas de desconexões produzindo assim uma pauta de desorganização constante no funcionamento da própria pessoa. Sendo que a primeira conseqüência desta desorganização se manifesta como uma perda gradativa da capacidade de se ausentar e de se retomar o que induz novas formas de ausentar-se cada vez mais desconectadas e novas ressacas cada vez mais secas e esgotadoras.

O que significa que é o próprio processo terapêutico que deve se encarregar de introduzir uma pauta de organização constante de tal forma que permita a pessoa ir recuperando sua capacidade de se ausentar sem tantas desconexões.
 

 

 O funcionamento polar e cíclico como uma característica virtual.

[funcionamento_polar].

De acordo com a Arte Org; uma das características tanto da ausência em geral como do funcionamento virtual em particular é sua manifestação cíclica e polar; sendo que este funcionamento cíclico se manifesta de diferentes formas nos mais diferentes âmbitos; inclusive o social.

Tomando a ausência como o elemento comum; a proposta da Arte Org é que uma mesma pessoa hora está funcionando de forma mais coerente com o distanciar-se de si-mesma e hora esta funcionando de forma mais coerente com o voltar para si-mesma; o que constitui dois pólos (dois pontos de um pêndulo) sendo que um é antagônico ao outro; porém, mesmo quando alguém está fixado num dos pólos ele continua operando de forma polar de acordo com este pólo. O que significa sobreposição de funcionamento polarizado.

Um pólo é contraposto ao outro e costuma gerar estados sensoriais, perceptivos e emocionais que abarcam todo o funcionamento do indivíduo; o que significa que a pessoa pode estar passando por um pólo sabendo que vai para o outro; pode ficar por mais tempo neste pólo; e também pode se fixar no funcionamento de um pólo, se esquecendo da existência dos outros pólos e estados. Quanto mais à pessoa está fixada e agarrada num mesmo funcionamento, mais ela está restrita e reduzida ao funcionamento de um só pólo. Mesmo quando a pessoa se encontra reduzida, compactada e agarrada num só pólo; ela manifesta às tendências e pressões dos demais pólos ou polaridades operando também de forma compactada e reduzida.

Veja também: Algumas características do funcionamento virtual.
 

 

A tendência moderna e pós-moderna do funcionamento virtual.

Em termos culturais podemos dizer que as décadas de sessenta, setenta e oitenta foram mais abertas; com um virtualismo mais moderno e mais ausente; enquanto a década de noventa e entrando no novo século o virtualismo se colocou mais fechado; mais agarrado em si-mesmo e nas coisas; mais ressacoso; mais pós-moderno.

Nas ultimas décadas vem manifestando um crescimento exponencial das pressões e exigências externas e internas, presentes na vida cotidiana, e nas relações das pessoas com elas-mesmas e com o mundo (sendo que a maioria se manifesta como fixações). O viver e funcionar de forma virtual que já era pressionado; tem se apresentado mais pressionado ainda constituindo uma nova realidade que foi denominada como pressões do “aqui”; compondo assim uma nova síndrome; a de viver, ou melhor, sobreviver pressionado, somente que agora as forças motoras não são os anseios e as desconexões; mas sim as fixações de todos os tipos e de todas as formas.

Fixações e pressões no aqui.

De acordo com a Arte Org as pressões do “aqui” que inundam o viver cotidiano e se fixam como tensões ou sintomas no corpo do indivíduo; como se fixam nos lugares que ele abita, incluindo as pessoas com as quais ele se relaciona; ou mesmo em sua própria história; estão numa exata contraposição do funcionamento ausente; construídas sobre a desorganização da ausência; e equivalem a estar agarrado em partes de si-mesmo ou em aspectos da conexão com o mundo ou com as pessoas do mundo (agarrados e fixados no aqui) de tal forma a impedir o livre curso do se distanciar. O que significa dizer que a pauta terapêutica para despressionar a pessoa e a inundação de seu viver cotidiano passa por recapacitar a pessoa a se distanciar.

O funcionamento para além de si mesmo na ausência e nas pressões do aqui.

De acordo com a Arte Org o elemento comum imposto tanto pelo funcionamento virtual ausente ou pelo funcionamento virtual pressionado no “aqui” é viver passando por sobre os limites de si-mesmo. Na ausência à pessoa esta escapando de sua própria estrutura, de suas limitações por um contacto muito além de suas capacidades físicas (corporais e perceptivas) e na pressão do “aqui” a pessoa está direcionada a modificar seu próprio ser por um vir a ser que pode ser coerente com tudo, menos consigo-mesmo; o que induz um funcionamento multifacético que, a cada dia, aumenta mais o desacordo com o próprio si-mesmo.
 

 

Reformulações na Arte Org da ausência para lidar com as pressões cotidianas.

Com o crescimento exponencial das pressões e exigências externas e internas, presentes na vida cotidiana o proceder terapêutico da Arte Org passou por uma série de modificações e adaptações para que pudesse operar também como uma contrapressão; ou como uma despressão. O que implicou numa ampliação do alcance da Arte Org e em reformulações de sua metodologia; surgindo assim um projeto paralelo a Arte Org da ausência; direcionado a despressionar o viver.

Sendo que a atual Arte Org ficou com dois caminhos e dois processos terapêuticos paralelos que se cruzam e entrecruzam; o caminho da ausência e os caminhos de si-mesmo no “aqui”.

Por um lado o caminho da ausência e da presença; onde existe um terapeuta intermediador centrado em intermediar a relação da pessoa com ela-mesma, onde se trabalha particularmente com o distanciamento de si-mesmo e do mundo (ausência e desconexão) e a retomada da relação consigo-mesmo e com o mundo (presença). Que é estratificado de acordo com o funcionamento pendular (vertical) tendo como principal agente terapêutico os exercícios-procedimentos.

Por outro lado; o caminho da própria relação consigo-mesmo, o caminho paralelo; onde a maior parte do trabalho se dá com a pessoa sozinha consigo-mesma, onde, a intervenção terapêutica é quase nenhuma. Neste caminho é a pessoa quem deve estar centrada na relação direta dela com ela-mesma. É a pessoa quem deve lidar, por si-mesma, com seus próprios conflitos. Este é estratificado de acordo com o funcionamento polar (horizontal) tendo como principal agente terapêutico à arte de encontrar momentos para estar consigo, nos diferentes pólos e de manter estes momentos protegidos, separados e paralelos à vida cotidiana. E que também têm os procedimentos em movimento como principal agente terapêutico.

Em termos terapêuticos, aqui temos os dois lados de uma mesma moeda. Um lado onde o terapeuta e a pessoa, trabalham cuidando, reparando e investindo na relação da pessoa com ela-mesma; e o outro lado, onde a pessoa trabalha com ela mesma, cuidando, reparando e investindo nela mesma.

No caminho da ausência (incluindo o distanciar-se e o retomar-se) a pessoa precisa apreender a se distanciar sem se desconectar; e logo precisa aprender a retomar-se de forma menos desconectado ainda. Tanto para se ausentar quanto para se retomar (a si mesmo e ao mundo) de uma forma menos desconectada é necessário que a corporalidade e a percepção estejam relativamente organizadas. O que significa que o caminho da ausência pede uma pauta constante de reorganização; o que envolve e inclui a capacidade de acompanhar-se.

Aqui temos um princípio metodológico (consigna) que chamamos de princípio do pêndulo: No funcionamento virtual; tanto a presença depende da ausência como a ausência depende da presença. Para acompanhar a ausência é necessário de uma pessoa capaz de se colocar presente; e para que a pessoa fique presente ela precisa ser capaz de entrar no seu funcionamento ausente de forma menos desconectada. Agora, os problemas do ausentar-se ou do distanciar-se só podem ser resolvidos no universo da ausência e os problemas do voltar para si e para o mundo só podem ser resolvidos no universo da presença.

O caminho paralelo (da relação consigo-mesmo) que lida com a arte de ir se despressionando é mais unilateral, onde a capacidade de se relacionar com o mundo depende do estado em que se encontra a relação das pessoas com elas-mesmas; porém, a relação consigo-mesmo não depende da relação das pessoas com o mundo. Isto é, a melhoria da relação da pessoa com o mundo; não melhora necessariamente a relação da pessoa com ela-mesma; e, muitas vezes, piora, pois coloca a pessoa despreocupada da relação com ela-mesma; agora, o desastre e as fixações da relação da pessoa com o mundo aumentam, e bastante, o desencontro de si-mesmo e as correspondentes pressões internas.

Aqui temos um princípio metodológico (consigna) que se trata do princípio das polaridades: No funcionamento virtual; quando a pessoa retorna de sua ausência; ela costuma manifestar uma tendência de se agarrar num dos pólos de seu funcionamento (que em nossos termos pode ser mais fechado ou ensimesmado em si-mesmo; no meio ou transitando de um pólo para outro; ou mais distante de si lançada na vida). Podemos dizer que é a própria incapacidade de estar consigo-mesmo num determinado lugar quem mantém a pessoa pressionada e suspensa; pressionando a si-mesma tanto para permanecer num lugar como para sair dele; o que propõe outra consigna para o funcionamento virtual (quando este se encontra de volta no aqui e agora) que diz que a maior pressão é o indivíduo quem exerce sobre si-mesmo. Também podemos dizer que geralmente, quando a pessoa está num dos pólos do seu funcionamento; ela vai se esquecendo da existência dos outros pólos. Isto é; quanto mais ela se afunda no mesmo pólo; mais se transforma num estado e menos sabe como era estar no outro pólo.

Diante destas duas tendências básicas do funcionamento virtual; o que podemos constatar é que tanto nos caminhos da ausência e da presença como na relação da pessoa com o mundo, o mais bonito e belo das pessoas está sendo desgastado pela perda da conexão consigo-mesmo; o “si mesmo” tem se transformado, a cada dia que passa, num ser mais exigente e intransigente e a conseqüência é um total desencontro consigo-mesmo.
Em outras palavras, nenhum dos dois caminhos propostos pela Arte Org são fáceis; mas o caminho paralelo que lida com as
pressões do “aqui” (centrado na relação da pessoa com ela-mesma) costuma apresentar dificuldades adicionais. Afinal aqui se trata da autonomia de movimentos da pessoa com ela mesma e da capacidade de se conectar consigo-mesmo.
 

 

A metodologia paralela da ausência e o caminho paralelo do aqui.

[metodologia_paralela]; [caminho_paralelo]

O conceito de metodologia paralela é bem antigo na Arte Org; esteve tanto presente na prática da Arte Org da ausência, como, por exemplo, nos princípios de compor e lidar com o processo terapêutico de forma intermediadora e indireta, ou no paralelismo entre os trabalhos corporais e os trabalhos perceptivos de campo; como estava presente na própria estratificação da ausência que por definição; como também foi à base da estrutura de pensamento (funcionalismo paralelo) usada como plano de fundo para a organização da metodologia da Arte Org. Porém, foi somente com o projeto reciclagem que o trabalho paralelo se corporificou como um caminho (entre a terapia da ausência e o viver cotidiano).

De acordo com a proposta da Arte Org; toda a configuração do funcionamento virtual deve ser trabalhada num laboratório à parte, separado do mundo real e de suas forças, dentro do marco da relação consigo-mesmo e isto faz parte da própria ética do funcionamento ausente e, portanto do mundo virtual em geral.

Esta diretriz se torna mais necessária quanto mais o funcionamento virtual se encontra fixado em sua configuração polar do “aqui” (conexão – terra => pressionado no “aqui”).

Diante da forma pressionada e exigente que costuma aparecer na vida cotidiana dos virtuais pressionados no “aqui”, a reconstrução deste espaço intermediário, preservado e paralelo transforma-se em mais do que uma necessidade; numa urgência. Um caminho que tem a função de ir deslocando a pressão do viver cotidiano; de tal forma que estas pressões, ou melhor, esta forma de pressionar-se possa ser lidada no domínio da própria pessoa com ela-mesma; promovendo assim uma despressão na relação consigo-mesmo e na vida cotidiana.

Do ponto de vista da Arte Org, a ética imposta pela direção do voltar para si mesmo diz que não se pode e nem deve interferir diretamente na vida cotidiana das pessoas e menos ainda em seu “Eu” cotidiano. Que todas as modificações no funcionamento cotidiano das pessoas devem ocorrem como conseqüência e não como objetivo ou metas. A despressão da vida cotidiana deve ser uma conseqüência do trabalho consigo-mesmo e não a meta ou o objetivo da terapia Arte Org ou do caminho da Arte Org.

Encontrar formas de melhorar a relação da pessoa com ela-mesma sim faz parte dos objetivos da Arte Org e de nossas metas, da mesma maneira que lidar com a ausência ou com o ausentar-se (desconectado ou não) de si-mesmo também faz parte de seus objetivos.

O projeto reciclagem da Arte Org

[reciclando]

“Reciclagem” foi à forma como os arteorguianos nomearam o projeto terapêutico orientado para lidar com as pressões que habitam o “aqui” (voltar para si mesmo aqui e agora) e que muitas vezes invadem e dominam a vida cotidiana. Como muitas vezes um puro nome não serve para contextualizar a situação; ele também é denominado como sendo a metodologia org do “aqui”; ou simplesmente de caminho paralelo; e se trata da arte de se mover pelos caminhos de si-mesmo no “aqui” e tem como objetivo, além de intermediar e lidar com as pressões cotidianas, resgatar, restaurar, reparar e desenvolver a relação consigo-mesmo (acompanhando e sendo acompanhado por si-mesmo, amistando-se - consigo-mesmo).

O termo reciclagem foi usado em primeiro lugar para a situação dos que já tinham feito ou andado um bom caminho na terapia org; sendo que chegado o momento de lidar de forma mais pormenorizada com o voltar para eles-mesmos seu processo terapêutico se colocou como paralisado. O momento pedia uma pequena revolução para colocar as coisas e a si-mesmo em movimento e, portanto, o conceito não servia para quem está começando o seu processo terapêutico. Porém, pensando na situação das pressões, do desgaste, do ser consumido, do perder-se de si-mesmo ou de seu próprio caminho e mesmo da sobreexcitação de campo; que são situações vigentes e comuns a qualquer pessoa pressionada no “aqui”; o conceito de reciclar também parecia vigente; principalmente porque este se opõe a sair mudando tudo, a trocar o velho pelo novo, está centrado em cuidar, reparar e investir no que já existe, em atualizar-se para obter melhores rendimentos. Por isto ficou reciclando inclusive para os novos na Arte Org; e, de acordo com as normativas atuais, o projeto reciclando de cada um deve começar paralelo e ao mesmo tempo em que começa a terapia Arte Org e seguir acompanhando-a.

 

Sobre o paradigma paralelo dos terapeutas org.

[funcionalismo_paralelo]

O trabalho prático e investigativo com o funcionamento virtual propõe um perigo constante que pode ser colocado como sendo o perigo de ser inundado por um dos domínios envolvidos (confusão mescolativa por interpretar o funcionamento de um nível por leis de outro nível como a psicologização do corpo ou a somatização da percepção); ou o perigo de ficar fixado num dos pólos do funcionamento virtual. Sendo que a ferramenta prática para lidar com isto são os próprios exercícios procedimentos e a ferramenta fenomenológica é o pensamento funcional paralelo (desenvolvido no próprio âmbito da Arte Org). Porém quando queremos checar de forma epistemológica o que estamos propondo ou fazendo; na resta outra; o mais atinado é recorrer ao pensamento funcional tal qual proposto por Reich.

Agora, para falar um pouco do vem a ser o pensamento funcional paralelo preciso me referir ao primeiro período da Arte Org; quando ainda estávamos metabolizando o mundaréu de in­formações que surgiram da desconexão ausente e seus atores coadjuvantes.

O céu do ido-distante-desconectado tinha caído bem em cima de nossas cabeças e ainda estamos meios zonzos, se perguntando o que foi mesmo que tinha acontecido.

Todos os elementos que nós tínhamos para serem relacionados; surgiram por um lado de um território (por funcionamento e por definição) fronteiriço, intermediário e difuso; e por outro lado eram fixações e pressões direcionadas para todas as partes, sendo que o compromisso com qualquer uma delas coloca o delicado equilíbrio da tribo do si-mesmo (e suas éticas) em risco.

Em termos da orgonoterapia clássica e de acordo com o funcionalismo orgonômico podemos tomar várias direções com um processo terapêutico.

No âmbito do próprio indivíduo, de seu corpo e de seu funcionamento perceptivo, temos a alternativa do encouraçamento, e esta nos apresenta três possiblidades para seguir, a primeira em direção à profundidade, ao biossistema (encouraçamento profundo); a segunda em direção ao corpo (couraça corporal) e a terceira em direção a percepção (couraça caracterológica). Por um lado, da superfície para as profundidades, no sentido da estratificação do desencouraçamento, seja pela percepção ou pelo corpo; e por outro lado, da profundidade para a superfície, em direção ao desenvolvimento, ao encouraçamento, ou fechamento do carácter; seja pela percepção ou pelo corpo.

O relevante aqui é que de acordo com aquele então da descoberta e do desenvolvimento da Arte Org; a questão do funcionamento fronteiriço nos pegou exata­mente entre três direções de investigação. A diferenciação de níveis (centro, periferia e campo), a direção do desenvolvimento (encouraçamento, superfície) e a direção do desencouraçamento (de fora para as profundidades do biossistema).

Na direção da relação do indivíduo com o mundo é outro Deus nos acuda com a pressão do próprio individuo contra ele-mesmo que se combina com as mais estranhas necessidades impostas pelo viver no mundo nos dias de hoje.

E nós estávamos exatamente em cima do muro, querendo permanecer aí. Do ponto de vista do funcionamento fronteiriço; a direção do biossistema (profundidade) nem pensar, pois ela é muito perigosa. A direção do corpo (couraça muscular) é inundar mais ainda a corporalidade com as pressões, as angústias e o contacto e esta já está por demais inundada e sobreexcitada. A direção da percepção (estrutura, comportamento) é inundar a percepção objetiva, com os assuntos dos estados alterados de consciência e da desconexão ausente; e a consciência objetiva também já está inundada e desconectada. E a direção para o mundo é continuar amplificando os conflitos do individuo com sua própria identidade.

Isto é, necessitamos de uma quarta direção e essa não estava descrita nos manuais das terapias vigentes e de abordagem corporal.

Restava agarrar o funcionalismo orgonômico, inverter as suas setas e sair em busca de outras possibilidades; porém, usar o funcionalismo orgonômico como uma ferramenta de investigação é uma atividade bastante difícil; e colocar o funcionalismo para operar em pleno campo perceptivo difuso sem a correspondente prática é ficar atolando na própria compreensão. Simplesmente o funcionalismo orgonômico precisa de funções que possam ser enraizadas energeticamente e logo biofisicamente e logo corporalmente; e estas precisam ser pareadas com a organização perceptiva. Além disto, cada duas funções pareadas; pede um principio funcional mais global e mais amplo em sua base. Cada par funcionalmente pareado pede uma nova divisão em mais duas funções mais específicas e desenvolvidas ou uma fusão numa função comum como é caso do fechamento do carácter ou dos traços.

Para não dissociar a prático do que os exercícios procedimentos estavam revelando da nossa capacidade de racionar a respeito; o funcionalismo orgonômico ia ter que nos esperar um pouquinho mais.

Aqui, conseguimos abrir (não sei como) um espaço entre o funcionalismo primitivo e o funcionalismo orgonômico, que foi chamado simplesmente de funcional, de funcionalismo paralelo ou funcionalismo intermediário, para, pelo menos, manter e colocar as nossas compreensões de forma funcional... Quem sabe, um dia, consigamos inter-relacionar esses elementos orgonicamente.

Espero que ninguém se esqueça, que em muitas questões ainda estamos lidando com compreensões. E que compreensões não são verdades estabeleci­das, não são suposições, não são hipóteses e nem postulados. Nelas nós temos mesclado estas estranhas impressões sensoriais que aparecem como insights, as dificuldades que enfrentamos e as explicações sensoriais destas próprias dificuldades que aparecem como constatações e como soluções ou respostas a algo que não conhece­mos bem.

Para transformarmos grande parte dos elementos dos insights e compreensões do funcionamento fronteiriço em postulações funcionais temos ainda que percorrer um longo caminho. A começar por separar os fatos das interpretações sobre os fatos.

E por favor, não me misturem interpretações com compreensões, estes dois fenômenos se encontram em categorias diferentes. A interpretação é uma função de uma linguagem sobre essa própria linguagem. Compreender => apreender é uma forma de aproximação. As nos­sas compreensões nascem direta­mente da arte de mover-se. São aproximações de diferentes níveis, por si só contraditórias que estão liga­das diretamente aos nossos exercícios-procedimentos.

E não era só a ausência e a percepção difusa que tinham que ser explicadas funcionalmente; a descorporificação da corporalidade também; a sobreexcitação de campo também; sem falar que logo começaram aparecer outros fatos como, por exemplo, o da consciência difusa; a autopercepção que começava a aparecer na superfície; logo a couraça de campo e assim por diante; o virtualismo estava passando como um trator arando a terra e soltando pó; simplesmente revirando tudo.

Por falar em exercícios-procedimentos, acho bom recordar, que são eles que constituem os nossos primitivos fatos.

Para passarmos, da categoria de aproximação por compreensões, para a categoria de interpretações, devemos, em primeiro lugar, passarmos da categoria de exercícios-procedimentos, para linguagem em movimento. Isto é, nos faltava um bom caminho pela frente.    

Mesmo tendo, nos primórdios da Arte Org, todo esse caminho ainda por ser percorrido, o nosso funcionalismo já apresentava algumas pautas para ajudar o nosso trabalho com o funcionamento fronteiriço (intermediário); e este sim estava voando a olhos vistos.

Daí em diante; foram bem poucos os momentos que eu posso dizer que as compreensões estavam adiante da prática. Os insights sim; estes podem se multiplicar e inundar com a pessoa completamente parada sem fazer nada; mas as compreensões dos processos; parece que entrou na freqüência de como mesmo podemos compreender o que está passando com este ou com aquele movimento, e aí ficou.

Assim foi que começamos a formular as primeiras linhas do funcionalismo paralelo.

• Em primeiro lugar, mantemos a divisão e a diferenciação entre as funções perceptivas (objetivas e difusas), das funções corporais, do biossistema que as origina e coordena, e do campo energético que as permeia.

• Em segundo lugar, nos perguntamos qual a maneira que podemos lidar com a pressão de voltar a ser uma unidade, um organismo, sem que isso seja uma fusão de funções, mas sim uma conseqüência de lidar com a problemática da ausência de si-mesmo.

• Em terceiro lugar, sem a utilização prática da diferenciação da função em si mesma do seu órgão correspondente, nós não daríamos um passo sequer no difuso e obscuro estado confusional, que, de acordo comigo, se encontra em território limite, exatamente entre a percepção (objetiva) e seu órgão correspondente.

Enquanto o funcionalismo orgonômico, na maior parte das vezes, tinha assegurado a pareação antitética, e dela partia em busca do princípio funcional ou denominadores comuns (como no caso da pareação entre psique - couraça caracterológica - e corpo - couraça muscular - e daí em busca do biossistema - encouraçamento central -); o funcionalismo intermediário nasceu do exercício de desmesclar, de separar, de resgatar as antíteses de seus próprios princípios funcionais.

Nossa suposição é que a percepção difusa é um princípio funcional que deveria estar na base da percepção objetiva; e que vem inundando gradativamente a percepção objetiva como um todo.

Principalmente no que se refere à percepção do "todo" difuso, que inunda a percepção objetiva de conjunto e com o tempo à própria percepção objetiva focal.

Com isto estamos querendo dizer que a desorganização da percepção objetiva encontrada nos estados alterados é mais que uma simples desorganização; é uma inundação de funções. Na verdade uma sobreposição de funções.

O mesmo, e de forma antagônica, está acontecendo com o ramo corporal.

Tanto as reações impulsivas como a sobreexcitação de campo quando direcionada ao corpo indicam inundação de funções primitivas, de princípios funcionais, no funcionamento específico ou superficial. As alterações do metabolismo do funcionamento emocional do virtuais e a própria torpeza, tão característica dos estados ausentes, apontam na mesma direção.

Isto reforça nossa suposição que o inocente ido-distante-desconectado conseguiu despertar um relativo pandemônio de forças que ninguém sabe muito bem o que fazer com elas.

De qualquer forma isto é o que temos feito sistematicamente, desmesclar, desfundir, separar, dividir.

• Em quarto lugar, em nosso trabalho, o pensamento funcional paralelo se encontra pareado com outro método de pensamento, ainda mais antigo que o próprio funcionalismo primitivo, e, que muitos outros métodos de pensamento. A saber: o pensamento animista (contacto animista).

Como diz o poeta... Os olhos são as portas de entrada e saída de uma alma que já não existe.

De acordo com Reich, o pensamento animista se encontra na base e tanto do pensamento mecanicista como do pensamento místico.

No desenvolvimento do trabalho e das investigações com a ausência, abertura de um espaço animista pareceu como uma necessidade. Simplesmente porque o pensamento animista é a linguagem utilizada pela maior parte das pessoas, quando estas conseguem se referir as suas impressões sensoriais difusas, isto é, na maioria das vezes, os insights (sobre o ido-distante-desconectado) foram formulados da forma animista.

E não somente como pensamento; mas sim como procedimento; isto é, os virtuais usavam o animismo como uma forma de estabelecer contacto; isto é, o contacto animista estava envolvido na ausência.

Conseguimos compor e afinar a nossa metodologia e compor o corpo de conhecimentos da Arte Org com os insights e com as compreensões que aparecem como decorrência do trabalho em território difuso; sendo que estas compreensões e insights apareceram com uma textura animista. Isto é, o animismo é uma forma de comunicação que os fronteiriços usam para se referir ou traduzir as suas impressões ou sensações difusas. Foi assim que aprendemos que o animismo era uma linguagem natural e nativa usada para relacionar-se com consigo-mesmo e com um mundo de experiências, de impressões e sensações soltas no ar pela ausência ida.  Foi assim que nasceu a nossa proposta de manter o animismo como linguagem e procedimento por um lado; e, pelo outro lado usar o funcionalismo paralelo como método.

Por mais objetivo que são nossos olhos, sabemos, em algum lugar, que mesmo com os olhos abertos e vendo, ora vemos e ora não vemos...

Quando o ver se retira para dentro, para o fundo da cabeça, a gente fica como olhando o mundo por uma janela, como se estivesse distante do mundo, isolado.

Quando o ver volta para os olhos, e saí para o mundo, é neste então, que o mundo se abre, adquire cor, vida, se coloca em movimento, sendo que às vezes as nuvens brincam pelos céus como coelhos felizes, e outras vezes, elas colocam-se tristes, e choram como eu quando me sinto sozinho.

Quando o ver vagueia por nenhum-lugar é que ficamos com a impressão de estarmos idos, muito, muito distantes, vagando pelas terras de não sei onde, e não dá vontade de voltar para cá.

Porém, quando mesmo assim, voltamos. Voltamos?

Quando conseguimos novamente sentir o vento que nos acaricia o corpo; o pasto que nos faz um agrado nos pés; o cheiro da terra molhada que refresca os nossos pulmões; e ouvimos a alegria dos pássaros cantando pelo dia; e vemos ao longe a fumaça do velho forno que ainda teima em fazer o pão, e vem àquela fome danada como se o pão estivesse nos pedindo para ser saboreado; pronto. Aí sim que voltamos.

Até que a função de ver volte a habitar nossos olhos...

Portanto, várias de nossas compreensões, apareceram formuladas de maneira animista, sendo que para algumas delas apresentamos sua correlação funcional.

Outras tantas apresentamos da maneira funcional orgonômica, o que nos permitiu manter uma ponte de conexão entre a Orgonoterapia Funcional Intermediária e a orgonomia.

Além disso, o animismo foi mantido como forma de proteção, como organização intermediária, o que nos assegurou, tanto contra o misticismo, como contra o mecanicismo.

Como estamos trabalhando em território intermediário e difuso corremos o constante risco, por necessidade de se enraizar em algum lugar, de propor uma saída mecânica ou mística. Tanto uma como a outra só iria nos confundir mais ainda.

E mais do que isto, sair do status de ausente de si mesmo, para um si mesmo presente e existindo na corporalidade é, principalmente e especificamente, mudar a forma de se relacionar consigo-mesmo. O animismo é a única forma de relação que conhecemos capaz de realizar esta proeza.

É evidente que o sobrenome de nosso trabalho deveria ser funcional animista, mas como sabemos que seremos mal compreendidos, neste caso, ficamos somente com o termo funcional.

Porém na prática, resultou que esta confusão podia ser abordada de uma forma mais simples; era somente manter a pareação entre a corporalidade e a percepção de campo de forma que uma fosse combinando com a outra. Ou mesmo nas pautas dos exercícios onde sempre temos presente mais de uma direção se contrapondo, se defendendo e se completando.

Com os anos; conforme as direções de trabalho foram se manifestando e se clareando o pensamento funcional paralelo foi ficando mais automático e menos angustiante; até quando nem sequer estávamos preocupados com sua existência; surgiu o caminho paralelo do projeto reciclando ou a composição polar para os caminhos de si-mesmo no “aqui”; que nada mais é do que o mais puro dos pensamentos paralelos.
 

 

A função pendular do processo ausente e a função polar do viver cotidiano.

Na Arte Org, nós propomos dois caminhos ou duas modalidades paralelas para próprio desenvolvimento do processo terapêutico.

Denominamos o primeiro caminho de movimento pendular da conexão ausente ou seguindo os caminhos da ausência; sendo que este se refere à Arte Org propriamente dita (Arte Org da ausência) e foi desenvolvido de acordo com o modelo pendular.

Denominamos o segundo caminho de caminho paralelo da ausência ou lidando com as pressões do “aqui”; ou ainda nos caminhos de si-mesmo no “aqui”; sendo que este se refere ao projeto reciclando da Arte Org e foi desenvolvido de acordo com o modelo polar. Na prática da Arte Org atual este dois caminhos são paralelos e a terapia caminha oscilando e alternando entre os dois.

Porém, para chegar a um acordo entre estas metodologias não foi simples e nem fácil; e a pressão para sair do universo intermediador e intermediário do entorno da terapia org da ausência e entrar no universo das pressões cotidianas foi realmente forte. Dito de outra maneira; desenvolver uma metodologia para lidar com as pressões do aqui sem perder as características da Arte Org; e sem esquecer do fio condutor proposto pela ausência; foi realmente uma dança mais complicada do que entrar no universo da ausência sem perder as características da corporalidade. A atração para interferir na vida dos virtuais pressionados em sua vida cotidiana é quase que algo irresistível. Na verdade; podemos dizer que para deslocar o centro do processo terapêutico e sua metodologia do caminho paralelo da ausência para compor um caminho paralelo à vida cotidiana das pessoas; que não interferisse diretamente no ser cotidiano de cada um; sem se perder das características gerais do processo de se ausentar e do funcionamento virtual; foi necessário usar todo o conhecimento prático e teórico da Arte Org e mais um pouco. Sendo que uma parte disto só possível porque conseguimos visualizar um modelo gráfico chamado de funcionamento polar onde as duas estruturas (por um lado, o funcionamento virtual ausente; e por outro lado o funcionamento virtual fixado no aqui ou o funcionamento virtual extruturado) aparecem de forma combinada.

[modelo_pendular].

O primeiro modelo gráfico que nos apareceu para representar a ausência foi o de um pêndulo, que coloca a ausência de um lado; a presença do outro e o “aqui” e “agora” no meio. Sendo que do lado da ausência tudo bem; a coisa se dá como um distanciar-se do aqui e um voltar para cá; mas, do lado da presença a coisa se confunde, pois o lado oposto da ausência se manifesta como sendo a ressaca; e a presença enquanto tal só se manifesta com a pessoa saindo da ausência antes de entrar na ressaca ou saindo da ressaca antes de entrar no novo ausentar-se.

Logo descobrimos que a ressaca podia dar numa outra ausência, a de baixo; o que deixou o nosso pêndulo com dois pontos finais; a ausência de cima e a ausência de baixo e no meio uma região (como uma moeda) de dois lados; a presença e a ressaca.

[modelo_polar].

Agora, quando este mesmo funcionamento é visto do ponto de vista do aqui cotidiano; o modelo deixa de ser pendular para ser polar. Onde uma posição pode ser oposta ou sobreposta à outra. O que significa dizer que quando a pessoa está se ausentando ela está indo de um ponto para o outro, em transito, fluindo; mas quando ela não está se ausentando ela está como que parada no mesmo lugar com duas forças; uma empurrando para criar raízes e a outra empurrando para ir para o outro pólo; na verdade para dois pólos; o real e o sobreposto. O que significa dizer que quando a pessoa está fora do fluir da ausência e de volta no aqui e agora; ela está no mínimo lidando com três forças, uma para ficar; outra para ir para o pólo oposto e outra para se ausentar.

Também significa que do ponto de vista do aqui e agora temos claramente um norte que aponta para o sul e vice-versa e uma direção invisível ou subliminar que empurra para ausência; mas esta não está nem no norte e nem no sul; nem em criar raízes num pólo e nem em sair voando dele para o outro pólo e nem no meio caminho entre um pólo e outro; pois para a pessoa se ausentar ela necessita de distanciar dos pólos do aqui; do caminho entre eles; e da própria pessoa. Isto é; se a pessoa não se distancia também dela mesma - ela não distancia. E como já sabemos; precisamos de um distanciamento sem a total desconexão de si-mesmo; pois a ausência desconectada não nos ajuda a ir resolvendo os conflitos; principalmente não ajuda no que se trata dos conflitos consigo-mesmo.

[comportamento_polar].

É só olhar para a incapacidade de estar tranqüilo consigo-mesmo num mesmo lugar (que vem crescendo de uma forma absurda no funcionamento das pessoas na atualidade); para compreender que o funcionamento pendular acaba induzindo o funcionamento polar.

A diferença se manifesta no ponto de vista de quem não está se ausentando; que não percebe o estar em transito como sendo um lugar. Como o ponto de vista da ausência costuma desaparecer com a própria ausência; o ponto de vista que permanece é o modelo polar. O que significa dizer que o modelo polar pode ser mais facilmente reconhecido pela pessoa e identificado com seu funcionamento do que os elementos de sua própria ausência.

É bem verdade que o modelo pendular da ausência é mais aberto; mais fluído e mais relativo e o modelo polar do funcionamento do “aqui” é mais fechado e menos relativo, mais reduzido; mas as características das pressões têm se mostrado como uma constante nos últimos anos; o que significa que o que nós necessitamos é continuar vendo a situação como um “todo” apesar das pressões.  Em termos de modelo o que precisamos é incluir no modelo polar as direções da ausência como pólos, de tal forma que o modelo polar também nos mostre as tendências do funcionamento ausente.

O funcionamento polar do homem de nosso tempo é parecido com uma amplificação difusa do funcionamento maníaco depressivo transformado numa forma de comportamento. Abarca desde os fatos mais corriqueiros da vida íntima e da vida cotidiana do indivíduo, até os temas transcendentes de sua identidade e de sua ética pessoal e profissional.

Uma das conseqüências mais drásticas deste tipo de comportamento polar é um crescente desacordo ou descontentamento consigo-mesmo, que anda de mãos dadas com constantes crises de identidade e de culpa.

Propomos que tanto a contradição e a ambigüidade como o funcionamento polar e o próprio descontentamento consigo-mesmo apontam para duas direções ou caminhos paralelos; o do aqui (desconexão e separação de si-mesmo; laçado para o mundo e mesclado com o mundo; e de volta para si-mesmo inundado e prisioneiro de si-mesmo) e o da ausência (ausência de si-mesmo e do mundo que nos rodeia e a volta para si-mesmo e para o mundo que nos rodeia).

A forma de funcionar que as estruturas virtuais apresentam “naturalmente” como sendo uma organização ou um funcionamento mais organizado, isto é, quando o indivíduo consegue voltar para ele-mesmo e para o mundo; isto o coloca num dos pontos ou níveis do funcionamento da ausência. É deste ponto; deste nível ou deste estado que a pessoa se desloca ou para si-mesma, para sua intimidade e se fecha; ou para os seus afazeres no mundo; para longe de si-mesma e se abre; constituindo assim dois pólos. Sendo que num pólo ou no outro; temos em sua base um esforço para parar o momento ausente parando e fixando a própria percepção.

Isto é, o que conhecemos como sendo um funcionamento mais organizado ou mais estruturado, nada mais é do que uma organização em blocos com funções mescladas de todos os lados; e se encontra justamente a uma passo da desorganização do funcionamento virtual e um passo das estruturas ressacosas (ou estruturas virtuais) ou do funcionamento fixado e pressionado no "aqui".

Porém, nem em todas às vezes nós encontramos os mesmos resultados ou o mesmo tipo de organização (depois que ela passa por tempo indefinido navegando pelo tobogã da ausência). Isto evidentemente depende não só de como se dá a ausência; mas também do estado que a pessoa se encontra (desgastada e pressionada por todos os lados) antes de ficar ausente; simplesmente porque determina se a pessoa vai conseguir se ausentar ou não.

Agora, independente do grau de desorganização, geralmente, quando a pessoa está num dos pólos do funcionamento virtual ela não sabe da existência do outro pólo e vice-versa. Isto é; quanto mais ela se afunda no mesmo pólo; mais de transforma num estado e menos sabe como era estar no outro pólo.

Vale esclarecer que as questões das pressões e das fixações em si mesmas não constituem nenhuma novidade. O contínuo proposto pela vivência da sobreexcitação de campo e da ressaca virtual; incluindo as mais complicadas como a ressaca sobreposta que se manifesta como depressão virtual; como masoquismo virtual; como loucura virtual; e como ataques destrutivos contra si-mesmo; já tinham sido descobertas juntos com os primeiros passos da Arte Org; o que significa que tanto o funcionamento polar (como sendo o outro lado do pêndulo da ausência) como muitas de suas artimanhas são conhecidas e reconhecidas há bastante tempo. E os correspondentes princípios, hipóteses, postulados e suposições para o seu funcionamento também; inclusive o funcionamento polar.

Como por exemplo, o princípio que relaciona a ausentar-se por um lado e o aparecimento do super-homem e do micro-homem por outro lado.

O ausentar-se de si-mesmo com sua difusa busca de contacto para além de si mesmo; com seu custo pago com o esgotamento da própria vitalidade; em conjunto com a pressão de ser os homens de nosso século; levam consigo um delicado funcionamento por um lado anti-humano, ou melhor, um super-homem e por outro lado micro humano, ou melhor, mais que humano.

Veja que o super-homem e o micro-homem são pólos contrapostos de um mesmo ponto de pêndulo ausente; isto é; são manifestação na vida cotidiana que surgem quando a pessoa está no lado oposto do pêndulo da ausência; isto é, quando a pessoa volta para si mesmo no aqui e agora; e sai atuando na vida tanto suas tendências ausentes como sua contraparte a ressaca.

Neste caso; a novidade do funcionamento pressionado no “aqui”; foi à forma como as pessoas foram organizando nos últimos anos seu funcionamento pendular em torno de sua vida cotidiana; resultando no que pode ser chamado de uma compacta configuração polar; como nova forma virtual de se estruturar; ao lado, ou como alternativa do já conhecido funcionamento virtual estruturado.

[pressão_polar].

É sua incapacidade de ficar consigo-mesma num determinado lugar (sem ser afundando) quem lança a pessoa para um outro pólo; e isto altera o seu próprio ritmo; o tempo dos processos. Se existe uma lei que coordena o funcionamento no aqui e agora é o espaço e o tempo; um lugar para o acontecimento das coisas e um tempo envolvido em cada um dos processos. E como isto vai de acordo com cada um individualmente; podemos falar no tempo e no momento de cada pessoa para completar sua experiência num determinado pólo e ir para o “outro”. Como também podemos dizer que é a própria incapacidade de estar consigo-mesmo num determinado lugar quem mantém a pessoa pressionada e suspensa; pressionado a si-mesma tanto para permanecer num lugar como para sair dele. O que confirma a nossa consigna que a maior pressão é o indivíduo quem exerce sobre si-mesmo.

Como sabemos da mania do funcionamento virtual (pressionado no "aqui") que diz que: para a pessoa conseguir estar consigo-mesma num determinado lugar; ou ela enfrenta o touro a unha e agüenta a angústia de estar; ou se ausenta, descansa, alivia a angústia de estar; e então pode estar consigo-mesmo no lugar onde se encontra; realizando a mais simples das atividades envolvidas com o estar.

Veja que a opção do enfrentamento é coerente com as pressões do “aqui” e a opção de intermediar é coerente com o ausentar-se. A opção intermediadora costuma ser de longe a mais efetiva; porém quando a pessoa está fixada no “aqui” o enfrentamento a si-mesma faz parte da natureza de sua própria pressão; a pressão de se enfrentar se transforma numa questão de auto-estima; o que significa dizer que ou a pessoa se sente enfrentando a si-mesma ou ela não aceita nenhuma alternativa. O que significa dizer que a metodologia da Arte Org para as questões do “aqui” necessita direcionar muito bem este enfrentamento; caso contrário ele continua direcionada para a vida cotidiana gerando mais pressões.

Quando a pessoa fixa sua própria pressão (a pressão de se enfrentar) num determinado lugar ou pólo (depois veremos o que é isto); em primeiro lugar ela se incapacita a si-mesma de se ausentar; em segundo lugar ela dirige sua pressão contra si-mesma; ou contra o seu ser encarregado de viver no cotidiano; ou então projeta seu próprio sofrimento para os lugares e para as pessoas dos lugares (que também se encontram esparramadas pelos pólos); e fixa isto de acordo com sua direção para o mundo (que por sua vez já é sobreposta por campos e campos de freqüências e tendências envolvidas com o vai e vem de seu ausentar-se); porém, memoriza esta fixação de acordo com sua história ou com a história que ela cria para ela mesma. O resultado é a fixação da própria configuração do “aqui” e agora que foi chamada de pressão do “aqui” (depois veremos como funciona isto).

É isto quem nos permite dizer que mesmo com a pessoa agarrada ou impregnada com um estado relacionado à sua vivência em um dos pólos; continua valendo as descobertas da antiga Arte Org (do tempo que a pessoa conseguia se ausentar mesmo que se desconectando; ou de tempo que a pessoa não vivia orbitando em torno de sua pressão do aqui; ou do tempo que suas pressões não tinha invadido completamente sua vida cotidiana).

Como por exemplo, a hipótese da Arte Org que diz que tanto os conflitos e as conseqüências destes conflitos, como o caos e a desorganização presentes nas pessoas que se ausentam de si-mesmas; nascem e se desenvolvem e se alimentam a partir desta mesma ausência; e mais especificamente do contacto ausente e suas defesas; e, se manifestam tanto na base da pressão de viver indo além dos limites (além de si-mesmo, projetando constantes mudanças em seu ser em prol de um funcionamento ambíguo e futurista) como na relação da pessoa consigo-mesma (com culpas difusas, generalizadas, ou em blocos, muitas vezes catastróficas, como as crises de identidade e baixa auto-estima). Somente que agora (nos tempos difíceis da estiagem nas terras do “aqui” ou do aquecimento global do universo de cada um). Esta mesma situação é secretamente estimulada e mantida pela ausência do ausentar-se.

Como também continua valendo o postulado da Arte org que diz que o virtualismo gerou um funcionamento para o “outro” (um “outro” virtual; pois o “outro” real, verdadeiro, ninguém sabe dele) por sobre si-mesmo que gera um desacordo tão grande na relação eu-comigo que, para compensar, fomos obrigados (na Arte Org) a reconhecer e colocar o centro da problemática virtual na relação da pessoa com ela-mesma.

Como também continua vigente a hipótese da Arte Org que propõe que no funcionamento virtual as crises de identidades superam todas as demais repressões inclusive à repressão emocional e sexual. Deixamos de ser seres emocionalmente reprimidos para sofrer de uma exposição constante com a alma exposta na própria pele; o tabu agora já não é a intimidade com os outros; más sim a intimidade consigo-mesmo ou de si-mesmo. É como se o lobo vazio e solitário estivesse tão próximo que temos todas as nossas atenções voltadas para o mundo exterior, não sobrando o menor tempo nem disponibilidade para cuidar de si-mesmo.

Sendo que algumas hipóteses da Arte Org relacionadas com o outro lado do pêndulo; o lado não ausente; tiveram seu certificado de garantia e validez confirmado e ampliado; como é o caso da nossa suposição que diz que a ausência de si criou um vácuo interno de tamanha proporção que geramos uma necessidade de si-mesmo por ausência de si-mesmo. Já não sentimos a falta e nem saudade de si-mesmo, mas sim uma pressão exigente de si-mesmo; que se manifesta nas mais diversas pressões, entre elas à pressão da autonomia. Devemos ser autônomos, auto-suficientes e democratas por obrigação e não porque funcionamos assim. Já não podemos agir espontaneamente com mais nada. O que temos são metas, propósitos e obrigações, inclusive a meta de sermos expressivos e espontâneos.

Temos nossos mais profundos valores juntos e fundidos com nossas pressões e pelo menos deles temos que ser responsáveis. Acontece que entre nossas pressões e nossos valores temos crises éticas de todos os tipos, de todos os territórios onde forçamos o passar dos nossos próprios limites.

A cada ausência desconectada uma nova modificação do ser, uma nova modificação da identidade, uma nova crise ética e um contra ataque interno cada vez menos claro e menos objetivo, falando a indecifrável linguagem dos distúrbios psicossomáticos.

Em outras palavras, a desorganização do vai e vem da ausência (com seu contacto ausente e difuso e suas defesas) se manifesta em nosso viver cotidiano como um crescente conflito das identidades internas. Somente que no tempo da estiagem do aqui; as identidades perdem sua qualidade de evento global para além das fronteiras para se adaptarem a sua forma reduzida coerente com o pequeno aqui de cada pólo; surgindo agora como tendências bairristas fantasiadas com as cores das torcidas e dos clubes locais.

[configuração_polar]

Quanto à própria configuração polar; o que a Arte Org da ausência tinha a dizer é que o funcionamento polar faz parte do funcionamento virtual que vive a vida numa constante experiência polarizada tipo oito ou oitenta; onde por um lado não importam as dificuldades de si-mesmo, porém sim o vencer a si-mesmo, e ir sempre além das possibilidades de si-mesmo e por sobre si-mesmo; e por outro lado um crescente descontentamento de si-mesmo ou baixa auto-estima com crescentes crises de vazio e de secura interna.

De acordo com o funcionamento polar; quando estamos possuídos pelas vibrações de certo lado, acabamos vendo os fenômenos externos e internos amplificados por estas vibrações e com isto ficamos completamente bloqueados para observar estes mesmos fenômenos pelo outro lado. Isto é, as experiências de um pólo anulam a do outro e vice-versa e isto tanto pode ocorrer ao mesmo tempo como completamente separado.

Entre um pólo e outro, no mundo do meio por assim dizer, temos um sistemático ataque ao sistema defensivo organizado; seja ele corporal ou perceptivo, que podemos expressar como sendo um crônico e amplo descontentamento com o ser que vive o cotidiano; descontentamento com o próprio corpo, com a forma de fazer as coisas, com a forma de ser, que pode ser resumido com uma simples frase; seja por qual motivo for nunca estamos contente com aquilo que fomos ou que somos e sempre somos obrigados (pelos anseios e pressões que inundam o si-mesmo) a tentar se modificar a cada instante.

Alguns fenômenos e pressões que foram surgindo em nossa cultura; geradas por este funcionamento virtual; são algo assim como: superação de si mesmo, missão, meta, exigência, dar-se além de si-mesmo, futurismo, globalização, excelência, impecabilidade, flexibilidade, transparência, eficiência, confiança, inovação, criatividade, qualidade total, aumento de produtividade, adaptações e transcendência. Resumindo: contacto ao máximo.

E todas estas pressões se centralizam no conflito da pessoa com ela-mesma e se dirigem para a relação do indivíduo com seu entorno e com os demais. E voltam a se dirigir para a relação do individuo consigo-mesmo para serem novamente projetadas nas relaciones de todo tipo, amizade, trabalho, casais, famílias, lugares etc.

Com isto podemos supor que mesmo desorganizado (até certo ponto) o ser virtual tem sua própria vida de certa forma organizada. Resta se perguntar o que mesmo acontece que leva a pessoa a configurar seu momento de estar aqui (pressionado) numa constante do seu funcionamento.
 

 

Os elementos usados na Arte Org como procedimentos terapêuticos.

[exercícios-procedimentos]

A Arte Org não é uma terapia lingüística; é uma terapia corporal que abarca tanto a organização da corporalidade como a organização da percepção; incluindo a percepção difusa e a percepção de campo. Seu corpo de procedimentos terapêuticos (em sua grande maioria; ou em 99% dos casos) são chamados de exercícios-procedimentos, cada qual com uma ou mais pautas; portanto, na prática, o que temos são movimentos corporais e perceptivos.

Na Arte Org inclusive a compreensão passa (em parte) pela arte de se mover ou está a ela relacionada.

São com movimentos corporais e perceptivos (exercícios procedimentos) que os arteorguianos buscam desenvolver uma linguagem que possibilite uma melhor compreensão do funcionamento ausente em geral e de suas conseqüências peculiares e particulares. Com os quais procuram lidar com as particularidades; com as diferentes formas e níveis de conflitos presentes na relação intrapessoal e seus conflitos (provocados por este constante ir para longe de si e este voltar para si). Esta mesma arte de se mover também é utilizada para reorganizar tanto as funções corporais como as perceptivas que se encontram alteradas (pelo funcionamento ausente, pela dinâmica da relação consigo-mesmo e pela pressão que é viver a vida cotidiana no mudo de hoje).

A proposta da Arte Org é usar os movimentos corporais e perceptivos (exercícios-procedimentos) tanto para investigar o funcionamento da ausência e das pessoas que se ausentam; como para lidar terapeuticamente com o ato de ausentar-se de si-mesmo e de voltar para si-mesmo e com suas conseqüências; como também para entrar e lidar com a dinâmica da relação consigo-mesmo; ou mesmo para construir um domínio paralelo, um caminho à parte, pontuado por espaços preservados coligados aos seus devidos pólos (onde o indivíduo possa entrar no espaço de relação com ele-mesmo e lidar com as diversas pressões e conflitos presentes em seu funcionamento).
 

 

A estratificação da ausência e a estratificação do processo terapêutico.

A Arte Org terapia é estratificada de forma global, e a estratificação da ausência e da presença também, isto é, o se distanciar de si-mesmo e o voltar para si-mesmo funcionam de forma global. Quanto mais global e igual para todos podem ser os procedimentos mais à pessoa pode encontrar sua própria forma de se mover e com sua própria identidade. Agora, a relação consigo-mesmo e diferente; esta tem suas próprias especificações que precisam ser levadas em consideração desde o início do trabalho terapêutico, e disto se encarrega o caminho paralelo que trata da Arte de se mover de acordo com os caminhos de si-mesmo no “aqui”.

A Arte Org da ausência está dividida por ciclos e estes são compostos por vários procedimentos seqüenciados de forma gradual. Nestes ciclos, os exercícios funcionam como um conjunto montando uma dinâmica própria a cada ciclo; onde se procura trabalhar tanto com a ausência e a organização da percepção, como com a presença e a organização da corporalidade; e com a relação consigo-mesmo; sendo que cada ciclo se refere a mais uma etapa na arte de acompanhar a ausência e está de acordo com a estratificação da mesma ausência. Isto é; no próximo ciclo se trabalha com os mesmos elementos do ciclo anterior num nível mais profundo. Isto independe do mal que esteja sofrendo cada um ou do tipo de identidade de cada um. Da mesma maneira; a arte org que lida com as pressões e com os caminhos de si-mesmo no aqui está dividida por módulos que repete o mesmo caminho entre os pós ampliando tanto os movimentos como a conexão envolvida.

Para a Arte Org; por mais que o nosso mundo esteja se direcionando para a terapia dos cinco minutos; o lidar com o processo ausente; com a relação consigo-mesmo; e com as pressões da vida cotidiana exige tempo, dedicação e constância; e não pode ser feito do dia para noite; simplesmente porque é necessário recuperar os diferentes ritmos dos processos naturais e estes funcionam de acordo com as leis do tempo e do espaço e não de acordo com o funcionamento virtual.

Com isto a Arte Org propõe mais uma consigna: Para o funcionamento virtual nada é constante; e nada está feito para permanecer de forma permanente. Nenhum estado permanece por si mesmo; portanto; o que a pessoa precisa aprender e recuperar a capacidade de acompanhar os processos é a confiança de que pode seguir caminhando.

Tanto a ausência como a presença, como a relação consigo-mesmo; manifestam-se num ir e vir constante; para longe e para perto; para dentro e para fora; para cima e para baixo; e isto não tem outro jeito. Funciona assim. A pessoa pode ir melhorando a cada exercício, mas ela vai afundar de novo e, disto, não se têm dúvidas.

Da mesma maneira que o caminho percorrido pela pessoa vai sendo parcialmente ou globalmente apagado, conforme a pessoa vai mudando de pólo ou vai se desconectando. Portanto o que temos é um constante recomeçar; que para que possa se transforma num caminho que segue adiante precisa incluir os procedimentos para ir recuperando o caminho percorrido a cada passo.

A forma que a Arte Org lida na pratica com este vai e vem; é incluindo as diferentes direções como pauta de seus exercícios-procedimentos.

Do ponto de vista das compreensões é cuidando de suas proposições; de tal forma a não propor coisas que não vão acontecer. É melhor, em todos os sentidos, que a pessoa saiba desde o princípio que ela vai ter que lidar tanto com sua ausência como com sua presença; e com sua relação consigo-mesma e com suas diferentes pressões; e isto para o resto de sua vida e que terá seus altos e baixos; apesar de que isto está completamente contra suas secretas ou manifesta intenções virtuais.

Agora, a Arte Org terapia, apesar de ser um processo terapêutico longo, apresenta resultados em cada exercício (somente que estes resultados não se manterão no tempo; e mesmo que isto fosse possível se constituiria em mais uma fixação que pararia todo o resto).

Da mesma maneira o trabalho terapêutico da pessoa com ela mesma é para o resto da vida, porém sua terapia acompanhada por terapeutas não pode ser para o resto de sua vida, mas também não se constitui em questões que podem ser trabalhadas num fim de semana.

Simplesmente nem a ausência e nem a presença e nem a relação consigo-mesmo e menos a pressão do “aqui” são agarráveis com os métodos do tipo aprenda a como resolver sua vida num fim de semana; mas sim se pode dar um passo mais na capacidade de restaura e reparar a relação consigo-mesmo num exercício; num trabalho de fim de semana ou mesmo num momento solto observando a lua ou o pasto crescer.
 

 

O processo terapêutico centrado na relação consigo-mesmo e na autonomia do indivíduo.

[relação_consigo_mesmo].

Na Arte Org; o terapeuta não deve induzir os processos diretamente. Por exemplo, os terapeutas org; intermediadores ou monitores; quando no domínio da Arte Org; não devem fazer massagem de qualquer nível, nem massagens de corpo e nem massagens de campo. Todos os processos devem fluir através dos exercícios-procedimentos que a pessoa faz com ela mesma; inclusive os processos de campo perceptivo.

Isto não significa que os terapeutas org não devem propor, em muitos casos, que a pessoa busque outros recursos, com outros profissionais; como, por exemplo, quando a fixação se desloca para o próprio espaço corporal e se agarra em sintomas; pelo contrário, pois é costume (e recomendável) fazer isto com bastante freqüência. Mas este não é o território da Arte Org, nem seu objetivo, nem seu método.

Simplesmente, tanto o trabalho com a ausência; como o trabalho com a relação consigo-mesmo; exigem este nível de autonomia, exigem que seja a própria pessoa quem esteja a cargo.

Para desenvolver uma metodologia centrada na ausência e na relação consigo-mesmo, foi necessário reformular o atendimento corporal de maneira completa, retirando dele todos os elementos diretamente indutores de processos (como soltar as couraças com o trabalho muscular direto); e mais, foi necessário substituir todos os possíveis elementos indutores por exercícios-procedimentos feitos pela própria pessoa com e mesmo nível de efetividade.

Quando alguém busca ajuda em um momento de crise, desorganizado e com sua vida desorganizada, mesmo que sem uma formação clara de sintomas, a pessoa, muitas vezes, não tem possibilidades de examinar o que lhe está sendo proposto como método de trabalho. A sua desorganização, seus mal-estares e seus sintomas estão fixados como foco em sua consciência; enquanto que a pessoa está direcionada a fazer alguma coisa para acabar com estes mal-estares e sintomas. E isto quem ocupa o espaço das preocupações e das ponderações das pessoas. Outras vezes e ao mesmo tempo; a pessoa pode estar direcionada a tocar fundo, como se o fato de tocar mais fundo a salvasse de passar por isto novamente ou a ensinasse, a ferro e fogo, a como viver.

A política da Arte Org e não entrar nos níveis de profundidade de uma pessoa se ela não estiver organizada; sendo que a organização envolve a capacidade de se distanciar e de voltar para si-mesmo em cada um dos níveis de trabalho.

Para a Arte Org a capacidade de se reorganizar e de se retomar é prioritária e funciona de forma diferente em cada nível do desenvolvimento do próprio trabalho terapêutico.

Geralmente, quando uma pessoa se encontra em crise ou desorganizada, e vem em busca de ajuda terapêutica, ela não tem a menor possibilidade de assumir ou rever os compromissos que tem consigo-mesma, simplesmente está desesperada para sair da situação em que se encontra. Até para poder assumir novos compromissos consigo-mesma a pessoa precisa, em primeiro lugar, se reorganizar.

O método de trabalho da Arte Org propõe que a pessoa deveria sair da crise em que se encontra antes de poder tomar uma decisão, antes de concordar ou discordar inclusive dos procedimentos que lhe estão sendo propostos como porta de saída; inclusive sobre o desenvolvimento de sua própria terapia.

Não é nosso propósito trabalhar com a dinâmica profunda com a pessoa metida de corpo e alma, em seu cotidiano, ou nas profundezas de seu funcionamento.

Por exemplo, se uma pessoa está deprimida, ela primeiro precisa sair de sua depressão para poder conhecer o fundo de sua depressão. Trabalhar a dinâmica da depressão com alguém deprimido não faz parte das propostas da Arte Org. Não é se lançando no poço e vamos ver o que ocorre.

Além do mais, escarafunchar as profundidades só ensina sobre a dinâmica da profundidade e esta é simplesmente um aspecto da vida viva. E sair da depressão envolve o deslocar-se para outro pólo; onde tudo aquilo que foi aprendido quando a pessoa estava deprimida não serve para atuar e funcionar no outro pólo saindo da depressão.

Mesmo quando se trata de examinar o próprio funcionamento depressivo; de averiguar o que passa no fundo do poço; para entrar nas profundidades a pessoa precisa estar disposta e capacitada para se acompanhar: e alguém descapacitado, desorganizado, cheio de mal estares e sintomas não está disponível para acompanhar-se, no máximo para cuidar-se e olhe lá; sendo que na verdade a maior parte de sua energia esta direcionada para sair da situação em que se encontra.

Da mesma forma, na Arte Org não se deve propor soltar e nem soltar nenhum bloco emocional sem que a pessoa esteja ao mesmo tempo se capacitando ou capacitada para lidar com ele. 

Agora; quando o tema se trata de saldar antigas dívidas consigo-mesmo ou de investir em si mesmo, a pessoa precisa de mais reorganização ainda, como precisa de mais vitalidade, de mais energia disponível. Para que uma pessoa consiga ter dívidas acumuladas consigo-mesma; ou para que esteja com o investimento em si-mesma bloqueado; somente significa que os acordos internos anteriores já foram feitos baixo a pressão da desorganização e da desconexão; o que significa negociações internas e externas sem tomar a si-mesmo em consideração (ou com o não comprimento das promessas feitas a si-mesmo no decorrer dos dias, dos meses e dos anos); e que apesar disto, o si-mesmo (como boa gente que é) acabou cedendo e permitindo o andamento dos processos. Também significa que isto muito provavelmente pode ocorrer novamente; o que, do ponto de vista da relação consigo-mesmo, é um muito mau negócio; por isto mesmo as novas negociações e compromissos consigo-mesmo pedem certa organização anterior. Além disto; o próprio desenvolvimento do processo terapêutico costuma ir desenterrando situações mais complexas conforme a terapia caminha; não é necessário complicar mais a questão do que ela já é; pelo contrário; é necessário ir descomplicando.

Veja também:

Identidade descorporificada.

Identidades dos virtuais relacionadas ao desenvolvimento do processo terapêutico da Arte Org.

 

 

A reorganização da corporalidade e da percepção e a arte de se acompanhar.

[reorganização]

Em termos práticos e de acordo com a metodologia da Arte Org, toda a parte inicial de sua proposta terapêutica está orientada a organização da corporalidade e da percepção de maneira global, e isto significa que a pessoa precisa ir saindo de seu funcionamento desorganizado, fixado, com ou sem mal-estares e sintomas para ir retomando o seu funcionamento mais global.

Caso a pessoa não esteja muito agarrada em seu funcionamento, ou já não esteja comprometida organicamente, essa forma de trabalhar tem se mostrado – efetiva - em sua proposta. Quanto a efetividade dos casos mais crônicos depende em primeiro lugar da pessoa conseguir se mover com exercícios-procedimentos; estes casos pede uma quantidade maior de “tarefas de casa” e mais tempo de terapia para conseguir colocar os processos em movimento.

Agora, a retomada do funcionamento mais global não resolve (por si só) as questões fundamentais que estão que estão operando, porém coloca o indivíduo em condições de começar a lidar com estas questões. De acordo com a Arte Org o cerne do problema das estruturas virtuais é a ausência de si-mesmo e o voltar para si-mesmo. O que significa dizer que a pessoa só se adiantou em seu trabalho consigo-mesma quando se manifesta a sua capacidade de lidar com seu ausentar-se e com seu retornar para si-mesma.

A proposta da Arte Org como projeto terapêutico para os virtuais é que eles apreendam a lidar com o ausentar-se e com o voltar para si-mesmo e para isto eles precisam distanciar-se e retomar-se se acompanhando.

Além disto; de acordo com o funcionamento virtual; o ausentar-se vai acontecer de qualquer jeito; isto é; de uma forma ou outra as pessoas vão seguir adiante com sua aventura ausente.

Como a defesa central do funcionamento virtual é ausentar-se; a primeira coisa que uma pessoa vai fazer depois que se ver livre de suas amarras é voltar a ausentar-se a sua própria maneira; e isto, na maior parte das vezes, é quem leva a pessoa a voltar para si-mesma de forma desgraduada e desorganizadora.

A proposta da Arte Org é que o distanciamento ausente é inevitável; mas as desconexões que costumam acompanhar este distanciamento ausente sim são evitáveis. E isto por si só melhora enormemente o funcionamento dos indivíduos e sua relação com eles-mesmos.

O que significa dizer que a capacidade de acompanhar-se é quem verdadeiramente marca a diferença; é esta não costuma operar de forma automática; portanto; grande parte do processo terapêutico, incluindo o trabalho com a percepção difusa está direcionada para capacitar a pessoa a se acompanhar. Também significa dizer o acompanhar-se tem um caminho; tem etapas e fases; tal qual o ausentar-se.

Em outras palavras, de acordo com os postulados da Arte Org; para que o homem de nosso tempo possa voltar a funcionar globalmente; ele necessita, em primeiro lugar, ter o processo de ausentar-se de si-mesmo e de voltar para si-mesmo em andamento; e para isto, caso ele esteja em crise, fixado ou inundado em algum dos pólos de seu funcionamento, ele necessita soltar-se deste pólo e junto com isto reorganizar-se.

Por outro lado, um salto abrupto do funcionamento em crise, desorganizado, inundado, fixado, cheio de mal-estares e de sintomas para um funcionamento global que retoma o proceder da ausência pode gerar altos níveis de angústias e ansiedade e mesmo crises de identidade. Afinal acompanhar-se dignifica manter diferentes níveis de contacto tanto se distanciando como se retomando; e por alguma razão a pessoa se encontra como se encontra.

O próprio funcionamento polar (natural ou nativo do funcionamento do homem do nosso tempo) e por si mesmo assustador, afinal mudar de um pólo a outro modifica radicalmente a realidade vivida, a visão de mundo e os compromissos internos e externos, do pólo anterior e vice versa.

Nestes casos a compreensão externa pode ajudar a pessoa a diminuir o antagonismo entre os pólos ou diminuir o efeito salto, principalmente quando a pessoa não está organizada o suficiente para poder acompanhar a si mesma. Agora a capacidade de se acompanhar independe da compreensão que a pessoa desenvolve, mesmo sobre a ausência; simplesmente porque se acompanhar envolve tanto o perceber como o sentir e logo envolve também a arte de se relacionar consigo-mesmo.

No decorrer do seu processo, a pessoa, muito provavelmente, vai voltar ao pólo onde estava fixada ou inundada. O esperado neste caso, quando isto ocorra; é que a pessoa possa lidar melhor com a situação, ou com as impressões sensoriais básicas da situação, antes que esta se transforme em mal-estares ou sintomas, e, para isto, a noção do caminho percorrido e dos procedimentos usados, ajuda e muito.

Porém a memória e registro histórico do desenvolvimento e do processo são elementos organizados linearmente dentro das configurações do tempo e do espaço.

O funcionamento polar e a ausência saltam à organização linear do tempo e do espaço. O que significa dizer que tanto a ausência como o funcionamento polar consome a memória do indivíduo; principalmente no que se refere aos aspectos mais importantes relativos ao seu relacionamento ativo intrapessoal.

Sabemos o quão difícil é confiar em nossa memória principalmente quando o assunto se refere à gente mesmo.

Por tudo isto; no desenvolvimento do processo terapêutico é altamente recomendado que algumas tarefas não passem em brancas nuvens, como por exemplo, da parte do cliente: certo mapeamento inicial e uma forma de ir registrando, mesmo que externamente, os passos dados pela própria; como por exemplo, um diário de terapia. Agora do ponto de vista da metodologia e dos terapeutas orgs; também é recomendável que algumas compreensões de alguns pontos básicos sejam esclarecidas, se não em terapia; em textos de contextos ou coisas do gênero.

O que também significa dizer que o exercício de ir retomando o caminho percorrido consigo-mesmo cumpre uma outra função além do exercitar a memória; pois ele abre espaço para desenvolver a capacidade de reconhecer a experiência vivida consigo-mesmo; e, para o desenvolvimento da relação da pessoa consigo-mesma, este reconhecimento é realmente importante; sendo que na maioria das vezes ele se encontra a serviço da conexão com os “outros” e não da conexão consigo-mesmo. Também significa dizer que se esta tarefa não for colocada como parte do processo; a pessoa vai saltar esta parte; justamente porque com seu sentimento de solidão crônica ela já está negando a possibilidade de se sentir se acompanhando e mais ainda sendo companheiro de si.

Tudo isto coloca as dificuldades relacionadas com a capacidade de se acompanhar diretamente relacionada com a dificuldade de manter qualquer projeto pessoal em andamento; ou melhor, da incapacidade de ser contínuo ou constante.

Para quem não sabe ainda; a incapacidade de ser contínuo é inerente ao funcionamento virtual; e se a pessoa consegue alguma continuidade em seu funcionamento; esta vai estar relacionada com o mundo externo; o que ajuda a colocar aumentar os conflitos intrapessoais, pois a pouca capacidade de continuidade, de manter os compromissos acaba sendo desgastada com o mundo e com os outros; não sobrando quase nada para si-mesmo.

Em termos da relação da pessoa com ela-mesma; a incapacidade de se acompanhar e a incapacidade de ser contínuo são problemas maiores que habitam o plano de fundo do funcionamento virtual; bem maiores do que todo o desastre que pode ser encontrado na superfície do funcionamento das pessoas.

Em todo caso esta é mais outra situação que o desenvolvimento do processo terapêutico precisa arrumar; a capacidade de se acompanhar e a noção de continuidade (do trabalho consigo-mesmo) precisam (de alguma maneira) seguir seus cursos independentes da montanha russa presente no funcionamento virtual.
 

 

A abordagem da Arte Org relativa à reorganização dos atores coadjuvantes (sintomas).

[atores_coadjuvantes]

Temos aqui uma contradição; por um lado temos na Arte Org uma preocupação de compreender os mal-estares e os sintomas, sendo que uma grande parte dos textos de contexto da Arte Org se refere à sintomatologia virtual; e, por outro lado, a metodologia da Arte Org é intermediária e paralela, isto é indireta; ela atua de forma global (no “todo”) e não aborda os sintomas diretamente.

Ocorre que a presença de mal-estares e de sintomas é um forte indicador que algo está mal e de que alguma coisa é preciso ser feita. Sejam quais forem os sintomas com suas sensações adjacentes ou as sensações adjacentes que se manifestem como sintomas; eles tanto podem ser de natureza funcional como de natureza orgânica, isto é, podem significar uma desordem funcional (energética, perceptiva e corporal, psicossomática) ou pode significar uma doença em andamento. Sendo que as doenças em andamentos precisam, na maior parte das vezes, de tratamento médico.

A Arte Org não é uma disciplina médica e nem foi feita para tratar de doenças orgânicas. Também não foi feita para lidar especificamente com nenhum sintoma. Sua abordagem não é sintomatológica. Nem sequer pode ser caracterizada como medicina alternativa.

Como também não é uma disciplina psicológica; e menos ainda uma psicoterapia corporal. Não é uma disciplina embasada na linguagem; nem sequer na relação eu-outro. Simplesmente, a Arte Org não utiliza recursos psicológicos nem em sua prática e nem em seu marco de referências.

A arte Org (orgonoterapia funcional intermediária) é um método de investigação e um procedimento terapêutico centrado no funcionamento corporal e perceptivo do indivíduo, na sua relação com ele-mesmo, tem como foco de investigação e de trabalho a ausência e a desconexão de si-mesmo e suas conseqüências. Sua metodologia é intermediária, paralela e polar. Sua atuação é global e não direcionada especificamente. Seus proceder e seus procedimentos são compostos como exercícios-procedimentos que envolvem tanto a corporalidade como a percepção.

Porém em contraposição a isto; gostando ou não; em primeiro lugar, a forma dos homens modernos e pós-modernos mostrarem que as coisas não andam bem é enchendo-se de mal-estares e de sintomas. Apesar dos sintomas dos homens de nosso tempo (mais psicossomático, com maior carga orgânica e menor carga psíquica; mais sensoriais e vazios de significados) serem, de certa forma, diferentes dos homens antigos (mais psíquicos como sintomas obsessivos, histéricos, e mesmo os depressivos que podiam ser ligados aos fatos reais); o homem não perdeu a mania de fabricar sintomas. Mais ainda, parece que aumentou; pois quanto mais cresce o conflito da relação da pessoa com ela-mesma; mais a pessoa usa a linguagem dos sintomas para falar com ela-mesma.

Em segundo lugar o fato do trabalho prático da Arte Org ser global e não orientados especificamente aos sintomas, não significa que a Arte Org não atua na prevenção e profilaxia dos sintomas. O fato de que na Arte Org se fala em sintomas; sendo que em muitos casos se tratam dos mesmos sintomas apontados pelas demais disciplinas; não significa que a forma usada para compreender e lidar com estes sintomas tenha uma orientação psíquica (pelo menos não a psíquica que é comumente utilizada) e nem médica.

O que significa dizer que na Arte Org é necessário lidar com o funcionamento que está na base da formação dos sintomas funcionais; inclusive para que o indivíduo possa descobrir outras formas de lidar com ele-mesmo sem ser fabricando tantos sintomas. Ocorre que no funcionamento virtual a formação, a modificação e o transladar sintomas de um lugar para o outro; ou engatilhar a formação de sintomas de um lugar para o outro é um fato dos mais corriqueiros. Literalmente, a pessoa pode começar com uma desordem perceptiva no seu momento ausente e terminar com uma dor de barriga ou pode começar com uma simples ressaca que paralisa o limiar de sobreexcitação de campo e terminar com uma febre ou inflamação. Daí para frente os exemplos são infinitos sendo que os virtuais costumam criar novos sintomas todos os dias. Agora; o mais preocupante é que comum combinar o voltar para si-mesmo com o se agarrar em parte do corpo; promovendo impressões sensoriais que equivalem ou são bem parecidos com diversos sintomas; e quando este mecanismo se fixa, sim, ele pode terminar formando, estimulando ou precipitando sintomas realmente.

Quando temos um cliente pressionado no aqui, que apresenta certa sensação de sufoco como se o ar estivesse rarefeito e fica com o peito como se um elefante estivesse sentado em seu peito; ao mesmo tempo fica fixado no medo de ter um ataque cardíaco; e, acaba entrando na dinâmica dos exercícios reorganizadores da corporalidade e da percepção (que vão fazer de tudo para distribuir os movimentos e suas percepções pelo corpo como um todo, e a percepção de campo pelo espaço como um “todo”); sendo que o processo resulta no desaparecimento de sua sintomatologia; não existe outra maneira de falar sobre isto a não ser assumindo que neste caso; os exercícios alcançaram o mecanismo formador de sintomas do indivíduo.

Mesmo assim este lidar com o funcionamento do indivíduo não pode ser direto nem direcionado; simplesmente porque ele precisar estar orientado para as questões envolvidas com o funcionamento global. A diferença aqui é que este lidar com deve ser indireto e não direcionado. É como dizer: “se melhorarmos a qualidade de vida de uma pessoa; estamos melhorando quase tudo”.

Apesar da reorganização perceptiva e corporal de forma global ter se mostrado um dos métodos mais eficientes para diminuir os sintomas funcionais adjacentes ao funcionamento virtual; mesmo assim; por uma questão de coerência com a própria metodologia; na Arte Org não se pode ficar recomendando indefinidamente este ou aquele procedimento para aliviar este ou aquele sintoma específico. Simplesmente porque este tipo de atuação acaba colocando de fora o mais importante: a reorganização do funcionamento ausente.

Além disto; não podemos nos esquecer que a sintomatologia em alguns casos também opera como ponto focal das fixações; o que significa dizer que tanto diante da pressão do aqui; como nas ressacas em geral; a pessoa pode estar mantendo seus sintomas de forma fixada ou como fixações. Nestes casos; enquanto a pessoa pensa e funciona como se os seus sintomas fossem as causas de toda a sua infelicidade; opera mantendo sua atenção e sua energia fluindo para seus sintomas numa alimentação permanente. O que significa dizer que a pessoa só se sente existindo quando está preocupada com seus sintomas e assim coloca os “outros” (incluindo os terapeutas) preocupados com sua sintomatologia. Como em qualquer outra fixação; a pessoa precisa se desfixar para que possa novamente fluir. Justamente o que ela precisa fazer é soltar a fixação de seus sintomas. E como isto não é mágico; para que possa soltar as fixações precisa de se organizar, tanto corporalmente como perceptivamente; precisa voltar para o contexto e se mover como um “todo” independente de seus sintomas.

O mesmo é valido para todas às situações colaterais (estas que são chamadas de atores coadjuvantes) que costumam acompanhar o funcionamento virtual; ou melhor; que costumam começar aparecer quando o funcionamento virtual começa a se desorganizar. Pelo menos no que se referem às impressões sensoriais que acompanham a desorganização, os mal-estares e os sintomas; de acordo com a Arte Org; estas são engatilhadas por um descompasso, por uma perda da graduação ou por um desarranjo nos processos e procedimentos que a pessoa usa ou usou para voltar para si-mesma.

Para que a pessoa possa lidar com o processo de voltar para si-mesma; ela precisa voltar a ausentar-se uma e outra vez; e quando a pessoa está desorganizada, inundada ou fixada ela perde a capacidade de se ausentar, de se aliviar com sua ausência, de se conectar em sua ausência; e começa aumentar seu nível de desconexão e descoordenação aumentando mais ainda a pressão do momento polar onde ela se encontra. O que significa dizer que é justamente a possibilidade de se reorganizar corporalmente e perceptivamente quem abre espaço para recapacitar o funcionamento ausente.

A Arte Org (com seus exercícios procedimentos) tem se mostrado - bastante efetiva - para intermediar o funcionamento ausente; ela na maior parte das vezes pode intermediar com os estados e com os conflitos presentes na relação consigo-mesmo, incluindo os sintomas coadjuvantes do período ressacoso; mas ela não é milagrosa.

Os resultados mesmo que se apresentem de forma imediata, com na grande maioria dos casos, o caminho do processo terapêutico é bem largo, é um caminho de voltar para si, de restabelecer a relação consigo-mesmo e isto definitivamente não pode ser fácil.

Além disto, simplesmente, os ganhos e melhorias não se constituem em direitos adquiridos, isto é, nada no funcionamento virtual pode ser para sempre.

Com ou sem Arte Org os virtuais vão continuar funcionando de forma polar. Neste caso, o ganho que uma pessoa pode ter com seu processo terapêutico; além de poder intermediar os estados fixados e aliviar a guerra com ela-mesma, é adquirir ferramentas para navegar no mar da ausência e instrumentos para retomar a relação consigo-mesmo apesar das intempéries da ausência e de seu funcionamento polar.

Este é o objetivo da terapia Arte Org, o caminho por ela proposto para recuperar - por decorrência ou conseqüência - a corporalidade perdida neste caos virtual.
 

 

A abordagem da Arte Org relativa à reorganização da identidade virtual.

[identidade_virtual]

A metodologia da Arte Org é um procedimento que foi desenvolvido de acordo com o funcionamento virtual em geral e com a ausência de si-mesmo e do mundo em particular e está centrado na relação consigo-mesmo. Sua abordagem é corporal e perceptiva e sua forma de proceder é através de exercícios-procedimentos (movimentos) orientados para organizar a corporalidade e a percepção (incluindo o campo perceptivo e a percepção do campo (real) e uma percepção de campo sobreposta - virtual). Sendo que seu processo terapêutico se desenvolve de acordo com a estratificação paralela da ausência, que por sua vez, diferencia o desenvolvimento do processo terapêutico em vários níveis e etapas.

Portanto, a abordagem da Arte Org relativa à reorganização do Eu dos virtuais, por sua vez, necessita tomar em consideração e ser coerente com estes elementos.

A temática do Eu e da identidade é realmente complexa e já foi virada de ponta cabeça por todas as escolas do pensamento humano; porém acho que é de consenso que não se pode postular um método terapêutico direcionado a lidar com o funcionamento virtual (que por definição vive em constante crise de identidade) sem tomar uma posição no que se refere ao funcionamento e a organização desta identidade (descorporificada) ou identidades.

O que significa dizer que a primeira questão que devemos aqui considerar é justamente o paradigma virtual. A questão que nos toca de perto não se trata da organização e da compreensão do funcionamento da identidade em si mesma, mas sim como os virtuais vivenciam, compreendem, pensam e organizam sua própria identidade; e, em contraposição, como podemos lidar terapeuticamente com isto.

O compromisso da Arte Org aqui é com o funcionamento virtual e com o processo e o preceder terapêutico da Arte Org e não com as diferentes teorias sobre o funcionamento da identidade humana e nem com as proposições das mais diferentes abordagens terapêuticas vigentes.

De acordo com as investigações e postulações da Arte Org, os principais elementos da organização defensiva dos virtuais são: a ausência por um lado, a sobreexcitação de campo por outro; e logo a ressaca e a alternância do funcionamento polar, seguida pela separação ou divisão dos processos e conseqüentemente o funcionamento contraditório.

O que significa dizer que o virtual não permanece numa só posição do Eu; isto é, ele não apresenta um Eu constante; muito pelo contrário, o que ele apresenta é uma alternância na vivência do Eu, tanto é assim que o virtual costuma ser denominado como sendo uma personalidade dividida ou múltipla, por definição incoerente e contraditória ou em constante conflito; por isto com o Eu dividido.

Também significa dizer que o principal elemento que deve ser mantido como procedimento na reorganização do Eu virtual é a separação e a divisão como defesa. Em termos práticos e metodológicos, isto significa que dizer que na Arte Org não se pode propor soluções de qualquer natureza que se distancie da dinâmica do funcionamento virtual.

Uma vez que identificamos a ausência (desconexão ausente) como sendo o principal mecanismo de defesa do funcionamento virtual; não podemos sair propondo trabalhos em direção à conexão e ao contacto, sem tomar o ausentar-se em consideração, pois é com a ausência que devemos trabalhar.

O fato que a pessoa vá melhorando sua capacidade de estar aqui e agora e de ir aumentando sua capacidade de contacto, na Arte Org, é e deve ser uma conseqüência do trabalho com a ausência; ou no mínimo deve estar contraposto com a ausência como é o caso do projeto reciclagem.

O mesmo é valido para o projeto terapêutico da reorganização do Eu-virtual. Esta é a marca do trabalho Arteorguiano.

Na Arte Org, principalmente na fase inicial da terapia, não se deve e não se recomenda um trabalho direto com a identidade do indivíduo; mas sim, o esperado é que a organização da identidade vá se manifestando como decorrência do trabalho de organização da corporalidade.

Isto é, para a Arte Org, no funcionamento virtual a organização da identidade passa pela organização da corporalidade e da percepção.

A ausência virtual envolve justamente a descorporificação da corporalidade, portanto o que temos inicialmente no funcionamento virtual é uma identidade descorporificada que se encontra sobreposta por um tremendo esforço de compor uma identidade qualquer mudando constantemente de identidade. 

Com o ponto de partida estabelecido; a saber: separar e organizar os elementos perceptivos e corporais sobre os quais as identidades se desenvolvem e “permitir” que a identidade se organize por si mesma a partir da organização da corporalidade. Em outras palavras, a pauta aqui é não pressionar terapeuticamente as características especiais e individuais que estas também aparecem por decorrência da reorganização corporal e perceptiva, e isso é o que chamamos de trabalhar de forma indireta.

Agora, é bom esclarecer que este permitir é relativo, pois envolve a capacidade de permitir e os virtuais; quando se trata de si-mesmo; não costumam permitir nada; mas sim pressionam e empurram (a si-mesmos). O que significa dizer que a mais simples das reorganizações é capaz de despressionar o Eu; outra coisa bem diferente é se a pessoa permite que isto aconteça ou não. Também significa que a capacidade de se permitir sim deve ser trabalhada (em seu momento, de forma sistemática e gradativa; da mesma maneira que todas as outras grandes dificuldades envolvidas no funcionamento virtual).

Agora, quando estes indivíduos ditos virtuais ainda conseguem manter sua capacidade de se ausentarem (de si-mesmo e do mundo e de voltar para si-mesmo e para o mundo) relativamente funcionando, o trabalho de reorganização da corporalidade e da percepção cumpre o que promete; porém, quando esta capacidade já entrou em colapso e a pessoa se encontra amarrada em qualquer uma das etapas de seu esgotamento e de sua ressaca; a questão da identidade se manifesta de forma bem mais intruncada e complexa.

Neste caso não é somente que os virtuais apresentam uma confusão em torno de suas identidades; não é somente uma questão da divisão da identidade ou de múltiplas personalidades; além disto, e principalmente, temos uma pressão sobreposta por vários lados sobre a identidade seja ela qual for; e não é somente sobre um tipo de identidade ou outro, ou sobre aspectos da identidade; mas sim sobre a própria noção de identidade.

Os virtuais a cada dia suportam menos viver de acordo com uma identidade seja ela qual for; ao mesmo tempo em que eles não suportam viverem desenraizados de suas próprias identidades. Por um lado estão sistematicamente e constantemente bombardeando sua própria identidade de todas as formas e o esforço para modelar sua identidade a partir do dever ser é somente mais uma da muitas maneiras de não deixar a identidade tranqüila; sendo que o dever ser muda suas diretrizes a cada momento; e por outro lado se agarram em qualquer ponto externo ou interno, no campo, no corpo ou fora dele, principalmente nos aspectos escuros (profundo, cavernoso) de seu próprio funcionamento como eixo de sua noção de identidade. O que significa dizer que o indivíduo em questão vai colocar seus vários eus com suas diversas identidades no centro dos acontecimentos; e de forma sobreposta, pressionada e fixada.

Na Arte Org o trabalho com a com a reorganização da identidade virtual entra em vigência num momento adiantado do processo terapêutico; na fase que chamamos acompanhando a viaje ausente a “nenhum-lugar”; sendo que as identidades e os personagens envolvidos neste trabalho são restritos ao processo terapêuticos permanecendo a tônica que é manter o processo terapêutico separado do eu-cotidiano da pessoa. O que significa que a organização do eu e da identidade das pessoas devem ocorrer por conseqüência (e não de forma direta).

Por um lado, de acordo com a Arte Org da ausência, terapeuticamente só podemos aprofundar o trabalho com a forma de organização da identidade virtual em fazes mais adiantadas do processo terapêutico, quando a pessoa já sabe relativamente lidar com sua própria ausência dela-mesma e com voltar para ela-mesma. Por outro lado à pressão sobreposta e fixada precisa ceder inclusive para que o processo de organização da corporalidade e da percepção possa seguir seu curso.

É aqui que o projeto reciclagem (método terapêutico da Arte Org para lidar com as pressões do “aqui” e com os caminhos de si-mesmo no “aqui”) vale seu peso em ouro; pois permite lidar com as pressões e fixações sem promover um conflito subjacente maior ainda; que em nossos termos significa lidar com as pressões e fixações sem aumentar o conflito da pessoa com ela-mesma.

O que significa dizer que na Arte Org quem se encarrega de despressionar a pressão que a pessoa vem fazendo sobre o seu próprio eu é a metodologia desenvolvida pelo projeto reciclando (trabalho paralelo consigo-mesmo).

A metodologia da Arte Org se compromete com o processo de separação e divisão como defesa e com ir alternando a direção dos exercícios-procedimentos de tal forma que a pessoa possa alternar sua organização sensorial e perceptiva; e com isto possa ir alternando também suas vivência do Eu.

A abordagem terapêutica da Arte Org não se compromete e nem pode se comprometer com a estimulação de nenhuma estrutura de personalidade específica, em qualquer direção e nem por qualquer motivo, pois isto quebra o vínculo e o compromisso mais básico desta terapia; que é a relação da pessoa com ela-mesma.

Por outro lado, do ponto de vista da autonomia e dos caminhos de si mesmo no aqui (reciclagem) cabe a cada pessoa individualmente a responsabilidade de ir resgatando, reparando, aceitando e protegendo suas características pessoais; em alguns casos como diamantes brutos, em outros casos como pérolas preciosas; pois este é um dos fatores que nos permite continuar sendo humanos neste mundo de virtuais.

O que sim não pode ser confundido é o projeto de trabalho com a reorganização do Eu do funcionamento virtual com os traços e formas de comportamentos específicos de cada pessoa. Aqui, o que deve ser tomado em consideração, a cada passo, é que o ser virtual já é um indivíduo pressionado por seus conflitos de identidade; e, que, além disto, os virtuais costumam viver pressionando-se para compor um novo ser a partir de seu dever ser; o que resulta num aumento constante da desconformidade consigo-mesmo.

Aqui entra em questão o eu-cotidiano; isto é, o eu que vive a vida e este necessita de proteção. O eu da vida precisa ser protegido; inclusive do processo terapêutico; principalmente enquanto estivermos em território da Arte Org terapia.

O funcionamento virtual em geral apresenta uma lógica de defesas bastante estranha ao sentido comum. Que deve ter suas razões evidentemente; porém que não serve para reparar a relação consigo-mesmo e proteger a pessoa. Isto é; a defesa dos virtuais (ausência, sobreexcitação de campo, desconexão) não serve para proteger a pessoa; simplesmente porque ela está orientada para o distanciamento. 

Desde o início da Arte Org já se sabe que para trabalhar com a ausência dentro do marco humano era necessário acrescentar defesas em todos; e mais, é necessário ensinar as pessoas a se defenderem se movendo inclusive de seu processo terapêutico.

E bem verdade que na metodologia da Arte Org foram tomadas muitas as providências para tornar o processo terapêutico gradativo, aonde a cada momento a pessoa vá reaprendendo a como lidar com a situação proposta por sua terapia.

Porém muitas vezes isto não basta.

“Parece que esta pressão em direção a – ser - põe em pauta uma questão fundamental, como era mesmo isto de ser espontâneo? Mostrar-se? Expor-se? Ser expressivo? Aceitar-se?”

“E também já estava isto da pressão de expor o Self, que simplesmente pedia um trabalho terapêutico em direção a diferenciar o se expor da espontaneidade e urgente, e mais urgente ainda desenvolver a noção de guardar-se, conter-se, proteger-se”.

“O que mesmo fazia as pessoas estarem dispostas a se modificarem a qualquer custo? Onde estava aquela maravilhosa teimosia… eu não mudo, não mudo, e acabou-se e ninguém vai me fazer ser diferente do que eu sou”.

“Será que a sociedade do descartável tinha conseguido alcançar a própria maneira de ser?”.

Quando a gente começa a entender a dinâmica das forças que existe na organização intermediária fica abismado como as pessoas não se arrebentam. É pressão por todos os lados…

Na ausência; por cima a atração da força cósmica vestida de ausência. Entre si-mesmo o cosmo e a percepção difusa, o “eu-difuso” com sua manipulação a si-mesmo para sair arrancando e ausentar-se ou para mudar e mudar. Além disto, todas as forças do ir e as forças do voltar.

Na vida cotidiana; pela frente o super-homem e na frente o “outro” que leva a culpa de tudo. Por traz a exigência. Pelos lados os juízes internos (o anão da direita e o anão da esquerda), e por dentro o “Mim”, e a emocionalidade. Em pulso as emoções e em ondas os anseios. Pelo lado da percepção o Eu perceptivo ativo e na periferia o “Eu-coligado”. No corpo, da cabeça para baixo a sexualidade e de baixo para cima a força orgonótica e a sua contra parte a depressão; que também é uma pressão que empurram para dentro e para baixo. Além disto, à força gravitacional puxando de volta para a terra, e por baixo a força da terra com todas as forças de baixo. No entorno o volume com a autopercepção, um pouquinho mais a sobreexcitação de campo, que também empurra de fora para dentro. E de fora o perigo de encontrar-se com a unidade que pode se corporificar no lugar, no campo do lugar, ou no escuro do campo do lugar; como um fator externo.

Sem falar na ressaca que cobra seu tempo em diversas demandas… incluindo a sauna e os banhos.

Há, já ia me esquecendo, pelos poros o “Self”.

E sobreposto a tudo isto a missão.

Alem disto temos que trabalhar em vários lugares; cuidar dos “outros”; criar os filhos; cuidar da casa; pagar contas; se divertir; fazer vida social; visitar os amigos; e se sobrar tempo comer, defecar e dormir.

E nos tempos de folga… terapia e com a terapia o mover-se para se relacionar consigo-mesmo.   

Vocês não acham que tem alguma coisa errada com nossa espontaneidade?

Eu acho… e acho que a questão já saiu da pauta da espontaneidade e há muito tempo. Simplesmente não dá para se discutir espontaneidade se não temos um segundo para experimentar viver sem pressões. Sem estar pressionando o Eu para ser assim ou assado.

Já que os “eus” buscados pelo processo terapêutico vão ter que dar um jeito na guerra de si-mesmo, no “Eu” da vida não se mexe. O que ele necessita e de espaço para descobrir seus gostos e seus desgostos, de espaço para se reconhecer a si-mesmo, e somente então podemos discutir se ele necessita de modificações ou não. 

Agora uma coisa e certa, o “Eu” da vida só vai ter sossego da pressão de si-mesmo quando terminada a estratificação da ausência, e quando o “eu-difuso” tenha diminuído e muito sua pressão manipulativa de si-mesmo.

Porém, isto é muito tempo, portanto a alternativa é descobrir pequenos momentos despressionados pela vida, que ocorrem espontaneamente, principalmente quando a pessoa consegue se despressionar um pouco em seu processo terapêutico. E ficar de olho, pois tanto as pessoas como os terapeutas costumam arrumar qualquer desculpa para poder interferir neles.

Diante de qualquer dúvida sobre o nosso ponto de partida para compor o corpo de conhecimentos relativo à abordagem da Arte Org relacionada com a reorganização do Eu, lembre-se de que no âmbito da relação consigo-mesmo não se trata de vencedores e nem de vencidos, mas sim de conseguir amistar-se consigo-mesmo.

Veja também:

Sobre o eu dividido e as divisões do eu.

Sobre a Identidade:

Sobre o eu.

Sobre a individualidade:

Sobre o eu-dividido dos virtuais e a subjetividade.

Sobre a função eu e a função identidade.

Sobre o Self.

Sobre o Eu; o eu-difuso; o eu-descorporificado; o eu-observador; o eu-organizador; o Mim e o Eu-coligado.

Identidade descorporificada.

Identidades dos virtuais relacionadas ao desenvolvimento do processo terapêutico da Arte Org.

Sobre o super-homem e o micro-homem

 

Algumas diferenças da Arte Org com a orgonoterapia.

Cabe agora colocar algumas diferenças entre a Arte Org (como uma nova abordagem terapêutica proposta por nós) e a orgonoterapia (como proposta por Reich).

Em primeiro lugar, devemos esclarecer que os terapeutas que trabalharam na organização inicial da Arte Org e em seu desenvolvimento, vieram do mundo da orgonomia; portanto terapeutas emocionais que ainda hoje anelam o trabalho direto com as emoções, com a vida mesma pulsando nas convulsões do plasma vivo; que ainda hoje anelam encontrar uma solução, dentro da antiga orgonomia, para a defesa ausente.

Porém, como cada homem, de uma forma ou de outra, acaba levando em si a expressão de ser um homem de seu próprio tempo; como cada método proposto é ao mesmo tempo uma reformulação dos métodos anteriores e a expressão do funcionamento dos investigadores que o elaboram; a Arte Org não foi o resultado de uma busca, mas sim a resposta a uma situação, que hoje é reconhecida como sendo as modificações que ocorreram no homem (funcionamento virtual).

Neste sentido, o sentimento destes terapeutas (pelo menos dos antigos que navegaram da orgonoterapia para a Arte Org) a respeito da organização da metodologia da Arte Org é que eles foram empurrados ou levados por si mesmos, por seus clientes (virtuais) e por suas terapias pessoais, a enfrentarem uma situação, a ausência, que funcionava de maneira diferente a tudo aquilo que eles conheciam em sua formação de orgonomistas.

Para compreender esta tal ausência, os terapeutas org (antigos) tiveram que abandonar suas posições individuais e suas tendências em geral; e mais, também tiveram que abandonar suas tendências dentro da própria orgonomia. Para lidar com estas ausências, eles precisaram questionar e colocar em dúvida quase todo o conhecimento conhecido e reconhecido, incluindo os seus métodos de trabalhos terapêuticos vigentes em geral e a orgonoterapia em particular. O resultado de todos estes questionamentos e investigações em quase duas décadas de experiência clínica é hoje o que conhecemos como sendo a Arte Org.

Se estes mesmos clientes virtuais são os mesmo que habitam as salas de terapia de terapeutas de outras linhas terapêuticas, e mesmo a sala de terapia de outros orgonoterapeutas ou terapeutas corporais, eles devem ter produzido a mesma "revoltura" (bagunça, movimento) em muitas outras escolas terapêuticas.

Hoje, os sinais deste “movimento” são bem mais claros e já encontramos bastante gente falando a mesma coisa, a sociedade de nosso tempo mudou, o homem de nosso tempo mudou, os paradigmas mudaram, portanto, a forma de abordar este homem e seus problemas, também deve se modificar.

Por outro lado, outras escolas continuam atendendo da mesma maneira (antiga) estes mesmos virtuais.

Não é nossa intenção aqui entrar em polêmicas sobre este ou aquele tipo de abordagem, mas sim orientar o leitor no que se refere à Arte Org.

A primeira diferença que colocamos aqui é: o trabalho com os virtuais utilizando a orgonoterapia de Reich coloca o processo terapêutico ao borde, no limite todo o tempo, e quanto mais o cliente se encontra próximo de suas crises de contacto; mais no limite anda o processo terapêutico.

Isto não significa que outros terapeutas não saibam lidar com esta situação, ou que não tenham encontrado outras formas de lidar com esta situação; mas sim que os terapeutas da Arte Org decidiram andar por um caminho mais organizador, mais seguro, trabalhando com os virtuais, tal qual eles foram descobrindo o funcionamento virtual, sem ter que pressioná-los a retomar o funcionamento do caráter e nem entrar no mundo da loucura.

A posição da Arte Org é que afinal, se os virtuais com seu funcionamento conseguiram modificar o funcionamento de suas couraças, cabia agora organizar esta nova couraça e não encouraçá-los para começar todo o desencouraçamento  novamente. Isto significava resgatar o funcionamento fronteiriço e capacitar a pessoa a lidar com este funcionamento. Por isto se fala na Arte Org que o processo terapêutico org está direcionado a lidar com o funcionamento virtual, e não a substituí-lo por nenhum outra foram de organização ou desorganização antes que a pessoa se mostre capaz de lidar com sua própria forma de funcionar; e, isto significa lidar com a ausência e com a sobreexcitação de campo mantendo os níveis de organizações necessárias (corporal e perceptiva) para viver neste planeta, nos dias de hoje.

Mesmo que o resultado for sair da posição de terapeutas de vanguarda para assumir a posição de terapeutas conservadores.

Observando quantidade de ofertas terapêuticas de fim de semana que encontramos hoje seguindo todas as direções propostas pelo funcionamento virtual; A Arte Org, com sua metodologia, têm uma posição completamente conservadora. Ao mesmo tempo tem se mostrado como uma terapia de vanguarda para os dias de hoje e uma ponta de lança para lidar com o futuro.

A outra diferença importante com a orgonoterapia, (apesar de que os arteorguianos pensam que estão sendo completamente funcionalistas), é a forma de estratificar os processos usados pela metodologia da Arte Org.

A estratificação paralela da ausência (usada na Arte Org para ordenar o processo terapêutico e para acompanhar a terapia da ausência) é, em grande parte, o resultado da aplicação sistemática do pensamento funcional de Reich e dos princípios energéticos da orgonomia; porém, praticamente falando, ela é paralela e imita a estratificação real da ausência, e vai acrescentando uma possível graduação orientada pelo bom senso; portanto diferente da forma que Reich utilizava praticamente em seus modelos de estratificação.

Somente para exemplificar, se Reich tivesse um virtual em sua frente diria se ausenta e mais forte, ou então repete isto que você acabou de fazer com seus olhos. Isto é, a posição reichiana permite uma só alternativa, se a defesa é a desconexão ausente, é com ela que devemos trabalhar diretamente.

De acordo com a experiência clínica lidando com virtuais, a proposição de colocar um virtual seguindo diretamente a sua desconexão é equivalente a seguir um vôo sem direção que tem muitas chances de chegar ao centro da loucura.

Reich era um orgonoterapeuta que sabia, a sua maneira, como lidar com a loucura, e, ele esperava e acreditava que a capacidade de ceder, de entregar-se - das pessoas ao seu próprio funcionamento emocional, resolvesse a situação.

Os arteorguianos propõem que virtuais não são loucos em si mesmos, que está é simplesmente outra maneira de funcionar que habita o limite de uma coisa e outra e pensam que é completamente contra producente e não coerente com o próprio funcionamento virtual entrar no mundo da loucura para ajudar a pessoa a lidar com seu funcionamento virtual. O que se faz na Arte Org é propor  exercícios-procedimentos onde a pessoa possa ir experimentando, passo a passo, sua forma de ausentar-se. Somente que este método não é direto; e mais, ele precisa ir criando condições para que a própria pessoa possa acompanhar o seu ausentar-se.

Por outro lado, sabemos que Reich era perspicaz e observador o suficiente para olhar para a situação e dizer; com este tipo de malucos devemos trabalhar de outro modo, afinal ele foi capaz de desenvolver quatro métodos de trabalho com procedimentos bem diferenciados um do outro. Quem pode nos afirmar que se Reich tivesse o seu consultório cheio de virtuais ele não teria inventado o quinto método. Mas isto são somente suposições.

Outra diferença da Arte Org com a orgonoterapia é que a metodologia da Arte Org usa modelos padronizados de exercícios-procedimentos como método de trabalho.

De acordo com as próprias palavras do autor:

E não importa as nossas razões para isto; não importa se nos defendemos dizendo que cada um dos movimentos usado em nossos exercícios veio da forma de se mover dos próprios virtuais, da maneira com que eles “naturalmente” se defendiam de suas crises de contacto; que o único que fizemos foi ordená-los e vesti-los com esta ou com aquela forma para não servirem como porta de entrada direta para a angustia de contacto.

Como estávamos dizendo, nossos motivos não importam, pois sabemos que Reich era meio contrario a usar padrões de exercícios em seus métodos de trabalho.

E mesmo sabendo disto, afirmamos que a forma de dançar com exercícios procedimentos da Arte Org é mais próxima do funcionamento virtual do que a dança expressiva livre e espontânea e com isto afirmamos que a Arte Org continua sendo profundamente Reichiana.

Como também afirmamos que a única forma que encontramos para seguir a ausência como defesa e entrar em seu próprio território, gradativamente e protegendo a terapia e o cliente da própria loucura do funcionamento ausente, é a que usamos no centro da metodologia da Arte Org e nisto também estamos sendo profundamente Reichianos.

Agora; quando as pessoas já voltaram a estar presente em seus corpos e podem se responsabilizar por seu funcionamento; incluindo sua forma de se ausentar e de manipular a si mesmas; quando elas já podem reagir emocionalmente sem, ao mesmo tempo, se distanciarem de si mesmas; aí a direção indicada para seguir, se a pessoa quiser, é uma só, de volta a lidar com as convulsões biofísicas do corpo, tal qual propunha o senhor Reich.

A Arte Org, como processo terapêutico, termina justamente quando termina a estratificação do processo ausente e quando termina a estratificação dos processos envolvidos no caminho paralelo da pessoa com ela-mesma (entre eles a manipulação de si mesmo).

O caminho terapêutico da pessoa, daí para frente, incluindo o adentrar-se a flexibilizar o restante da organização do encouraçamento biofísico, volta a ser do domínio da orgonoterapia tal qual proposta por Reich e envolve um outro contrato terapêutico.

 

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